O campeonato estadual de 1976 aumentou a interiorização do futebol do Estado, com a participação do Baraúnas de Mossoró e do Potyguar de Currais Novos, unindo-se ao Potiguar de Mossoró que iniciara em 1974. O time do Seridó tinha como goleiro um atleta conhecido como “Índio”, o qual, num jogo contra o ABC FC, em Natal, entendeu de entrar em campo a caráter fidelizando a sua alcunha.

O goleiro, então dono de vasta cabeleira, providenciou uma pena e a encaixou em suas madeixas com a ajuda de uma fita. À falta de urucum, tinta originalmente utilizada pelos indígenas para a pintura do rosto, adaptou tiras de esparadrapo com a ajuda do massagista da equipe, simulando uma “pintura de guerra”.

Antes da partida, o índio não queria apito, queria espelho, sempre atento a algum detalhe no próprio reflexo que pudesse melhor compor o seu visual. Perguntado pelos jornais da época a razão daquela aparência em um jogo de futebol, disse o arqueiro: “É uma homenagem que quero prestar aos nossos irmãos tão pouco lembrados. Eles precisam de nossa ajuda e da nossa amizade”.

O jogo se deu em 04.04.1976, um particular “Dia do Índio” (o goleiro), antecipando em uma quinzena de dias a data festiva destinada aos indígenas.

Índio, à época com 22 anos, já tinha uma carreira longa no futebol. Iniciou na base do Sport Clube Recife, de onde seguiu para o juvenil do São Paulo FC. Profissionalizou-se e foi jogar no Marília do interior paulista. De lá foi para o Umuarana/PR, retornou ao Nordeste para jogar no América/PE e, por último, estava no Treze de Campina Grande, quando foi contratado para reforçar o clube seridoense no seu primeiro estadual. Ficou conhecido não só pelo folclore de sua fantasia, mas também por ser arrojado e corajoso na defesa do time seridoense. 

A ilustração da postagem contém a foto publicada no Diário de Natal e que acompanha a reportagem sobre o jogo.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal