Plano Detalhe

27/06/2019 05:00

Cinema brasileiro em dose dupla; veja a programação em Natal!

Fotos: Divulgação / Montagem: João Victor Wanderley

Cinema brasileiro em dose dupla; veja a programação em Natal!

Confira as estreias e os filmes que permanecem em cartaz nos cinemas de Natal no período de 27 de junho a 4 de julho:

Turma da Mônica - Laços (2019): Com o desaparecimento de seu cachorro Floquinho, Cebolinha desenvolve um plano infalível para resgatá-lo. Para isso, ele vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos: Mônica, Magali e Cascão. Juntos, irão enfrentar desafios e viver grandes aventuras. (Livre, 96 minutos).

Divino Amor (2019): Em 2027, a festa mais importante do Brasil não é mais o Carnaval, mas a “Festa do Amor Supremo”. Joana (Dira Paes) é uma religiosa devota que trabalha num cartório e utiliza de seu ofício para dificultar os divórcios dos outros casais. Ela aguarda um sinal divino em reconhecimento por seus esforços, mas é confrontada por uma crise em seu próprio casamento, o que acaba deixando-a ainda mais perto de Deus. (18 anos, 99 minutos).

Annabelle 3 - De Volta Para Casa (Annabelle Comes Home, 2019): Determinados a impedir que Annabelle crie ainda mais caos, os demonólogos Ed e Lorraine Warren trazem a boneca possuída à sala de artefatos que fica trancada em sua casa, isolada em um local “seguro”, protegida por um vidro sagrado e com a benção de um padre. Porém, uma noite de horror os aguarda à medida que Annabelle desperta espíritos malignos na sala, que se voltam a um novo alvo: a filha de 10 anos dos Warrens, Judy, e suas amigas. (14 anos, 116 minutos).

Pets - A Vida Secreta dos Bichos 2 (The Secret Life of Pets 2, 2019): Após conhecer o irmão Duke e viver aventuras com seus amigos Gigi, Bola de Neve e Chloe, o cãozinho Max terá de se acostumar com mais um novo integrante na família. (Livre, 86 minutos).

Continuam em cartaz:

Toy Story 4 (2019): Decidido a lutar pela felicidade de Bonnie, Woody parte em nova aventura para recuperar o novo brinquedo favorito da garota. Na jornada, o xerife e sua trupe se reúnem a novos e velhos amigos. (Livre, 100 minutos).

Gloria Bell (2018): Gloria (Julianne Moore) é uma divorciada de espírito livre que passa os dias trabalhando num escritório tradicional e conservador. À noite, se solta dançando nas muitas discotecas de Los Angeles e conhece Arnold (John Turturro). Envolvida num inesperado novo amor, Gloria se vê diante de todas as alegrias e complicações do começo de um romance. (16 anos, 102 minutos).

MIB: Homens de Preto – Internacional (Men in Black: International, 2019): Sete anos após seu último lançamento, a franquia MIB: Homens de Preto retornam aos cinemas com seu mais novo exemplar, Internacional. Estrelado por Chris Hemsworth e Tessa Thompson (ambos de Vingadores – Ultimato, 2019), o filme acompanha os agentes H e M na maior e mais global ameaça à Organização MIB. (12 anos, 114 minutos).

Aladdin (2019): Adaptação em formato live-action do clássico de animação da Disney, conta a história de um jovem humilde que descobre uma lâmpada mágica, com um gênio que pode lhe conceder desejos. Agora, o rapaz quer conquistar a moça por quem se apaixonou, mas ela é uma princesa que está prestes a noivar. (10 anos, 128 minutos).

OBS: Os horários dos filmes podem ser conferidos nos sites dos cinemas

25/06/2019 20:22

Dark – 2ª Temporada: paradoxal em seus paradoxos

Fotos: Divulgação

Dark – 2ª Temporada: paradoxal em seus paradoxos

Embora a primeira temporada de Dark, sucesso alemão original Netflix, tenha demonstrado eficiência ao conduzir um tema tão complexo, não me assusta que sua continuação apresente alguns gargalos narrativos. Afinal, sequências tendem à expansão, e expandir enredos tão intrincados podem exigir sacrifícios.

O segundo ano se passa seis meses após o encerramento do anterior. Jonas tenta sair de 2053; Charlotte e Peter conseguiram compreender boa parte do que está acontecendo em Winden; e a catástrofe que deixou a cidade devastada no futuro está prestes a acontecer.

Duas linhas temporais são acrescidas, de forma que os acontecimentos ocorrem em 1921, 1954, 1987, 2020 e 2053. Respostas são apresentadas, como a origem dos caminhos e das portinholas na caverna, o funcionamento da máquina do tempo desenvolvida por H.G. Tannhaus, o destino de Ulrich e o que seria a Sic Mundus Creatus Est, termo que tantas vezes é citado.

Além disso, outros compreendem que a viagem no tempo é uma alternativa válida. Cada um quer participar dessa experiência, todos com motivações fortes. O resultado é um crescimento considerável de interações em épocas diferentes e novas pontas soltas. E aí temos um problema!

Com mais perguntas, mais interações e diversas tramas paralelas, fica complicado para os roteiristas administrarem tudo com equilíbrio, resultando em inconsistências. Sabemos que Helge teve participação importante nos desaparecimentos dos adolescentes, assim como sabemos que teria problemas psicológicos em sua velhice. O que não é mostrado é o motivo dessa mudança, se algum efeito colateral das viagens ou sequela tardia da agressão que sofreu na infância. Ele simplesmente surta.

Em 2020, a investigação da polícia ganha pouco destaque, embora algo bem importante saia dela. Menos tempo de tela tem o futuro distópico de 2053, deixando no ar a identidade de uma das personagens.

Mas o que mais me incomoda aqui é a estranha relação de ignorância mantida por Hannah sobre a identidade de seu marido, Michael. Ela conviveu com ele desde criança até se tornarem um casal. Para mim, é impossível aceitar que ela nunca tenha desconfiado de nada ao ver que o filho dos Nielsen era idêntico a Michael quando tinha a mesma idade. E se isso foi uma escolha do roteiro para uma futura reviravolta, a série perdeu o timing.

Sobre inconsistências – e vocês me perdoarão por esse tolo jogo de palavras –, existe um paradoxo na maneira como os paradoxos temporais são tratados. Para poder ilustrar meu ponto de vista, será preciso dar alguns spoilers. Quem não quiser ler, basta continuar após a próxima imagem.

Uma das grandes qualidades da produção até aqui é a maneira como ela costura os paradoxos criados pela viagem no tempo, ou, para melhor compreender, as inconsistências lógicas decorrente das viagens. Por exemplo: um homem encontra um livro velho, viaja ao passado e o entregar ao autor da obra, que ainda não havia escrito. Após receber o livro, o autor decide escrevê-lo e publicá-lo naquele ano. Isso é chamado de Paradoxo de Bootstrap, quando uma informação ou objeto existe antes mesmo de ser criado. O homem do futuro só achou o livro porquê ele havia sido publicado, mas o livro só foi publicado porquê o autor o recebeu de alguém do futuro.

Durante todos os seus episódios, Dark lidou bem com esse conceito, deixando tudo de acordo com as teorias e alimentando a ideia do tempo ser cíclico. Entretanto, é frustrante perceber que essa precisão narrativa também depõe contra a obra, diminuindo momentos de impacto dramático.

Isso pode ser facilmente percebido com a morte do pai de Claudia, Jonas tentando impedir o suicídio do pai ou a visita que Hannah faz a Ulrich em 1954. Sempre que alguém tentou mudar alguma coisa, essa coisa aconteceu da mesma forma que deveria. Logo, quando temos a informação prévia do que deveria ser impedido, concluímos que não ocorrerá mudanças. Apenas vemos como tudo aconteceu, o que tira a surpresa do momento.

Claudia recebe a notícia de que seu pai vai morrer, tenta salvá-lo e acaba participando do processo de morte. Michael aparenta não ter pensado em se matar até receber de Jonas a carta de suicídio vinda do futuro. Hannah vai atrás de Ulrich para salvá-lo e muda de ideia no meio do caminho, sabíamos que nada mudaria já que o vimos preso até 1987. Todas as interações são emocionalmente sabotadas pela precisão teórica do roteiro, um exemplo estranho de como algo bom prejudica a experiência narrativa – um paradoxo.

Apesar das inconsistências, é importante dizer também o quanto a produção melhorou em outros quesitos. Uma das coisas que mais me agradaram foi a sensibilidade das relações humanas, melancólicas e belas. Da mesma forma que dói ver o sofrimento dos que buscam seus parentes sem encontrá-los, esquenta nossos corações quando reencontros acontecem, principalmente quando uma das pessoas esperou décadas por aquele breve instante.

Tecnicamente, a tensão e o suspense continuam sustentando nossa curiosidade. A trilha sonora é aflitiva e densa, corroborando com o peso emocional da trama – é como se algo estivesse prestes a explodir a qualquer momento. A direção de arte é impecável na criação das diferentes épocas, com figurinos e locações belíssimos.

A fotografia acerta ao adotar tonalidades diferentes para cada ano. Destaque para a paleta azulada de 2053, período pós-apocalíptico e de frieza terminal, contrastando com o tom avermelhado de 1921, refletindo o calor do início de tudo. O roteiro faz um bom trabalho costurando tantas histórias que se entrelaçam e sendo compreensível – embora se torne um tanto cansativo na reta final, quando ainda alimenta uma enormidade de idas e vindas entre presente, passado e futuro, chegando a ser mentalmente desgastante para quem está maratonando.

Por fim, a montagem se supera ao ligar, simultaneamente, arcos em épocas distintas. Fugindo do didatismo anterior, onde cada tempo era tratado isoladamente. Tudo acontece ao mesmo tempo, dialogando com o conceito de continuidade temporal.

Dark retorna com tropeços mais sentidos e importantes, mas consegue ser tecnicamente robusta, intrigante e emocionalmente densa. Se firma mesmo sendo complexa em todos os sentidos.

 

Nota 8,5/10

23/06/2019 10:00

Democracia em Vertigem: cinema que encanta, realidade que apavora

Fotos: Capturas de Tela

Democracia em Vertigem: cinema que encanta, realidade que apavora

É impossível dizer que, sem a atual ruptura ideológica de nossa sociedade, o recente lançamento original Netflix teria a repercussão que está tendo. Num país apaixonado por entretenimento escapista, que pouco faz para reconhecer o cinema nacional e é machista, é difícil acreditar que um documentário brasileiro dirigido por uma mulher, ganharia tanta voz.

Felizmente – ou não –, a disputa travada em terras tupiniquins acabou deixando uma parcela representativa da população mais interessada em política, o que permitiu maior visibilidade a obras desse tipo.

Dirigido pela sensível Petra Costa, Democracia em Vertigem (2019) é um recorte histórico assustador e dolorido do atual momento vivido pelo Brasil.

Acompanhando a ascensão e declínio do governo “petista”, o filme costura registros que vão desde a eleição de Lula, em 2003, até à vitória de Jair Bolsonaro nas urnas. A diretora não faz questão de esconder sua filosofia de esquerda, pelo contrário. Sua ideologia é apontada algumas vezes no decorrer da obra e funciona como um filtro para a abordagem séria que é proposta aqui. Por exemplo, quando comenta a participação do ex-presidente Lula nos depoimentos à Lava Jato, a própria Petra deixa claro jamais ter se convencido das acusações, mas também não toma o acusado por inocente em momento algum.

Essa é uma estratégia que permite aos espectadores sensatos diferenciarem opiniões – como os relatos da mãe da diretora sobre as conquistas do PT – e fatos – como a motivação frágil para concretizar o Impeachment de Dilma e o envolvimento de Michel Temer nos bastidores.

Por outro lado, quando opta por dar espaço ao forte discurso feito por Lula antes de se apresentar à prisão e mostrá-lo nos braços do povo, permite que opositores mais fervorosos ignorem que aquelas imagens refletem a popularidade do político e as tomem como publicidade partidária.

Imagem histórica da popularidade de Luiz Inácio "Lula" da Silva

De qualquer forma, o filme não está preocupado em melhorar a imagem da esquerda ou manchar a da direita, mas em questionar alguns movimentos políticos sob a luz da democracia. Tanto que não omite as repercussões contrárias ao ex-governo. Na mesma medida que mostra a tristeza de um dos lados, mostra as comemorações efusivas do outro.

Democracia em Vertigem também tenta compreender, através de alguns depoimentos, o que fez o PT se enfraquecer tanto perante o poder político e, principalmente, à população, colocando alguns dedos em feridas ainda não cicatrizadas.

Dona de uma capacidade singular de contar histórias, Petra tem o dom de universalizar momentos íntimos e pessoais, quem teve a oportunidade de assistir o tocante Elena (2012) compreende bem o que estou falando.

Aqui, a diretora constrói uma história em duas escalas distintas. A mesma ruptura que divide o país também separa sua família. Do lado que apoia as recentes mudanças do Poder, os avós que enriqueceram por serem sócios de uma importante empreiteira; do que se opõe, os pais militantes da esquerda que foram presos durante a Ditadura Militar.

Mesmo com uma voz amena, a cineasta consegue provocar incômodos através do texto forte e reflexivo, seja pela leitura corporal que faz de Michel Temer no dia da posse de Dilma – remetendo a um aparente desconforto dele, desapercebido pela população – ou pelas palavras colocadas ao fim do documentário, que causam uma angustia apavorante:

Como lidar com a vertigem de ser lançado em um futuro que parece tão sombrio quanto nosso passado mais obscuro? O que fazer quando a máscara da civilidade cai e o que se revela é uma imagem ainda mais assustadora de nós mesmos?

Simbologia: a dificuldade de preservar o lema de um país que sucumbe aos interesses particulares dos governantes.

A seleção de imagens consegue causar arrepios através de atrocidades como Jair Bolsonaro, num ato completamente desumano, provocar Dilma ao enaltecer seu torturador, Carlos Brilhante Ustra; ou mostrando entusiasmado as fotos dos presidentes do período de Ditadura, pendurados em seu gabinete.

Também conseguem ser simbólicas ao executar enquadramentos de efeito, como os planos do Congresso Nacional que dão imponência às torres, quando quer mostrar a força dos políticos, ou que as diminuem, refletindo a corrupção que oprime.

Dois momentos específicos foram particularmente significativos para mim. No primeiro, um funcionário limpando, com a mão, a bandeira brasileira no carpete do Senado e, em seguida, usando um objeto para reforçar a visibilidade das palavras “Ordem e Progresso”. No segundo, uma das responsáveis pela limpeza do Palácio do Planalto lamentando não poder limpar a sujeira do país com um pano, além de demonstrar uma profunda – e honesta – confusão sobre a existência da democracia.

Democracia em Vertigem é um soco no estômago. Mostra a inversão de valores perigosa que atinge a nação e que busca justificar o injustificável através do eco ignorante de quem berra mais alto. É cinema da mais alta qualidade, mostrando com beleza e sofisticação o reflexo torpe de uma nação coberta pela poeira da corrupção.

 

Nota 10/10

21/06/2019 19:41

Toy Story 4 fala com a alma

Fotos: Divulgação

Toy Story 4 fala com a alma

“Mas o que faz o Woody especial é que ele nunca desiste de você!”

Estamos em 2019 e eu já passo dos 30, mas toda vez que ouço essa frase dita por Andy no final da então trilogia Toy Story (1995 – 2010), é como se eu voltasse instantaneamente à minha infância. Cresci “ao lado” de Andy e, assim como ele, tinha o cowboy mais corajoso do mundo e toda sua trupe como meus melhores amigos.

Era impensável, então, aceitar que algo mais pudesse sair dessa lembrança tão especial. Eis que, mais uma vez, a Pixar ensina a olhar sob nova ótica, mostra que o fim para uns pode ser um começo para outros.

Em Toy Story 4 (2019), a pequena Bonnie é responsável por toda a turma de Woody, que já não ocupa mais a posição de preferido. Quando a garota cria o Garfinho e desenvolve uma forte relação emocional com ele, o xerife se impõe o dever de proteger o novo brinquedo para fazer a menina feliz. Porém, durante uma viagem, valores consolidados começam a ser questionados.

Uma das grandes dificuldades da produção era encontrar uma história. Com o desfecho do capítulo anterior, pouco se tinha a acrescentar à franquia. Nesse sentido, o eficiente roteiro de Andrew Stanton e Stephany Folsom é feliz ao trabalhar em cima do que representa o último gesto de Andy, passar os brinquedos à frente e contemplar outras crianças.

A abordagem escolhida não só reforça toda a essência de devoção dos protagonistas como dialoga com a sensação de pertencimento deles. Reparem como a inversão de valores aqui é significativa: não são as crianças que têm brinquedos, mas os brinquedos que têm crianças. Essa ideia reforça a ligação dos bonecos a partir de suas funções existenciais, eles precisam servir aos humanos e compreendem isso perfeitamente.

Assim, quando vemos Woody superar sua autoestima ferida após ser deixado de lado, entendemos como é importante pra ele, acima de qualquer coisa, manter Bonnie feliz, mesmo sabendo que ela vai crescer e, eventualmente, perder o interesse pela brincadeira. Mas até lá, é sua obrigação servir à imaginação da garota.

Woody explica a Garfinho o quanto Bonnie o ama

Isso fortalece ainda mais a jornada interior do protagonista, que, pela primeira vez, questiona o próprio propósito. Vemos como o xerife está perdido e deslocado, a falta que sente de Andy faz dele uma figura incompleta. Perder a relevância rapidamente é muito doloroso para quem sempre foi leal e jamais abriu mão de um único parceiro.

O conflito ganha força quando sua amiga Betty reaparece completamente independente. É lindo ver duas filosofias tão fortes em cheque. De um lado, total devoção a uma única pessoa; do outro, a ciência de poder fazer a diferença para muitos outros. Nesse ponto, é genial que o filme dê à Betty algumas marcas físicas. Enquanto os curativos escondem traumas sofridos, também representam a abdicação da vontade própria e o impulso de buscar novas relações.

É reflexivo que parte da história se desenvolva dentro de um antiquário, criando um diálogo muito forte com Toy Story 2. No filme de 1999, Woody era restaurado para virar peça de colecinador. Se lá existia algum valor emocional, mesmo que a intensão fosse guardá-lo numa vitrine ou mostruário, aqui apenas resta o esquecimento, ideia que fere o ego dos que ainda sonham ser úteis.

Nesse contexto, a ambiguidade de Gabby Gabby se torna compreensível e tocante. Apesar de ser conceitualmente similar ao Minerador e a Lotso, antagonistas anteriores, seu arco dramático é capaz de dobrar o mais frio coração adulto na plateia. Em determinado diálogo, nos emociona perceber o quão importante é a sensação de pertencimento – como evidenciado na cena do parque já próxima ao fim.

Uma das novas atrações, Garfinho traz uma importante mensagem de incentivo à criatividade. Em sua inocente ignorância dos valores impostos pela sociedade, as crianças brincam e ressignificam coisas corriqueiras na vida de um adulto, como uma caixa de papelão ou um controle remoto.

Assim, se o novato é, para muitos, apenas um garfo descartável destinado ao lixo, Bonnie o enxerga com muito mais apreço, transformando-o no que for necessário à sua imaginação. Um cowboy será sempre cowboy, assim como um astronauta será sempre um astronauta. Mas o Garfinho será o que ela quiser que ele seja! É quase uma metalinguagem se considerarmos que a Pixar faz o mesmo com seus protagonistas. Brinquedos que, para os espectadores, assumem os papéis indicados por suas interpretações.

Bonnie e seu mais novo brinquedo

O filme ainda traz um visual arrebatador, onde é perceptível a textura da computação gráfica. Ao bater o olho rapidamente, é fácil distinguir a pele humana das superfícies de plástico, pelúcia e porcelana, por exemplo. O humor funciona bem demais, muito graças às novas personagens.

Os bonecos de ventríloquo são genais ao não trazerem firmeza em suas juntas e ao não terem voz própria. Além disso, funcionam demais quando a produção insiste em dar pitadas de terror. Também preciso destacar a dupla Patinho e Coelhinho, dois brinquedos completamente insanos; a hilária Isa Risadinha; e o intenso Duke Caboom – impressionante como a série consegue criar esses idiotas adoráveis!

Entrei na sessão com a certeza de que não havia necessidade de outra aventura, mas percebi que estava sendo tão egoísta quanto o fundo de uma caixa esquecida ou uma prateleira empoeirada de um antiquário. Enquanto um certo xerife tiver coisas positivas à dizer, sempre haverá gerações dispostas a ouvir. E eu estarei lá, mesmo que seja para ver estranhos se divertirem com meus amigos de longa data.

Toy Story 4 é forte o suficiente para abraçar nossa alma e sussurrar palavras de carinho aos nossos corações. É capaz de me fazer chorar já nos minutos iniciais e de me tirar da sala com uma felicidade revigorante; de piscar o olho para os Andys e Bonnies da minha geração enquanto se preocupa em criar novos vínculos afetivos; capaz de, pra nos manter sorrindo, percorrer pelo infinito e além!

 

Nota 10/10

Eu, claramente eufórico com minha criança interior!

20/06/2019 13:06

Um tal de Rubens

Fotos: Mastrangelo Reino/Folhapress

Um tal de Rubens

A primeira opinião sobre cinema que me importou na vida – e importará sempre – é a do meu pai. Ele nunca foi um crítico especializado e jamais teve pretensões para tal, mas sempre foi um consumidor apaixonado. Uma pessoa que não se impõe limites para o que deve assistir, capaz de começar o dia chorando de rir com as tolices de Adam Sandler e terminar completamente emocionado com a sensibilidade de Giuseppe Tornatore. Foi meu pai que me apresentou a magia que é o cinema, o prazer de ver uma história ser contada enquanto é representada bem na nossa frente.

Quando comecei a buscar mais sobre o cinema, meu pai também me abriu essa porta ao, por exemplo, fazer assinatura da revista brasileira SET e, de vez em quando, ao trazer textos que ele mesmo imprimia no trabalho para que eu pudesse ler em casa. Muitos deles assinados por um tal de Rubens...

O avanço da tecnologia permite hoje uma troca de informações com muito mais rapidez, encurtando a enorme distância territorial do país. Graças a essa tecnologia, eu, do conforto de minha casa, consigo ter acesso à adequação linguística do portal cearense Cinema com Rapadura, às críticas muito bem fundamentadas do belo-horizontino Pablo Villaça, os vídeos eficientes do brasiliense Tiago Belotti e a sensibilidade analítica de Sihan Felix, que reside aqui em Natal.

Mas nem sempre foi assim. Até pouco tempo mesmo, informações sobre cinema eram conseguidas através de leitura ou quando a TV abria espaço para o tema. Num país onde se lê pouco, conseguir inserir um olhar crítico sobre um assunto que, para muitos, não passa de um entretenimento escapista é um feito incrível.

E foi assim que eu compreendi o alcance do tal Rubens. Rubens Ewald Filho foi um pioneiro, um desbravador. Um homem com um conhecimento enciclopédico da sétima arte, que tocou muitas gerações e nutriu ainda mais a sede por conhecimento. Nos mostrou que compreender um filme é muito mais que conhecer o currículo de seus envolvidos, que existe diversos “porquês” em cada enquadramento, cor ou som escolhido numa cena.

Ele também foi muito importante ao mostrar que ser crítico não tem nada a ver com arrogância e nem com estar certo ou errado, mas ter capacidade de identificar a objetividade lógica por trás de obras que dialogam com nossa subjetividade, de ver a razão que constrói nossa emoção, de ler o audiovisual.

Rubens nos deixou ontem, aos 74 anos de idade. Ele é mais lembrado como o “cara do Oscar”, o comentarista da transmissão da TNT, mas é muito mais que isso... É o profissional que sempre respeitou os filmes que despertavam sentimentos honestos – mesmo tecnicamente problemáticos – e que, de certa maneira, deixou algo na sensibilidade de Sihan, na eficiência de Tiago, no fundamento de Pablo, na adequação do Cinema com Rapadura e na paixão do meu pai. Uma referência que carrego comigo e que alcança muitos críticos hoje, saibam eles ou não.

20/06/2019 01:22

Toy Story 4 estreia em Natal! Veja a programação.

Fotos: Divulgação / Montagem: João Victor Wanderley

Toy Story 4 estreia em Natal! Veja a programação.

Confira agora os destaques e os filmes que permanecem em cartaz nos cinemas de Natal no período de 20 a 26 de junho:

Toy Story 4 (2019): Decidido a lutar pela felicidade de Bonnie, Woody parte em nova aventura para recuperar o novo brinquedo favorito da garota. Na jornada, o xerife e sua trupe se reúnem a novos e velhos amigos. (Livre, 100 minutos).

Gloria Bell (2018): Gloria (Julianne Moore) é uma divorciada de espírito livre que passa os dias trabalhando num escritório tradicional e conservador. À noite, se solta dançando nas muitas discotecas de Los Angeles e conhece Arnold (John Turturro). Envolvida num inesperado novo amor, Gloria se vê diante de todas as alegrias e complicações do começo de um romance. (16 anos, 102 minutos).

Casal Improvável (Long Shot, 2019): Solitário, sem emprego, autodestrutivo e fracassado, o jornalista Fred Flarsky (Seth Rogen) se esforça para tentar mudar os rumos de sua vida. Ele passa a perseguir a antiga babá Charlotte Field (Charlize Theron), que hoje se tornou uma das mulheres mais poderosas do mundo. (16 anos, 125 minutos).

Continuam em cartaz:

MIB: Homens de Preto – Internacional (Men in Black: International, 2019): Sete anos após seu último lançamento, a franquia MIB: Homens de Preto retornam aos cinemas com seu mais novo exemplar, Internacional. Estrelado por Chris Hemsworth e Tessa Thompson (ambos de Vingadores – Ultimato, 2019), o filme acompanha os agentes H e M na maior e mais global ameaça à Organização MIB. (12 anos, 114 minutos).

X-Men - Fênix Negra (Dark Phoenix, 2019): Durante uma missão de resgate no espaço, Jean Grey (Sophie Turner) quase morre ao ser atingida por uma misteriosa força cósmica. Ao voltar para casa, essa força se torna mais poderosa e mais instável. Lutando com essa entidade dentro dela, Jean desencadeia seus poderes de maneiras que ela não pode compreender nem conter. (12 anos, 113 minutos).

Aladdin (2019): Adaptação em formato live-action do clássico de animação da Disney, conta a história de um jovem humilde que descobre uma lâmpada mágica, com um gênio que pode lhe conceder desejos. Agora, o rapaz quer conquistar a moça por quem se apaixonou, mas ela é uma princesa que está prestes a noivar. (10 anos, 128 minutos).

Patrulha Canina - Super Filhotes (Paw Patrol - Mighty Pups, 2019): Quando o seu mais recente esquema dá errado, o Prefeito Humdinger e seu sobrinho Harold acidentalmente desviam um meteoro, colocando-o em rota de colisão com a Baía da Aventura. A energia dourada do meteoro dá superpoderes à Patrulha Canina! (Livre, 90 minutos).

Rocketman (2019): Embalado pelas maiores canções de Elton John (Taron Egerton), o musical conta a história universal de como um garoto do interior se transformou em uma das figuras mais icônicas da cultura pop. (16 anos, 121 minutos).

Juntos Para Sempre (A Dog's Journey, 2019): Depois de muitas vidas e aprendizados, Bailey vive tranquilamente com Hanna. Um dia, Gloria, uma aspirante a cantora, aparece sem avisar na vida dos dois com uma notícia surpreendente: Hanna tem uma neta chamada Clarity. Com o tempo, o cãozinho percebe como a menina é negligenciada pela mãe e decide que seu objetivo nesta vida é cuidar dela e protegê-la incondicionalmente. (12 anos, 109 minutos).

Vingadores – Ultimato (Avengers - Endgame, 2019): Após os acontecimentos de Guerra Infinita (2018), os Vingadores precisam se reerguer numa única esperança de resistência. (12 anos, 181 minutos).

OBS: Os horários dos filmes podem ser conferidos nos sites dos cinemas

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