Vez por outra ouço colegas e amigos deblaterar contra empresários, financistas, especuladores e toda a fauna que ganha ou tenta ganhar dinheiro no mercado.

O funcionamento do capitalismo exige a livre iniciativa, possivelmente o seu principal pilar.

Isso não significa que o mercado seja deixado inteiramente livre para funcionar.

Um certo grau de regulação existe para abrandar seus defeitos e para maximizar seus muitos benefícios.

Certa feita, ouvi uma conversa entre dois colegas que maldiziam a especulação financeira, como se ela fosse, em si mesma, um mal.

A especulação é um elemento indissociável da vida humana – no campo econômico, político, cultural, etc.

Quando o homem inventou os negócios, o dinheiro e o sistema de créditos, a especulação sofisticou-se.

Na economia, especuladores atuam principalmente no setor financeiro, “apostando” quais vão ser os movimento do mercado.

Quando o especulador atua nos mercados futuros e derivativos, o homem comum associa-o a um jogador compulsivo e não como um agente de gestão de riscos, que atua para azeitar a máquina econômica e, portanto, para melhorar o seu funcionamento.

O homem comum que abomina a especulação é o que muda os seus investimentos para ganhar um pouco mais ao final de um certo período, transferindo recursos de uma caderneta de poupança para um fundo de renda fixa ou deste para uma carteira de ações.

Também especula quando pesquisa na internet em busca em busca de passagens de aviões mais baratas, antecipando a compra porque suspeita que haverá aumento do valor mais à frente. Ou quando compra um carro a prazo, paga juros e usufruiu o seu uso, porque o benefício do bem-estar é maior que o custo do financiamento.

Não há santos no mercado.

Podem faltar oportunidades para que a inocência seja descartada.