Escrevi semana passada que a especulação é um elemento indissociável, em todos os campos, da vida humana e está cada vez mais sofisticada.

O especulador é visto, por estas paragens, como um ser maligno, mas todos somos apostadores em potencial, portanto especuladores, especialmente no campo econômico, no qual buscamos oportunidades.

A moderna economia de mercado não funciona sem o especulador, pois ele é simplesmente insubstituível em muitas situações, como por exemplo no caso do exportador que “trava” a taxa de câmbio para tentar resgatar a dívida por um valor constante em uma dada moeda.  O risco é inteiramente dele, que sabe o momento certo de agir para auferir lucros com a operação. Ao final, todos ganham com a sua ação.

Os livros de história econômica mostram que a ação de especuladores nos mercados futuros já se fazia presente, em semente, entre os gregos antigos, mas começaram a se disseminar nos Países Baixos do século XVI, donde se espalhou por todo o continente europeu e dali para outras partes do mundo, como forma de assegurar liquidez e reduzir custos de transação.

Os governos, quando desconhecem ou fazem pouco caso das regras de funcionamento dos mercados ou buscam o aplauso fácil da opinião pública, tendem a sufocar os mecanismos de regulação natural dos mercados.

As ações atabalhoadas dos burocratas estatais são ineficazes e criam incertezas e quase sempre resultam em transferência e fuga de ativos para mercados onde as regras são mais estáveis e sem intromissões indevidas e inconsequentes do Estado.

Há papel para o Estado na peleja, a saber, atuar de forma a garantir a estabilidade do sistema, separando o joio do trigo e evitando a especulação financeira que se afasta demasiadamente da economia real.