O dia 19 de maio de 1986 marcou a história da Força Aérea Brasileira (FAB), como a “Noite dos Ovnis do Brasil”, um dos maiores mistérios envolvendo objetos voadores nao identificados no mundo, com direito a alerta aéreo e decolagem de caças armados. O que pouca gente sabe é que em julho de 1980, tivemos a “noite dos ovnis no Rio Grande do Norte”, envolvendo o rebocador “Caioba Seahorse” e um Objeto Voador Não Identificado.

Este post se embasou no relatório oficial da investigação, publicado em novembro de 1980, conduzido pelo Centro de Lançamento de Foguetes Barreira do Inferno, (CLFBI - atual CLBI), que teve como objetivo “compilar informes e se possível estabelecer correlação que possam, eventualmente, esclarecer os fatos relacionados como o assunto mencionando no TLX R-282053Z JUL 80, do III Distrito Nacal ao CLFBI”.

A história começa em 27 de julho de 1980, quando o rebocador retornava da plataforma da Petrobrás “Ubarana”, a 12 milhas da costa de Pititinga, com proa a 150º. Às 18h50, tripulantes da embarcação relataram ter visto uma luz branca, a cerca de 5º acima do horizonte e 30º à direita da proa. Inicialmente, os marujos imaginaram ser alguma boia de sinalização ou até mesmo outro barco, contudo, ao observar com um binóculo concordaram ser um objeto pairando no ar.

Após alguns minutos, a luz se aproximou ainda mais e permaneceu a uns 20 metros de altura sobre o mar e uns 20 mestros de distância, o que exigiu uma manobra que quase parou o rebocador. Um detalhe que chama atenção no deipomento colhido é que a luz estava com algo preso, como um cabo. Em determinado momento, a luz chegou mais perto e permaneceu a 45º da proa, soltando o “cabo” e iluminando com intensidade a água.

Posiçao do "Caioba" e luz nos momentos relatados (Reprodução do relatório oficial)

Os tripulantes relataram que em questão de minutos a luz que estava no mar se apagou, enquanto a de cima permaneceu por quase 10 minutos, mas se distânciando a 90º da proa. A descrição era de uma esfera, com metade do tamanho da lua.

Outro detalhe que coloca mais mistério na história envolve o barco “Teche Seahorse”, que vinha a 4 milhas atrás, naquele dia prestando apoio de radar, pois o “Caioba” estava sem o equipamento. Em contato rádio VHF, a tripulação do segundo navio informava a distância da costa e não identificou nenhum outro nas proximidades, segundo o radar. O chefe de máquinas no depoimento contou ter visto a luz à frente do primeiro barco e a uma altura 2 ou 3 vezes maior do que o mastro do Caioba. Ele descreveu como uma luz de sinalização de iate ou cruzeiro, mas na hora comentou ser um ovni. Por fim, a luz desapareceu em direção ao continente, subindo a uma velocidade “incrível” e ganhando altitude até sumir.

Figura do relatório de acordo com relato de testemunha 

Conclusão da Investigação

Nas conclusões, os militares tentam explicar o fenômeno atribuindo a desorientação de parte da tripulação dos barcos e aponta contradições quanto ao tamanho e distância descritos. Além disso, eles associam o termo ovni por influência de uma dos membros que chegou a declarar no momento do avistamento aos demais colegas e no próprio testemunho do relatório. Os testemunhos em determinados pontos foram contráditórios, ao ponto de discordarem para qual lado a luz se movimentou antes de desaparecer.

Sem qualquer prova da presença de um veículo no local, seja marítimo ou aviatório, o relatório concluiu ser pouco provável o relato dos homens. Além disso, em nenhum momento cita que tal objeto tenha sido detectado pela FAB ou Marinha.

A investigação aponta que o contato via rádio com a Capitania dos Portos demorou entre 30 e 40 minutos após o primeiro avistamento, o que coloca em dúvida o que realmente aconteceu e diz ainda que a posiçao passada diverge em 82 milhas da real. Isso comprovaria a desorientação dos homens no mar.

Por fim, não esclarece com exatidão do que se tratava, nem a origem da "luz".

Caso chega à imprensa

Em 16 de agosto, o caso chegou a imprensa local. No Diário de Natal, a manchete estampava “Disco voador no mar pára as máquinas do rebocador Caioba”. Essa versão foi desmentida no relatório pelos militares, pois nenhum tripulante declarou oficialmente.

Ao longo dos dias, surgiram outras testemunhas na imprensa relatando o avistameto de luzes no litoral, sendo uma delas frequentadores do Iate Clube de Natal, na madrugada do dia 2 de agosto de 1980. Nada foi comprovado.

Em Janeiro de 1981, jornais chegou a informação do caso em jornais da Itália e dos Estados Unidos, movimentando a comunidade ufológica.

Nota do editor: Casos assim são relatados há anos no litoral norte do RN. Em 2012, este editor teve a oportunidade de conhecer um pescador que relatou algo muito parecido em Jacumã, mas ficará para outro post.