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Coringa: somos consequência do meio

Fotos: Divulgação / Warner Bros.

Coringa: somos consequência do meio

Por João Victor Wanderley

Difícil determinar o que nos torna quem somos. Somos o que herdamos de nossos familiares, o que aprendemos e o que não compreendemos; nossos desejos, conquistas e fracassos; a soma de diversas coisas – ou o que resta delas. Somos parte de um todo, mas também podemos estar à margem deste. O que dá pra dizer é que o meio em que vivemos interfere em nossa formação, seja em pequena ou grande escala. E nessa formação, corremos o risco de nos transformarmos naquilo que jamais deveríamos ser.

Dirigido por Todd Phillips, que escreve o roteiro ao lado de Scott Silver, Coringa (Joker, 2019) tenta reconstruir um dos vilões mais icônicos dos quadrinhos e dos cinemas. A trama acompanha Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um frustrado comediante marginalizado numa Gotham nada amistosa.

Antes de tudo, é preciso deixar um aviso: NÃO LEVEM CRIANÇAS AO CINEMA! Apesar de ser sobre uma figura presente no imaginário coletivo, a história contém temáticas sensíveis.

O filme abre com Arthur se preparando para mais um dia de trabalho. Ele ganha a vida como palhaço, fazendo publicidade para pequenas lojas. Ouve na rádio sobre a greve dos lixeiros e como a cidade está abandonada pelos políticos. Já em serviço, é abordado por um grupo de adolescentes que o agridem. Os primeiros minutos do longa servem para estabelecer a dura realidade de Gotham: suja e miserável, que encontra na violência uma forma de ser vista.

É nesse ambiente hostil que mergulhamos no protagonista, um homem quieto, introspectivo e que sofre por não se encaixar no “padrão”. Suas particularidades e jeito desengonçado o fazem alvo fácil de deboches e desrespeito. Logo fica claro que a intenção narrativa de Phillips e Silver é oferecer um estudo de personagem, proposta executada com calma e perícia, além de discursar corajosamente sobre opressão e suas consequências.

O roteiro constrói Arthur de dentro para fora, lhe entregando diversas camadas que, aos poucos, são moldadas pelas constantes e agressivas interferências do meio em que vive. Não é coincidência que a figura central da trama tente ser engraçada e ganhe a vida como palhaço. Suas escolhas perante a sociedade refletem o que ele tenta ser e não consegue. Chega a ser doloroso que alguém tão infeliz tente dar ao próximo aquilo que não tem.

(Arthur Fleck - Joaquin Phoenix - se preparando para o trabalho / Imagem: Warner)

Um evidente grito de atenção, um desejo de ser notado e aceito. Só que sua mente atormentada sofre nesse processo. Ele busca ser reinserido após passagem no Hospital Arkham, por problemas neurológicos: tem acompanhamento psicológico, expõe os pensamentos negativos, fala da depressão, toma regularmente os remédios prescritos e se dedica ao sonho de ser comediante.

Mas a sociedade não o trata com a mesma boa vontade. Em seu diário pessoal, escrito com a letra trêmula – mais um exemplo da personalidade imprecisa –, lê-se: “A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse”. Uma incrível síntese da dor sentida.

Aliás, graças a sua condição, uma de suas características marcantes ganha contornos doloridos. A famosa risada do palhaço do crime é resultado involuntário de seus momentos de excitação ou nervosismo, o que o obriga a andar com um cartão que explica o seu quadro. Sempre que sofre uma crise, fica difícil sentirmos algo que não seja incômodo e/ou pena, principalmente quando é imediatamente substituída por uma expressão de total desolação.

Mas Arthur, constantemente, demonstra enorme vontade de superação, além de buscar ser alguém melhor. Divide o apartamento com a mãe, Penny (Frances Conroy), uma mulher que depende do filho para tudo. Ele cuida dela com carinho e amor genuínos. Só que as tentativas de viver decentemente são soterradas pela realidade, fazendo-o abraçar a violência como mecanismo de defesa e como forma de projeção. Com ela, sente-se livre, e isso cria um conflito interessantíssimo no personagem.

Mesmo que o Coringa seja um dos maiores vilões da ficção, aqui ele está em processo de amadurecimento. Uma vítima do sistema, oprimida e desprezada, que ultrapassa o limite do suportável e se vê obrigada a reagir. E o roteiro tem o cuidado de jamais usar a saúde mental como motor, ele não se torna criminoso porquê é doente. A doença é uma janela para nós, tornando o declínio compreensível, e para ele, permitindo-o interpretar-se como porta-voz de outros cidadãos que se rebelam.

E quando digo “compreensível”, não considero os acontecimentos aceitáveis, que fique bem claro! Entender os motivos de alguém não significa concordar. É importante esclarecer, já que a obra tem dividido opiniões e gerado polêmica pela maneira como aborda seus temas.

(Coringa, de vítima a agente do caos / Imagem: Warner)

Muito se fala em apologia à violência, mas não vejo dessa forma. Coringa segue padrões estabelecidos pelo Nova Hollywood, movimento cinematográfico que abria mão do estilo clássico de contar história – com um herói superando obstáculos e tendo o tradicional final feliz –, em detrimento de mais realismo, mesmo que significasse maior pessimismo e bastante ambiguidade.

Existe muita semelhança entre o filme de Todd Phillips e Taxi Driver (1976), que pertence ao movimento. Ambos são liderados por homens desajustados que se apropriam da violência, se passam em cidades marginalizadas e que abrem espaço para a criminalidade. Obras que utilizam discursos como estes não estão, necessariamente, atestando sua validade, elas refletem uma realidade que muitos se recusam a observar.

Criticar Coringa por seu aparente niilismo me parece exagerado, basta olhar a nossa volta e compreendemos como a arte se alimenta do cotidiano. Vivemos em tempos que “bandido bom é bandido morto”, mulheres são agredidas, homossexuais assassinados, políticos corruptos seguem impunes, extremistas políticos atacam por validação de posicionamentos, e até presidente enaltece torturador... O problema não está na mensagem, mas na interpretação.

É comum que algumas produções nos façam ter empatia pelo moralmente questionável. O Poderoso Chefão (1972), O Silêncio dos Inocentes (1991), Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) e Breaking Bad (2008 - 2013) são exemplos disso. Além de sedutores personagens controversos, todas elas contam com atuações irretocáveis que auxiliam na empatia. Com Joaquin Phoenix não foi diferente.

O astro mergulha fundo na insanidade que lhe é proposta, dando credibilidade e carisma. A entrega foi tanta que ele perdeu 24 quilos. A aparência esquelética choca, tanto pela realidade miserável da personagem quanto pela maneira que é usada para incomodar, através de movimentos que acentuam seus ossos.

Suas nuances também não passam desapercebidas, rendendo alguns detalhes como a caligrafia trêmula; o olhar de baixo para cima, refletindo a posição que ocupa no mundo; as costas arqueadas por boa parte do longa; e sua correção postural ao, finalmente, se “encontrar” na criminalidade. Um trabalho digno de premiações.

(Existe proximiade entre as cores do cenário de Murray Franklin - esquerda - e o traje do Coringa - direita / Imagem: Warner)

É legal ver a proposta diferente da oferecida por Heath Ledger no já citado O Cavaleiro das Trevas, se distanciando da consciência dos movimentos calculados. O Coringa de 2008 é cirúrgico, frio, um estrategista que não tem apego a nada que não seja seus princípios; o atual é, literalmente, imprevisível, não tem o que perder. Vira o símbolo errado de uma causa justa.

O resto do elenco serve bem à trama. Diferente do que acontece com Ad Astra – Rumo às Estrelas (2019), não é um mero recurso narrativo para mover a história. Está dentro de contextos importantes e não são ferramentas que aparecem apenas para preencher lacunas.

Dialogando visualmente com a riqueza do material escrito, a direção de Phillips é precisa. O cineasta entrega o trabalho de sua carreira, cujo maior destaque era Se Beber, Não Case! (2009). Aqui, conduz tudo com paciência, dá tempo o suficiente para desenvolver satisfatoriamente a trama e jamais se torna cansativo.

Em parceria com as direções de fotografia e de arte, apostam em tons pasteis que criam uma identidade visual sem brilho. Isso é notado tanto nos figurinos quanto no próprio tratamento da imagem. Gotham é fotografada escura e apática. A cor só ganha vida quando o personagem principal se reinventa, como pode ser percebido no terno escolhido para ir ao programa de Murray Franklin (Robert De Niro) – vale notar que o terno em questão está em sintonia com o cenário do programa, mostrando que Arthur, agora, faz parte do meio.

A montagem é outro artifício adequado, que não deixa o ritmo cair e ainda exerce influência na história. Há uma ótima cena onde vemos o protagonista ensaiando para uma entrevista. Na TV, uma gravação do programa tocando. No sofá, ele vai passando as falas. O som da plateia parece reagir ao ensaio, demonstrando frustração nos erros e entusiasmo nos acertos. Uma bela maneira de nos colocar na mente do protagonista. O recurso ainda é utilizado em outro momento, quando algo mais forte é executado e sons de aplausos são perceptíveis.

A câmera também se mostra simbólica ao estabelecer valores narrativos em determinados mentos. Há um eficiente paralelo entre as sequências inicial e final, ambas situadas em becos. A opção pelo Plano Holandês – enquadramento inclinado para um dos lados – antecipa o perigo dos dois momentos e os une pela importância do que os sucede, pelo impacto no futuro dos envolvidos.

(O protagonista dividido entre Superego e Id / Imagem: Warner)

Outra rima visual que se destaca é a entre as janelas de um ônibus e de uma viatura. O mesmo posicionamento da câmera une duas realidades destoantes do mesmo personagem: a solidão melancólica e a satisfação da realização.

Mas a escolha que me deixa mais encantado é a maneira como a escadaria no caminho para casa de Arthur me parece associada à sua jornada pessoal. Sigmund Freud estabelece a mente humana compartimentada em Id, Ego e Superego: o primeiro representa nossos desejos e impulsos primitivos; o segundo, localizado entre os outros dois, está ligado à maneira como nos apresentamos e como interagimos; e o terceiro é atrelado às regras éticas e morais que aprendemos ao longo da vida.

Assim, vejo a escadaria como o esforço diário do protagonista em lidar com seus conflitos. Sempre ao fim do dia, cansado do trabalho e das injustiças, sobe, quase sem forças, os degraus que o levam ao lar, à mãe que precisa de seus cuidados. Esse ritual é mostrado ao menos duas vezes, à noite, sob pouca luz, como quem reflete o desgastante empenho de percorrer o caminho da retidão moral. Essa subida seria o Superego.

Em contrapartida, quando se assume o palhaço do crime e muda de postura, decide se entregar à sua natureza agressiva. Nesse momento, o vemos descer as escadas. E ele está leve, dançando, feliz – e está de dia, bem iluminado. Sua subida castigada é substituída pela descida fluida, enérgica e ritmada por, enfim, alimentar os próprios desejos, por se deixar conduzir pelo Id.

Coringa não é sobre um vilão – abraçar tal ideia seria sucumbir a um maniqueísmo tolo e antiquado –, tampouco é sobre a vitória a qualquer custo. Ele é sobre alguém, sobre tentar ser alguém. Sobre ser derrotado o suficiente e se reerguer, uma última vez, para revidar e estar disposto a qualquer coisa. É sobre se perder no fato de não ter mais nada a perder. Uma obra brilhantemente melancólica e terrivelmente catártica.

Nota 10/10


Coringa está sendo exibido em Natal pela Rede Cinépolis, com sessões tanto no Cinépolis Natal Shopping quanto no Cinépolis Partage Norte Shopping Natal. Confira os horários das sessões e compre seu ingresso.

Coringa é a grande estreia dessa semana; veja a programação

Fotos: Divulgação

Coringa é a grande estreia dessa semana; veja a programação

Confira as estreias e os filmes que permanecem em cartaz nos cinemas de Natal entre 3 e 9 de outubro:


Estreias

Coringa (Joker, 2019): Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne é seu maior representante.

(16 anos, 121 minutos)

Ambiente Familiar (2019): Alex, Fagner e Diógenes moram juntos, mas a relação entre eles vai muito além de uma mera divisão de despesas da casa. Os três jovens amigos forjam uma nova ordem familiar no esforço para superar os impactos vividos nas pobrezas afetivas e sociais de suas infâncias. Perda, abandono e rejeição são matérias-primas que agora precisam de ressignificação na busca por uma vida mais feliz.

(12 anos, 93 minutos)

Angry Birds 2 - O Filme (The Angry Birds Movie 2, 2019): Quando surge uma nova ameaça, que coloca a Ilha dos Pássaros e a Ilha dos Porcos em perigo, Red, Chuck, Bomb e a Super Águia recrutam a irmã de Chuck, Silver, declaram tréguas e formam uma aliança com os seus inimigos porcos. Leonard, a sua assistente Courtney e o informático Garry também se juntam, formando uma improvável super equipe com o objetivo de salvar as suas ilhas.

(Livre, 97 minutos)

Ela Disse, Ele Disse (2019): Rosa é uma menina estudiosa; Léo manda bem no futebol. Ela é pontual; ele está sempre atrasado. Ela detesta Júlia, a menina mais popular do colégio; ele até que gosta dela. Os dois são alunos novos na escola e, além de aprender a lidar com os novos amigos e os problemas na família, descobrem que têm muito mais em comum do que imaginavam. Baseado na obra de sucesso de Thalita Rebouças, eles vão descobrir que crescer pode parecer complicado, mas no fundo, é a maior aventura.

(12 Anos, 78 minutos).


Continuam em cartaz

Ad Astra - Rumo às Estrelas (Ad Astra, 2019): Após 20 anos da partida do seu pai para uma missão sem volta em Netuno, McBride viaja pelo sistema solar para encontrá-lo e tentar descobrir por que sua missão falhou.

(14 anos, 123 minutos)

Hebe - A Estrela do Brasil (2019): Ao completar 40 anos de profissão e perto de chegar aos 60 anos de vida, Hebe está madura e já não quer ser apenas um produto que vende bem na tela da TV. Não suporta mais ser submissa ao marido, ao salário, ao governo e aos costumes vigentes. Durante o período de abertura política do país, na transição da ditadura militar para a democracia, Hebe aceita correr o risco de perder tudo que conquistou para ter o direito de ser ela mesma na frente das câmeras, dona de sua voz e única autora de sua própria história.

(14 anos, 112 minutos)

Dor e Glória (Dolor y Gloria, 2019): Salvador Mallo, diretor de cinema em declínio, relembra sua vida e carreira, desde sua infância na cidade de Valência, nos anos 60. Salvador tem lembranças vívidas de seus primeiros amores, seu primeiro desejo, sua primeira paixão adulta na Madrid dos anos 80 e seu interesse precoce no cinema.

(16 anos, 113 minutos)

Abominável (Abominable, 2019): Quando a adolescente Yi encontra um jovem Yeti no telhado de seu prédio em Xangai, ela e seus amigos travessos Jin e Peng o nomeiam “Everest”. O grupo embarca numa jornada épica para levar a criatura mágica de volta para sua família no ponto mais alto da Terra. Mas, para ajudar “Everest” a voltar para casa, precisarão estar sempre um passo à frente de Burnish – um homem rico com a intenção de capturar um Yeti –, e da zoóloga Dr. Zara.

(Livre, 97 minutos).

Predadores Assassinos (Crawl, 2019): Quando um enorme furacão atinge sua cidade natal na Flórida, Haley vai em busca de seu pai desaparecido. Ao encontrá-lo gravemente ferido, os dois ficam presos na inundação. Enquanto o tempo passa, Haley e seu pai descobrem que o aumento do nível da água é o menor dos seus problemas.

(16 Anos, 87 minutos).

Rambo - Até o Fim (Rambo - Last Blood, 2019): O tempo passou para Rambo (Sylvester Stallone), que agora vive recluso em um rancho na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Sua vida marcada por lutas violentas ficou para trás, mas deixou marcas irreparáveis. No entanto, quando uma jovem amiga da família é sequestrada, Rambo precisará confrontar seu passado e reviver suas habilidades de combate para enfrentar um dos mais perigosos cartéis mexicanos. A busca logo se transforma em uma violenta caçada por justiça.

(18 anos, 101 minutos)

Divaldo - O Mensageiro da Paz (2019): O filme conta a história do líder humanitário brasileiro Divaldo Franco, desde sua infância no interior da Bahia até se consagrar como filantropo, se tornar fundador da Mansão do Caminho e orador em prol da divulgação da doutrina espírita no Brasil e no mundo.

(12 anos, 118 minutos).

Vai Que Cola 2 - O Começo (2019): Antes de Dona Jô ter uma pensão. Antes de Jéssica conhecer Máicol. Assim que Ferdinando desembarcou no Rio e quando Terezinha ainda vivia com Tiziu... O novo longa da franquia que nasceu como série no Multishow e ganhou as telas dos cinemas reúne toda a turma do Méier para contar como tudo começou. Uma feijoada no Morro do Cerol põe juntos pela primeira vez os personagens que conquistaram o público na TV e no cinema.

(12 anos, 87 minutos)

IT - Capítulo 2 (IT - Chapter Two, 2019): Vinte e sete anos após os eventos que chocaram o Clube dos Perdedores, os amigos realizam uma reunião. No entanto, o reencontro se torna uma verdadeira e sangrenta batalha quando Pennywise, o palhaço, retorna.

(16 Anos, 169 minutos)

Bacurau (2019): Num futuro recente, um povoado do sertão de Pernambuco chamado Bacurau some misteriosamente do mapa. Quando uma série de assassinatos inexplicáveis começam a acontecer, os moradores da cidade tentam reagir. Mas como se defender de um inimigo desconhecido e implacável?

(16 Anos, 131 minutos)

O Rei Leão (The Lion King, 2019): Adaptação do clássico Disney de 1994, O Rei Leão retrata a jornada de Simba, filho do rei Mufasa e herdeiro da Pedra do Reino. Mas nem todos estão dispostos a aceitar tal sucessão, como Scar, irmão de Mufasa e ex-futuro rei.

(10 anos, 118 minutos).


Shows, Pré-estreias e Pré-vendas Cinépolis

Pré-venda: Metallica & San Francisco Symphony - S&M² (2019): A Trafalgar Releasing apresenta S&M2, a imperdível celebração do 20º aniversário dos inovadores shows e discos S&M2 do Metallica gravados com a Orquestra Sinfônica de São Francisco.

Veja-os mais uma vez se apresentando com a Sinfônica com o lendário maestro Michael Tilson Thomas conduzindo parte do show, dando início à sua última temporada em San Francisco. Gravado ao vivo nos dias 6 e 8 de setembro, os shows também comemoram a inauguração do moderno Chase Centre, uma adição histórica à orla da cidade.

Incluindo os clássicos do Metallica desde o lançamento do S&M em 1999, bem como versões sinfônicas de novas músicas, este lançamento nos cinemas dá a milhões de fãs em todo o mundo a chance única de experienciar este o show na tela do cinema.

O show terá transmissão ao vivo no dia 9 de outubro, às 20h00, no Cinépolis Natal Shopping.

(150 Minutos)

Pré-venda: Aparecida - Um Musical (2019): Há mais de 300 anos, a imagem de Nossa Senhora Aparecida é o maior símbolo da fé dos brasileiros. Sua história toca até os espíritos menos sensíveis de maneira poderosa e transformadora. E é isso o que o espetáculo Aparecida - Um Musical, de Walcyr Carrasco, oferece ao público a imersão em uma fé capaz de operar transformações humanas.

O espetáculo tem como fio condutor a história de Caio e Clara, um jovem casal sem crença ou religião que reside na cidade de São Paulo do tempo presente. Eles embarcam em uma jornada de descobrimento espiritual na esperança de cura de um câncer no cérebro de Caio.

A exibição será no dia 12 de outubro, às 19h30, no Cinépolis Natal Shopping.

(Livre, 135 minutos).

Pré-venda: Malévola - Dona do Mal (Maleficent - Mistress of Evil, 2019): Na sequência do sucesso de bilheteria global de 2014, Malévola e sua afilhada Aurora começam a questionar os complexos laços familiares que as prendem à medida que são puxadas em direções diferentes por casamentos, aliados inesperados e novas forças sombrias.

O filme estreia no dia 17/10, mas os ingressos já estão à venda no Cinépolis Natal Shopping e no Cinépolis Partage Natal Norte.

(10 anos, 118 minutos)

Os horários podem ser verificados nos sites dos cinemas

Hebe - A Estrela do Brasil: gracinha

Fotos: Divulgação

Hebe - A Estrela do Brasil: gracinha

João Victor Wanderley

Sua carreira como cantora de rádio foi o ponto de partida para seu ingresso na TV, onde se tornou uma das entrevistadoras mais icônicas do país. Em posição de destaque, não se privou de declarações fortes sobre o que julgasse socialmente relevante. Estrela em diversos sentidos, Hebe Camargo ganha justa homenagem nos cinemas.

Escrito por Carolina Kotscho, e com direção de Maurício Farias, Hebe - A Estrela do Brasil (2019) retrata a personagem-título na década de 1980, precisamente na transição entre ditadura militar e democracia. O primeiro ponto a ser notado aqui é a acertada escolha de não reconstruir a vida da apresentadora.

Fugindo da narrativa tradicional do gênero cinematográfico, que recontaria a vida e os feitos da protagonista, o filme encontra um discurso que permite maior diálogo com o público atual. Há muito mais interesse em criar uma personalidade do que em listar a cronologia dos fatos. Dessa maneira, o cotidiano é usado para humanização através dos erros e acertos.

Com liberdade para adicionar mais ficção à realidade, sempre respeitando a essência da biografada, o roteiro imagina algumas situações e distorcer outras para achar o tom adequado. Nesse ponto, a escolha por Andréa Beltrão é feliz.

A atriz não tem semelhanças físicas com a entrevistadora, tampouco tenta ser uma imitação cirúrgica. Mas é habilidosa o suficiente ao se apropriar de trejeitos para gerar identificação – o sorriso franco e a pronúncia em certos momentos –, além de competente ao construir uma figura com camadas.

(A falta de semelhança com Hebe, à direita, é superada por Beltrão, à esquerda, no talento / Imagem: Divulgação)

Na TV, se mostra uma profissional séria, que honra seus compromissos com grande responsabilidade, mas que não se submete ao controle da emissora e, principalmente, do governo. Embora a democracia estivesse dando seus primeiros passos, resquícios da ditadura tentam minar o conteúdo televisivo sob uma censura camuflada.

E mesmo passando por diversa situações complicadas, a apresentadora fazia questão de defender o que acreditava, fosse o direito à liberdade ou o respeito às questões de gênero. A cena em que entrevista a modelo trans Roberta Close (Renata Bastos) é bem representativa.

Já no âmbito familiar, sucumbe perante o marido Lélio Ravagnani (Marco Ricca), um homem agressivo em suas crises de ciúmes. É triste perceber que até mulheres tão firmes se tornam vítimas do machismo. Chama atenção a reação dela à primeira tentativa clara de agressão, sugerindo que episódios assim não eram isolados.

Ao pautar violência contra a mulher, censura e sexualidade, Carolina Kotscho faz um paralelo pertinente com nossa sociedade atual. Nos mostra como a luta para estabelecer uma convivência harmoniosa é antiga e que ainda lutamos contra os mesmos problemas de décadas atrás; aponta o quanto podemos retroceder com essa onda de conservadorismo que se fortalece cada vez mais.

Outro paralelo traçado por Kotscho é referente a ruptura política que vivemos. É irônico que a entrevistadora fosse tão progressista em algumas ideologias e conservadora noutras. Enquanto falava de sexualidade para todo o país, declarava abertamente apoio a Paulo Maluf. Não se trata de uma ironia gratuita, a contradição serve para enriquecê-la com certa ambiguidade, serve também de aceno à batalha de ideologias extremadas.

É possível que ideias opostas encontrem um meio termo, um lugar comum onde possam se complementar. Isso fica mais evidente na cena, mostrada no trailer, em que a protagonista afirma: “A Hebe não é de direita. A Hebe não é de esquerda. A Hebe é direta.”.

(Hebe - Beltrão - entrevista Dercy Gonçalves - Stella Miranda - e Roberta Close - Renata Bastos / Imagen: Divulgação)

Entretanto, mesmo com qualidades, a obra não sai impune a tropeços relevantes. Ainda no campo do roteiro, existe uma repetitividade incômoda na maneira como as problemáticas são inseridas. Elas parecem seguir um ciclo: um dia de trabalho, uma crise de ciúmes, o arco dramático do filho; outro dia de trabalho, outra crise de ciúmes...

Isso confere um aspecto episódico. Em alguns momentos não parece um filme, mas um especial de fim de ano da Globo. Ou melhor: uma compilação de episódios, saí da sessão com essa sensação de ter visto um resumo. Não fiquei nem um pouco surpreso ao descobrir que uma minissérie em 10 capítulos será exibida em 2020. O próprio diretor Maurício Farias confessou que o roteiro dela gerou o do filme, e que cenas deste estarão no outro produto.

Embora a censura esteja presente na trama, suas atuações se resumem às rápidas aparições do agente fiscalizador e às citações da imprensa. Não há desenvolvimento mais denso, uma consequência que nos deixe apreensivos, falta peso ao conflito. Algo parecido acontece nas tentativas de criar dubiedade na protagonista. Existe o esforço, mas falta explorar mais. Suas virtudes são bem exploradas. Suas ambiguidades, pinceladas.

O filho da apresentadora, Marcello (Caio Horowicz), ganha espaço demais com um arco que pouco interfere na história. Quase tudo em torno dele é desinteressante – principalmente a relação com o pai, Décio (Gabriel Braga Nunes), que apenas aparece em tela.

Alguns diálogos são muito forçados e até constrangedores. A cena em que Hebe descobre que um amigo está com Aids é muito ruim. Além disso, há uma obsessão pela repetição dos nomes das personagens que irrita. As vezes parecem fruto de improvisação, outras, uma técnica barata para fixar nomes.

(A fotografia faz o possível para explorar os poucos cenários / Imagem: Divulgação)

Por fim, a atuação de Marco Ricca é bem exagerada. Tem ótima cena ao lado de Horowicz, mas diversos outros momentos que parecem acima do tom. Quem conhece o ator sabe de seu talento.

A direção de Farias é apenas operacional. Não tem o primor de Bingo - O Rei das Manhãs (2017) ou a inventividade de Minha Fama de Mau (2019), mas funciona ao se tornar simples e permitir que Beltrão, com quem é casado, conduza a produção. Tem um ritmo agradável e aposta em doses de humor que dão leveza.

O visual do filme conta com figurinos belíssimos e boa cenografia, mas sofre pela limitação de cenários/locações. O desenvolvimento da história se concentra em locais fechados, principalmente nos estúdios e na casa de Hebe, o que dificulta bastante a fotografia de Inti Briones, que não tem como explorar a São Paulo de 1980 em planos abertos – talvez até pela impossibilidade de recriação de época.

Por outro lado, sua câmera dinâmica e sempre próxima da personagem central nos coloca dentro dos acontecimentos e cria uma coerente sensação de proximidade, já que assumimos a postura de observador onipresente da famosa.

Hebe - A Estrela do Brasil é uma biografia que acerta ao fugir da estrutura narrativa óbvia do gênero, conta com uma protagonista eficiente e encontra paralelos entre passado e presente. Porém, apresenta algumas limitações que afetam o produto final. No fim das contas, o saldo é positivo nessa “gracinha” de homenagem.

Nota 7/10


Hebe - A Estrela do Brasil está sendo exibido em Natal pela Rede Cinépolis, com sessões tanto no Cinépolis Natal Shopping quanto no Cinépolis Partage Norte Shopping Natal. Confira os horários das sessões.

Ad Astra - Rumo às Estrelas: o espaço e o vazio interno

Fotos: Divulgação / Fox

Ad Astra - Rumo às Estrelas: o espaço e o vazio interno

Por João Victor Wanderley

O cinema costuma recorrer à imensidão do espaço para construir analogias que reflitam a inquietude humana. O vazio físico de lá dialoga bem com os vácuos proporcionados por questionamentos que nos incomodam, sejam eles existenciais, globais ou pessoais – obras como 2001 - Uma Odisseia no Espaço (1968), Gravidade (2013) e Interestelar (2014) são exemplos disso. O cineasta James Gray se apropria dessas ideias para seu novo filme, Ad Astra - Rumo às Estrelas (Ad Astra, 2019).

Após uma série de explosões inexplicáveis, o astronauta Roy McBride (Brad Pitt) é recrutado para descobrir se os eventos têm ligação com o Projeto Lima, missão de busca por vida extraterrestre que culminou no desaparecimento de seu pai, Clifford (Tommy Lee Jones), anos atrás. Sem ver o pai desde a adolescência, a possibilidade de encontrá-lo vivo é suficiente para embarcar numa jornada que pode mudar tudo o que sabe sobre si mesmo.

Escrito por Gray em parceria com Ethan Gross, o roteiro se propõe a ser um detalhado estudo de personagem, e Clifford é determinante aqui. Se os pais são essenciais para nossa formação, a ausência deles nos marca profundamente: ou oferecemos toda a atenção que gostaríamos de ter recebido ou acabamos alimentando nossas carências. Roy se posiciona nesta segunda alternativa.

O fato dele ter seguido os passos profissionais do pai aponta o desejo de proximidade, de identificação. Sua capacidade de concentração naquilo que é relevante também precisa ser notada. Em momentos de tensão, não sofre qualquer alteração comportamental, se mantendo frio e racional.

Embora útil, tal característica reforça seu distanciamento emocional e a apatia para compartilhar a vida. Basta perceber a maneira como ele e Eve (Liv Tyler) se relacionam e, principalmente, a sua indisposição para filhos – a resposta dada numa entrevista resume bem seu medo.

Porém, entre as pretensões narrativas propostas e o que é entregue, há um abismo que interferiu diretamente na minha experiência. O interessantíssimo ponto de partida não encontra substância suficiente que sustente o conflito por todos os 123 minutos. Saí do cinema com a sensação de que o filme quer ser muito maior do que pode.

(Roy McBride atravessa o espaço em busca do pai desaparecido / Imagem: Fox)

A obra tenta se sustentar numa única pauta, mas não oferece desdobramentos dela, não há ramificações temáticas. Os dramas vividos pelo protagonista não são compartilhados pelos demais personagens, que, aliás, entram e saem de tela rapidamente. Eve, Thomas Pruitt (Donald Sutherland), a tripulação da Cepheus e Helen Lantos (Ruth Negga) são recursos unidimensionais, meras ferramentas narrativas para levar Roy de um ponto a outro.

Além disso, a maneira escolhida para mostrar o psicológico abalado do protagonista não é dos mais felizes. Sem muitas possibilidades de criar situações que informem através da ação, o roteiro recorre às exposições exageradas em diálogos. Seja nas constantes avaliações psicológicas ou nas diversas inserções da narração em off, as falas são explícitas demais.

A todo momento Roy está dizendo se está bem, cansado, com raiva ou tranquilo. Isso empobrece uma obra que busca analogias como recurso. A narração, além de ser repetitiva, ainda interfere na ambientação de solidão proposta. Quando o silêncio deveria dar o tom, o conceito de isolamento é quebrado pela voz. Aliás, o filme mal explora o isolamento, poucas cenas conseguem isso e elas não são longas o suficiente para impactar.

Por fim, o roteiro desperdiça o tremendo potencial dessa nova ordem mundial imaginada aqui. Voos comerciais para fora da Terra já são realidade – e dominados por várias empresas; diversas nações têm tecnologia para explorar o espaço; a Lua está habitada e apresenta um comercio local organizado – com marcas conhecidas; humanos nascem em outros planetas; e piratas espaciais lutam contra a escassez de equipamentos.

Muitas possibilidades que surgem apenas como pano de fundo são tratadas com superficialidade. Não que isso, por si, seja um problema, mas incomoda ver tanta coisa interessante relegada quando a trama principal é limitada.

Se o trabalho de Gray no roteiro é questionável, sua direção é bem mais positiva. Os efeitos especiais criam a atmosfera melancólica e assustadora; o som é precioso e rico. Nas cenas dentro de naves, ouve-se uma grande diversidade de eletrônicos com clareza; já nas externas, o diretor nos coloca dentro dos trajes para que possamos ouvir pancadas e tiros. Nesses casos, o som é meio “opaco”, comprometido por não se propagar no vácuo e por apenas ouvirmos graças a reverberação nos trajes.

(Hoyte Van Hoytema entrega mais um belo trabalho de fotografia / Imagens: Fox)

A fotografia de Hoyte Van Hoytema traz grande beleza estética, principalmente ao adotar cores que remetam diretamente aos locais visto em tela. Quando na Terra, uma luz mais natural; na Lua, a sobriedade do cinza nos prédios está em harmonia com o terreno; em Marte, o vermelho predomina e dialoga com o momento de maior alerta; e o azul de Netuno causa um lindo impacto visual.

Hoytema ainda cria momentos que, embora repitam a mensagem reforçada constantemente, cumprem sua função estética/informativa com primor. Destacam-se o corredor avermelhado engolido pela penumbra e o mergulho num “tanque” completamente escuro, ambos remetendo claramente à imersão pessoal de Roy em seu próprio interior traumatizado.

Quem deixa a desejar é o ritmo, castigado pela excessiva repetição temática. Esse ponto pesou bastante pra mim, fazia tempo que não me sentia tão entediado no cinema. O filme confunde falta de pressa com lentidão. Não que ele se permita o tempo necessário para se desenvolver, há pouco acontecendo em suas duas horas.

Brad Pitt conduz a trama com grande competência. Sua atuação comedida e minimalista se apoia na boa linguagem corporal. Seu olhar diz muito sobre como está se sentindo e a quietude reflete a introspecção. À medida que a história se torna mais relevante para o protagonista, o ator se mostra mais inquieto, “menos focado”.

Com visual arrebatador, Ad Astra - Rumo às Estrelas é tecnicamente primoroso. Diversos enquadramentos até poderiam ser emoldurados tamanha beleza. Porém, o aprofundamento limitado, a repetição temática e o ritmo castigado me frustraram. É filme demais para pouco enredo, teria se beneficiado caso não fosse um longa-metragem.

Nota 6,5/10

Brad Pitt, Hebe e pré-venda de Coringa agitam os cinemas; veja a programação

Fotos: Divulgação

Brad Pitt, Hebe e pré-venda de Coringa agitam os cinemas; veja a programação

Confira as estreias e os filmes que permanecem em cartaz nos cinemas de Natal no período de 26 de setembro a 2 de outubro:


Estreias

Ad Astra - Rumo às Estrelas (Ad Astra, 2019): Após 20 anos da partida do seu pai para uma missão sem volta em Netuno, McBride viaja pelo sistema solar para encontrá-lo e tentar descobrir por que sua missão falhou.

(14 anos, 123 minutos)

Hebe - A Estrela do Brasil (2019): Ao completar 40 anos de profissão e perto de chegar aos 60 anos de vida, Hebe está madura e já não quer ser apenas um produto que vende bem na tela da TV. Não suporta mais ser submissa ao marido, ao salário, ao governo e aos costumes vigentes. Durante o período de abertura política do país, na transição da ditadura militar para a democracia, Hebe aceita correr o risco de perder tudo que conquistou para ter o direito de ser ela mesma na frente das câmeras, dona de sua voz e única autora de sua própria história.

(14 anos, 112 minutos)

Dor e Glória (Dolor y Gloria, 2019): Salvador Mallo, diretor de cinema em declínio, relembra sua vida e carreira, desde sua infância na cidade de Valência, nos anos 60. Salvador tem lembranças vívidas de seus primeiros amores, seu primeiro desejo, sua primeira paixão adulta na Madrid dos anos 80 e seu interesse precoce no cinema.

(16 anos, 113 minutos)

Abominável (Abominable, 2019): Quando a adolescente Yi encontra um jovem Yeti no telhado de seu prédio em Xangai, ela e seus amigos travessos Jin e Peng o nomeiam “Everest”. O grupo embarca numa jornada épica para levar a criatura mágica de volta para sua família no ponto mais alto da Terra. Mas, para ajudar “Everest” a voltar para casa, precisarão estar sempre um passo à frente de Burnish – um homem rico com a intenção de capturar um Yeti –, e da zoóloga Dr. Zara.

(Livre, 97 minutos).

O Menino que Fazia Rir (Der Junge Muss an Die Frische Luft, 2018): A emocionante história da infância de Hape Kerkeling, o comediante mais amado da Alemanha. Em 1972, ele era um menino gorducho que crescia na segurança de sua família e de parentes que adoravam se divertir. À primeira vista, ele pode não parecer o cara mais popular, mas tem um talento peculiar para observar as pessoas à sua volta e fazer imitações hilariantes. No entanto, acontecimentos inesperados causam uma grande reviravolta em sua infância perfeita.

(12 anos, 100 minutos)

Predadores Assassinos (Crawl, 2019): Quando um enorme furacão atinge sua cidade natal na Flórida, Haley vai em busca de seu pai desaparecido. Ao encontrá-lo gravemente ferido, os dois ficam presos na inundação. Enquanto o tempo passa, Haley e seu pai descobrem que o aumento do nível da água é o menor dos seus problemas.

(16 Anos, 87 minutos).


Continuam em cartaz

Rambo - Até o Fim (Rambo - Last Blood, 2019): O tempo passou para Rambo (Sylvester Stallone), que agora vive recluso em um rancho na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Sua vida marcada por lutas violentas ficou para trás, mas deixou marcas irreparáveis. No entanto, quando uma jovem amiga da família é sequestrada, Rambo precisará confrontar seu passado e reviver suas habilidades de combate para enfrentar um dos mais perigosos cartéis mexicanos. A busca logo se transforma em uma violenta caçada por justiça.

(18 anos, 101 minutos)

Depois do Casamento (After the Wedding, 2019): A gerente de um orfanato em Calcutá, na Índia, luta para manter o estabelecimento funcionando. Desesperada por dinheiro, ela acredita ter encontrado a benfeitora perfeita, dona de empresa multimilionária. Porém, para receber o dinheiro, ela precisa viajar até Nova York e conhecer a mulher por trás da riqueza, em meio a uma pomposa celebração matrimonial. Chegando ao local, a gerente não consegue disfarçar os segredos que a unem ao marido da empresária.

(12 anos, 112 minutos)

Midsommar - O Mal Não Espera a Noite (Midsommar, 2019): Dani e Christian formam um jovem casal americano com um relacionamento prestes a desmoronar. Depois que uma tragédia familiar os mantém juntos, Dani, que está de luto, convida-se para se juntar a Christian e seus amigos em uma viagem para um festival de verão único em uma remota vila sueca. O que começa como férias despreocupadas de verão em uma terra de luz eterna, toma um rumo sinistro quando os moradores do vilarejo convidam o grupo a participar de festividades que tornam o paraíso pastoral cada vez mais preocupante e visceralmente perturbador.

(18 anos, 147 minutos)

O Maior Presente - Um Filmes Sobre o Perdão (El Mayor Regalo, 2018): O filme mostra a história de um diretor de cinema que quer dar um final feliz ao seu último filme. Para isso, ele vai em busca de histórias reais de pessoas que, apesar de terem sofrido experiências muito dolorosas, conseguiram dar um final diferente às suas histórias; que, no lugar de acabarem com vingança, optaram pelo maior presente de todos: o perdão.

(12 anos, 110 minutos).

Divaldo - O Mensageiro da Paz (2019): O filme conta a história do líder humanitário brasileiro Divaldo Franco, desde sua infância no interior da Bahia até se consagrar como filantropo, se tornar fundador da Mansão do Caminho e orador em prol da divulgação da doutrina espírita no Brasil e no mundo.

(12 anos, 118 minutos).

Vai Que Cola 2 - O Começo (2019): Antes de Dona Jô ter uma pensão. Antes de Jéssica conhecer Máicol. Assim que Ferdinando desembarcou no Rio e quando Terezinha ainda vivia com Tiziu... O novo longa da franquia que nasceu como série no Multishow e ganhou as telas dos cinemas reúne toda a turma do Méier para contar como tudo começou. Uma feijoada no Morro do Cerol põe juntos pela primeira vez os personagens que conquistaram o público na TV e no cinema.

(12 anos, 87 minutos)

IT - Capítulo 2 (IT - Chapter Two, 2019): Vinte e sete anos após os eventos que chocaram o Clube dos Perdedores, os amigos realizam uma reunião. No entanto, o reencontro se torna uma verdadeira e sangrenta batalha quando Pennywise, o palhaço, retorna.

(16 Anos, 169 minutos)

Bacurau (2019): Num futuro recente, um povoado do sertão de Pernambuco chamado Bacurau some misteriosamente do mapa. Quando uma série de assassinatos inexplicáveis começam a acontecer, os moradores da cidade tentam reagir. Mas como se defender de um inimigo desconhecido e implacável?

(16 Anos, 131 minutos)

O Rei Leão (The Lion King, 2019): Adaptação do clássico Disney de 1994, O Rei Leão retrata a jornada de Simba, filho do rei Mufasa e herdeiro da Pedra do Reino. Mas nem todos estão dispostos a aceitar tal sucessão, como Scar, irmão de Mufasa e ex-futuro rei.

(10 anos, 118 minutos).


Shows, Pré-estreias e Pré-vendas Cinépolis

Pré-vendas e Pré-estreia: Coringa (Joker, 2019): Coringa é uma história original do famoso vilão dos quadrinhos e dos cinemas. A versão de Todd Phillips sobre Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um homem desprezado pela sociedade, não é só traz realismo ao personagem, mas também uma lição de vida.

No dia 2 de outubro, a Rede Cinépolis oferece sete sessões de pré-estreia em Natal.

No Cinépolis Natal Shopping: 20h00 / 20h30 / 21h00* / 22h40

No Cinépolis Partage Natal Norte: 20h00* / 20h30* / 21h00*

(18 anos, 122 minutos)

Show: Roger Waters - Us + Them (2019): Roger Waters, cofundador, força criativa e compositor da banda Pink Floyd, apresenta o tão aguardado filme Us + Them, com produção visual de última geração e som de tirar o fôlego nesse evento cinematográfico imperdível.

O show será exibido às 21h30 do dia 02 de outubro, no Cinépolis Natal Shopping, e apresenta canções dos lendários álbuns do Pink Floyd The Dark Side of the Moon, The Wall, Animals, Wish You Were Here e, do seu último álbum, Is This The Life We Really Want?.

(14 anos, 115 minutos).

Pré-venda: Metallica & San Francisco Symphony - S&M² (2019): A Trafalgar Releasing apresenta S&M2, a imperdível celebração do 20º aniversário dos inovadores shows e discos S&M2 do Metallica gravados com a Orquestra Sinfônica de São Francisco.

Veja-os mais uma vez se apresentando com a Sinfônica com o lendário maestro Michael Tilson Thomas conduzindo parte do show, dando início à sua última temporada em San Francisco. Gravado ao vivo nos dias 6 e 8 de setembro, os shows também comemoram a inauguração do moderno Chase Centre, uma adição histórica à orla da cidade.

Incluindo os clássicos do Metallica desde o lançamento do S&M em 1999, bem como versões sinfônicas de novas músicas, este lançamento nos cinemas dá a milhões de fãs em todo o mundo a chance única de experienciar este o show na tela do cinema.

O show terá transmissão ao vivo no dia 9 de outubro, às 20h00, no Cinépolis Natal Shopping.

(150 Minutos)

Pré-venda: Aparecida - Um Musical (2019): Há mais de 300 anos, a imagem de Nossa Senhora Aparecida é o maior símbolo da fé dos brasileiros. Sua história toca até os espíritos menos sensíveis de maneira poderosa e transformadora. E é isso o que o espetáculo Aparecida - Um Musical, de Walcyr Carrasco, oferece ao público a imersão em uma fé capaz de operar transformações humanas.

O espetáculo tem como fio condutor a história de Caio e Clara, um jovem casal sem crença ou religião que reside na cidade de São Paulo do tempo presente. Eles embarcam em uma jornada de descobrimento espiritual na esperança de cura de um câncer no cérebro de Caio.

A exibição será no dia 12 de outubro, às 19h30, no Cinépolis Natal Shopping.

(Livre, 135 minutos).

Pré-venda: Malévola - Dona do Mal (Maleficent - Mistress of Evil, 2019): Na sequência do sucesso de bilheteria global de 2014, Malévola e sua afilhada Aurora começam a questionar os complexos laços familiares que as prendem à medida que são puxadas em direções diferentes por casamentos, aliados inesperados e novas forças sombrias.

O filme estreia no dia 17/10, mas os ingressos já estão à venda no Cinépolis Natal Shopping e no Cinépolis Partage Natal Norte.

(10 anos, 118 minutos)

Os horários podem ser verificados nos sites dos cinemas

Rambo - Até o Fim: uma besta enjaulada com ódio (e muitos problemas)

Fotos: Divulgação

Rambo - Até o Fim: uma besta enjaulada com ódio (e muitos problemas)

Por João Victor Wanderley

A primeira coisa que me veio à cabeça após assistir a Rambo - Até o Fim (Rambo - Last Blood, 2019) foi Cristiano Ronaldo. Não que exista qualquer relação entre ambos, mas uma denominação específica para o atleta reflete perfeitamente à obra cinematográfica.

Dono de um apetite incontrolável por títulos e de uma carreira irrepreensível, o jogador português arranca entusiasmadas demonstrações de afeto dos fãs, como o memorável áudio que o define como “uma besta enjaulada com ódio”. Nenhuma outra definição parece mais adequada ao filme, que busca na animosidade irrefreável do protagonista o suspiro para sobreviver a um roteiro catastrófico.

Deixando o passado para trás, John Rambo (Sylvester Stallone) leva uma vida tranquila num rancho isolado. Lá, mora com uma antiga amiga de família, Maria (Adriana Barraza), e com Gabrielle (Yvette Monreal), neta desta e com quem mantém saudável relação paternal. Após a garota ser sequestrada, o ex-combatente recorre à linguagem que domina: a violência.

Dirigido por Adrian Grunberg, a produção pode ser dividida em duas partes, e a primeira é muito ruim. O roteiro mal escrito por Matthew Cirulnick e pelo próprio Stallone – a parir da história deste e de Dan Gordon – tenta criar um arco dramático emotivo, que humanize o protagonista e o coloque em conflito com sua essência violenta, mas não passa de uma caricatura.

A construção de personagens é muito limitada. Se, por um lado, acerta ao deixar o veterano de guerra mais à vontade num conjunto de túneis, refletindo sua sensação de deslocamento na sociedade, por outro, erra ao dizer literalmente que ele é perturbado e de natureza ruim. Não faz sentido algum lembrar uma pessoa o quão traumatizada ela é, principalmente se for a figura central de uma franquia em seu desfecho.

O pior é que não há relato traumático que se sustente por si quando a obra mostra total calmaria e ignora as dores internas do protagonista. Ouvi-lo DIZER que luta diariamente para domar sua violência não tem o mesmo impacto de VÊ-LO cuidar de cavalos, cavalgar ao entardecer e ter uma família que o respeita. Ou se cria cenas que mostrem seu psicológico quebrado ou apenas se aposta no background da série.

Gabrielle é outra vítima da exposição narrativa. A todo momento alguém precisa dizer o quanto ela é inteligente e de bom coração, mas o filme nos priva de ver isso. Uma cena particularmente constrangedora é a do diálogo dentro de um carro onde é dito, fora de contexto, que a garota ainda criança havia vencido cinco provas num único dia de competição escolar.

À exceção do ex-combatente, que ao menos apresenta uma tentativa de arco dramático, todas as personagens são mal desenvolvidas e unidimensionais: Gabirelle é a garota inocente; Maria faz café e contextualiza através de diálogos expositivos; Carmen Delgado (Paz Vega) tem seu propósito inicial ignorado e se torna um preenchimento para lacunas do roteiro; e os irmãos Victor e Hugo Martinez (Óscar Jaenada e Sergio Peris-Mencheta), são apenas os vilões cruéis.

A obra é completamente rasa na concepção dos vilões. Victor é agressivo e trata sua “mercadoria” com profundo ódio. Já Hugo é o “cérebro” do esquema, mas isso é mostrado apenas numa cena de negociação – que acaba antes das negociações começarem – e de alguns momentos onde sua autoridade se impõe às vontades do irmão.

Não existe qualquer tentativa de transformar os dois em figuras realmente ameaçadoras, o que reduz a dupla a um par caricato, incapaz de despertar algo em mim que não seja indiferença. Isso reflete bem o maniqueísmo rasteiro – e até preocupante – que coloca bem e mal claramente definidos e os situa geograficamente: Estados Unidos e México.

Considerando o atual momento político dos EUA, onde o presidente adota discurso tão xenófobo, soa no mínimo imprudente considerar logo os mexicanos como os homens maus da história. O esquema dos irmãos Martinez poderia, facilmente, ser orquestrado por representantes de qualquer lugar do mundo, principalmente do próprio território comandado por Trump.

Não que o roteiro precisasse ser mais político e, por exemplo, colocasse Gabrielle sob o ódio de organizações locais que repliquem, em ações, o discurso imperativo de Trump, não existe essa obrigação – mesmo que o primeiro filme da série, lá em 1982, se colocasse como crítica ao próprio país –, apenas lamento a escolha equivocada e de mal gosto. É uma prova de que Rambo - Até o Fim buscou até mesmo os pontos fracos do cinema dos anos 1980, época em que era comum ver nos cinemas vilões que representassem os inimigos políticos dos EUA.

Se a primeira parte tropeça na pretensão de ser algo que não consegue sustentar, a segunda acerta ao se assumir como um “filme de Rambo”, com um brucutu musculoso que resolve tudo na porrada. E funciona! Embora não faça jus ao título original (First Blood), a tradução brasileira para o capítulo inicial da franquia encontra em Programado Para Matar a síntese para a essência do personagem central, um homem cuja animosidade de combate o classifica como uma máquina mortal.

Motivado pelo incontrolável desejo de vingança, ele usa todo seu repertório para atacar os inimigos e, principalmente, atraí-los a um ambiente em que seja capaz de controlar. A produção aposta numa agressividade gráfica, com muita morte explícita. Mostrando desde uma clavícula exposta por um polegar até membros decepados com brutalidade, essa segunda metade do filme oferece justamente o que se espera.

Alguns momentos incomodam, mas criticar essa característica é tão sem sentido quanto reclamar de um musical que tenha “música demais”. É justamente quando abraça o visceral que a obra respira um pouco mais, ganhando bem-vindos contornos de terror.

A montagem ágil no ato final auxilia tanto no ritmo, que parece correr atrás do prejuízo, quanto na construção icônica do ex-combatente, que surge onipresente enquanto persegue os inimigos. Os efeitos práticos são muito bem executados e oferecem credibilidade ao horror visto em cena. Já a computação gráfica peca por ser facilmente reconhecida, seja utilizada em grande ou pequena escala. Até a tela verde (Chroma Key) é questionável.

É preciso destacar também a energia de Stallone que, aos 73 anos de idade, esbanja um físico adequado ao papel e protagoniza uma produção de ação. É verdade que as plásticas interferem um tanto em suas expressões, mas não podemos dizer que ele fosse um ator muito versátil nesse quesito.

Como sugere seu título original, Rambo - Até o Fim vem com a proposta de finalizar a franquia, de ser o derramamento final de sangue. Acerta aonde deveria, mas errar aonde não poderia interfere diretamente na experiência que já nasce datada. Um eco de 1980 que até tem coisas legais para os saudosistas do gênero, mas que mantém a limitada visão de mundo do passado.

Nota 4/10

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Natal tem noite chuvosa com trovões e relâmpagos