Homenagem do 3º Distrito Naval da Marinha do Brasil, sediado em Natal/RN (Foto: Cedida / 3ºDN)

Vamos fugir um pouco do tema da aviação e falar da história da segunda guerra e suas vítimas brasileiras no mar.  A Marinha do Brasil celebra hoje, 21 de julho, a Memória dos seus Mortos em Guerra, pois foi nesta data quando ocorreu o fundamento da Corveta Camaquã, no litoral de Pernambuco, tomando a vida de 33 militares que defendiam o País durante a Segunda Guerra Mundial.

A embarcação estava liderando um comboio de navios de guerra que davam proteção a outros navios, na manhã do dia 21 de julho de 1944, quando teve a escolta rendida e, portanto, retornando ao porto de Recife. Até aquele momento, o navio acumulava seis anos de serviço, sendo 4 deles na Marinha do Brasil e desde 1942 integrava a Força Naval do Nordeste, assegurado travessia a mais de 600 navios, inclusive na costa do Rio Grande do Norte.

O ano de 1943 ficou marcado pelos afundamentos dos submarinos alemães, que perdurou por alguns meses, até meados deste ano e 1944, quando os equipamentos do Eixo conseguiram novamente uma reação. Esse cenário exigiu das forças navais aliadas um reforço estratégico, com mais embarcações nos comboios, principalmente no Atlântico Sul, no trecho Trinidad – Rio de Janeiro, com uma divisão de escolta entre a Marinha dos EUA e a do Brasil, entre o Rio e Recife.

Voltando para aquela manhã de 21 de julho de 1944, o clima e o vento estavam bons, o que deve ter dado um sensação de alívio aos militares que retornavam de mais uma missão em direção a terra firme. A partir daí as informações ficam confusas, pois no início suspeitaram de um torpedeamento por submarino inimigo que teria afundado a Corveta, contudo, o relato oficial apontou como sendo uma série de ondas gigantes que atingiu aqueles homens, levando o barco a adernar.

Estavam a bordo 120 homens, dos quais 33 pereceram, entre eles o comandante, o capitão de Corveta, Gastão Monteiro Moutinho. Muitos desses homens morreram afogados após conseguir deixar a corveta, mesmo com os esforços do CS Graúna e CS Jutaí, que também faziam parte da escolta, rapidamente acorreram ao local, lançando mais salva-vidas e bóias e recolhendo  os náufragos.

Entre 1941 e 1945, período da Segunda Guerra Mundial, houve pelo menos 31 afundamentos de navios militares e mercantes com tripulantes brasileiros, totalizando mais de 1.000 mortos.

ORDEM DO DIA MARINHA DO BRASIL

Homenagem à Memória dos Mortos da Marinha em Guerra

Os heróis de ontem, de hoje e de sempre das Marinhas de Guerra e Mercante são reverenciados, no dia de hoje, pelo sacrifício de suas vidas nos conflitos do Brasil em defesa da sua integridade territorial e segurança do tráfego marítimo e, sobretudo, da sua liberdade e valores democráticos.

Ao rememorarmos o passado, e em especial aqueles que nos antecederam, temos a oportunidade de compreender o presente e fazer os ajustes necessários na consolidação de um próspero futuro. As participações desses bravos brasileiros em fatos históricos, nos ambientes marítimos e fluviais, mostram que o emprego do Poder Naval deve considerar as peculiaridades desse espaço, que apresenta ordenamento jurídico próprio, diversidade de fundamentos para acordos e convenções internacionais, dimensões e características distintas e que possui uma relação direta com a nossa sobrevivência e prosperidade.

O Brasil, país de dimensões continentais, possui o direito de explorar uma extensa área oceânica, com cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, assim como cerca de 60 mil quilômetros de hidrovias, representando fontes de energia, alimento e a principal via do comércio exterior brasileiro. Para que fosse possível alcançar tal dimensão, marinheiros se fizeram ao mar e aos rios com tenacidade e coragem, enfrentaram e enfrentam adversidades, sendo protagonistas na história do nosso País.

  Ao longo dessa trajetória, nossas águas foram palcos de lutas contra invasores, mesclando importantes combates navais com o alvorecer da nossa Nação. No século XVI, a tentativa de estabelecimento de uma colônia na atual região do Rio de Janeiro, a França Antártica, foi impedida com a expulsão dos invasores em 1570. Em 1614, Jerônimo de Albuquerque, primeiro brasileiro Comandante de uma Força Naval, contribuiu para a expulsão dos franceses do Maranhão, com a vitória na Batalha Naval de Guaxenduba. Ainda no decorrer do século XVII, marinheiros atuando no Bloqueio da Baía de Todos os Santos e na Batalha Naval de Abrolhos dificultaram a continuidade da presença holandesa no nosso território.

O Brasil, a partir de 1822, esteve envolvido em seguidas lutas, no mar e nos rios, pela consolidação de seu território. A Esquadra, formada pela visão de Estadista do Pai da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, teve seu batismo de fogo no Comando de Lord Thomas Cochrane, que realizou bloqueio naval à cidade de Salvador, impedindo o abastecimento das tropas portuguesas. As Guerras da Cisplatina e da Tríplice Aliança também seguem como exemplos da vitoriosa história de nossos marinheiros e fuzileiros navais. Dentre o rol de heróis, temos o Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, Cabo Fuzileiro Naval Francisco Antônio Pacheco, Imperial-Marinheiro Marcílio Dias e Soldado Fuzileiro Naval Felicíssimo José Guimarães, os quais tombaram em combate e representam os tantos outros homens do mar que lutaram para defender a nossa Pátria.

No século XX, mais uma vez, o Brasil teve em seu horizonte períodos conturbados, em que o mundo entrou em conflito nas Grandes Guerras Mundiais. Na Primeira, contou com a participação da Divisão Naval em Operações de Guerra, comandada pelo Contra-Almirante Pedro Max Fernando de Frontin, cuja principal tarefa foi patrulhar área marítima contra os submarinos alemães, compreendida entre Dakar, no Senegal, São Vicente, em Cabo Verde, e Gibraltar, na entrada do Mediterrâneo. Nossos navios, nessa ocasião, tiveram que enfrentar um outro inimigo invisível, o vírus da Gripe Espanhola, que ceifou a vida de 156 dos nossos marinheiros.

  Na Segunda Guerra Mundial, novamente o mar teve destaque. A Marinha do Brasil, por intermédio da Força Naval do Nordeste, e do Grupo-Patrulha do Sul, posteriormente, denominado Força Naval do Sul, foi responsável pelo patrulhamento das nossas águas, pela escolta e proteção dos 575 comboios, totalizando 3.164 navios, que trafegavam no Atlântico. Outra tarefa a ser destacada foi a escolta dos navios que transportaram a Força Expedicionária Brasileira. O saldo dessa guerra para o Brasil incluiu as perdas do Navio-Auxiliar Vital de Oliveira, da Corveta Camaquã e do Cruzador Bahia, nos quais tombaram 467 brasileiros. Devemos ainda ressaltar a bravura, de sempre, da Marinha Mercante, que com postura corajosa e patriótica, manteve o comércio marítimo brasileiro, apesar do afundamento de 33 navios e da perda de 982 vidas. A capacidade de superação desses marinheiros, dos quais muitos sobreviventes continuaram a navegar em outros navios até o final do conflito, é digna de respeito e reverência.

Em outro momento difícil para os brasileiros, a Marinha de Guerra e Marinha Mercante permanecem navegando a despeito das consequências da Pandemia do Coronavírus. Vem sendo mantidos o comércio exterior, vital para a nossa economia, o abastecimento de petróleo e gás para a sociedade brasileira, a salvaguarda da vida humana no mar, a segurança da navegação e a proteção ambiental, apesar do constante equacionamento de desafios. Aos heróis de hoje, os nossos respeitos.

Ao observamos os feitos do passado e do presente, somos instados a honrar nossos marinheiros e fuzileiros navais, mantendo o seu legado de profissionalismo, disciplina e patriotismo. Os exemplos de comprometimento com a Pátria, forjados na superação e na adversidade, daqueles que ofereceram suas vidas pela defesa da nossa terra continuam a nos inspirar. Dessa forma, em homenagens, como a que realizamos, nos comprometemos a manter nas mentes e corações dos brasileiros, a certeza de que nossos heróis, cuja morada final é o mar, serão sempre reverenciados.

Ontem, hoje e sempre, Tudo pela Pátria!

Viva a Marinha!

Viva o Brasil!

ILQUES BARBOSA JUNIOR

Referência:

Marinha do Brasil

Naufrágios.com.br