Plano Detalhe

12/08/2019 05:00

Sessão Review #3

Fotos: Divulgação / Montagem: João Victor Wanderley

Sessão Review #3

Por João Victor Wanderley

Seja por falta de tempo, demora a ter acesso ou mesmo por escolha sobre o que escrever, muitas das produções que assisto não recebem uma crítica aqui no Plano Detalhe. Escrever criteriosamente demanda tempo e esforço.

Para oferecer, ao menos, um olhar superficial sobre o que foi visto ou revisto, a Sessão Review traz comentários mais objetivos das obras que ficaram de fora do blog.

Minha Fama de Mau (2019)

A cinebiografia de Erasmo Carlos é dona de um estilo próprio que destoa das obras do gênero aqui no Brasil. A produção escolhe uma abordagem diferente para cada fase da vida do protagonista.

Quando no anonimato, vemos constantemente a quebra da quarta parede, onde Erasmo (Chay Suede) conversa diretamente com o público. Além disso, há influencias dos quadrinhos em transições que remetem às HQ’s – e não é uma escolha gratuita. A metalinguagem também é usada com inteligência para pontuar momentos que não entrarão em cena.

Na fase de sucesso, a produção se aproxima dos musicais com as letras do cantor e compositor capitulando a trama. Já o terceiro ato é mais sóbrio e um tanto amargo, dialogando com o declínio da carreira meteórica do artista.

O roteiro não oferece tanta profundidade, de maneira que uma composição estereotipada do elenco é mais que suficiente. Por um lado, enfraquece a humanização das personagens; por outro, atende à demanda descontraída. Nesse sentido, as atuações de Chay Suede como o “Tremendão” e Gabriel Leone como Roberto Carlos são adequadas e carismáticas – destaque especial para Vinicius Alexandre que vive o jovem Tião!

Minha Fama de Mau abraça a fanfarronice de forma saborosa, se mostrando um entretenimento gostoso de assistir e muito criativo.

Nota 8/10


Uma Noite de Crime (The Purge, 2013)

Durante 12 horas por ano, os Estados Unidos permitem que qualquer crime seja cometido. A medida visa diminuir a criminalidade liberando que as pessoas expressem seu ódio, mesmo que da forma mais violenta possível. Nesse contexto, acompanhamos uma família de classe alta que tem sua segurança ameaçada após acolher um homem que pedia ajuda.

Escrito e dirigido por James DeMonaco, o filme pontua discussões pertinentes como combater a violência através da mesma e as transformação dos pobres em alvos dos ricos. Porém, a produção perde sua força argumentativa ao focar no situacional.

Além disso, esbarra numa decisão que, paradoxalmente, fortalece e enfraquece a trama: se mergulhar na complexidade humana, deixa de levantar reflexões sociais; e se embarca no lado social, corre o risco de se render ao maniqueísmo.

Ao ir na segunda opção, o filme mostra como os pobres – especialmente negros – servem ao ódio da elite racista. Embora reflita, alegoricamente, um aspecto social, deixa de debater amplamente os impulsos sórdidos da natureza humana.

Uma Noite de Crime parte de um ponto interessante, mas opta pelo caminho mais fácil. Divide a comunidade entre ricos maus e pobres bons e se sabota ao preferir ser um terror genérico. Ainda assim, traz alguma provocação.

Nota 6/10

  

Uma Noite de Crime – Anarquia (The Purge - Anarchy, 2014)

O segundo capítulo da franquia mostra um grupo de cinco pessoas, liderado por um homem em busca de vingança, que precisa atravessar a cidade em segurança. O diretor e roteirista James DeMonaco tenta nos levar para outro lado da ideia.

Ainda vemos a elite branca usando o expurgo para praticar seus preconceitos, mas agora temos a ótica do lado mais pobre da sociedade, há maior ambiguidade nas ações mostradas aqui.

Novos conceitos são inseridos, como o leilão por pobres capturados, a força revolucionária que busca caçar os poderosos e uma sutil sugestão de envolvimento do Governo no extermínio.

Porém, novamente, a preocupação aqui não é se aprofundar nas reflexões, mas encontrar um escapismo genérico. Dessa vez, temos um filme com mais efeitos, confrontos, tiroteios e mortes. A estrutura narrativa se mostra repetitiva: os protagonistas procuram um local seguro, são surpreendidos e depois tentam encontrar outro local seguro.

Uma Noite de Crime – Anarquia também se inicia com uma boa proposta e até pontua novos olhares, mas se entrega ao cinema de entretenimento superficial, repleto de tiro, porrada e bomba.


12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição (The Purge – Election Year, 2016)

A terceira parte da série cinematográfica é a única que repete um protagonista. Leo Barnes (Frank Grillo) agora é chefe de segurança da Senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell).

Candidata à presidência, Charlie defende o fim do Expurgo – evento anual que permite qualquer crime durante 12 horas. Temendo perder o controle, o atual governo retira a imunidade dos políticos durante o evento e inicia uma caça à candidata.

O filme até tenta pontuar alguma novidade como a extorsão das empresas de seguro que cobrem os comércios, o turismo de morte promovido pelo governo e, através da Senadora, a preservação pela vida. Mas logo se entrega à ação – que até funciona, mas cansa logo.

Sem trazer novos olhares e ao se prender à estrutura repetitiva mostrada anteriormente, 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição faz a franquia retroceder.

Nota 5,5/10

A Primeira Noite de Crime (The First Purge, 2018)

Precisando de novo fôlego, a franquia Uma Noite de Crime chega ao seu capítulo final – ao menos até o momento – buscando a origem do evento anual que libera o crime durante 12 horas. Aqui, vemos como ocorreu o primeiro Expurgo, ainda um evento teste aplicado pelo Governo.

James DeMonaco, que escreveu e dirigiu os filmes anteriores, assina o roteiro e deixa a direção para Gerard McMurray. Mas a intensão de revigorar esbarra na repetição estrutural, falta de profundidade reflexiva e, pela primeira vez, na ação mal coordenada.

A história se passa num bairro pobre com muitos moradores negros. A mensagem social que iniciou o projeto lá em 2013 fica ainda mais clara: limpar o país dos negros pobres – agora com apoio explícito do governo. Travestido de experimento científico, o Expurgo não sai como o planejado, o que leva parte da organização a acionar grupos de extermínio étnico contratados para dar os números esperados.

Tirando essa ideia pouco explorada, o que sobra é mais um produto que não fortalece seu posicionamento político para focar no choque ocasional da aplicação da violência. A direção de McMurray é ruim, deixando o ritmo desgastado e entregando cenas ruins de ação, com efeitos bem artificiais. A escolha por uma estética contrastante entre o escuro e o neon não acrescenta nada além de estranheza.

Repetitivo, pouco argumentado, cansativo, mal dirigido e desperdiçando um bom argumento, A Primeira Noite de Crime é o filme mais chato da franquia.

Nota 4/10


Shippados – 1ª Temporada (2019)

A primeira temporada de Shippados acompanha Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblitch), dois verdadeiros fracassados em seus relacionamentos que, de tão estranhos, percebem que funcionam juntos.

A série traz diálogos banais incomuns conduzidos com um delicioso humor. Além disso, funciona, até certo ponto, como reflexo dos relacionamentos nos tempos da tecnologia. A todo momento a internet desempenha um papel fundamental, seja como fonte de pesquisa, orientador social ou local de desabafo.

Os roteiristas Fernanda Young e Alexandre Machado investem no desenvolvimento de seus protagonistas, algo incomum nas obras da dupla. Rita e Enzo são figuras atípicas e muito complexas. Nesse ponto, o talento de Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch segura a onda e torna quase tudo verossímil.

Porém, a série perde a mão ao tentar elevar o nível de complexidade do casal central. Seja quando ela surta inexplicavelmente com o parceiro ou quando ele mostra a relação paranoica com seus pais, a produção erra o tom e alcança alguns momentos de sentida chatice.

Tatá e Eduardo têm química e até conseguem compor suas personagens com sucesso, mas ainda pecam quando são mais exigidos dramaticamente. Tatá, por exemplo, se apoia demais em sua persona e resgata trejeitos de seu humor peculiar, como a voz falhando quando emula raiva ou as caretas excessivas. Talvez o fato dela estar em bastante evidência provoque um certo cansaço de sua figura – e isso eu digo lamentando, pois sou muito fã dela.

Shippados é irregular. Começa desinteressante, tem momentos realmente hilários, irrita desnecessariamente e, já no fim, entra nos trilhos. Tem um elenco afiado e um texto que é muito mais feliz quando se propõe às trivialidades.

Nota 6,5/10

09/08/2019 12:55

Olhos Que Condenam: a dor que nos põe no lugar do outro

Fotos: Netflix

Olhos Que Condenam: a dor que nos põe no lugar do outro

Por João Victor Wanderley

“Bandido bom é bandido morto.”. A máxima popular que ganhou ecos no Brasil dos últimos anos é um pensamento perigosamente superficial. Numa realidade onde a verdade nem sempre é clara, como podemos exigir tanto quando a própria justiça sucumbe à imperícia e, muitas vezes, à má fé?

São questionamentos assim, além de uma dor revoltante, que Olhos Que Condenam (When They See Us, 2019) provoca no espectador. Em 1989, quatro adolescentes afro-americanos e um latino-americano foram injustamente condenados pelo estupro de uma mulher branca.

Adaptando uma história real, a roteirista e diretora Ava DuVernay deixa evidente seu viés sócio-político já no primeiro episódio, ao mostrar um grupo de policiais – todos brancos – construindo uma versão distorcida dos fatos. Mesmo abordando garotos com 14, 15 e 16 anos, a polícia não se priva de gritar, violentar e manipular os suspeitos para que corroborarem com sua narrativa.

No julgamento, a promotoria segue a estratégia ao apresentar provas forjadas a um júri completamente branco, incapaz de reagir às diversas incoerências e contradições apontadas pela defesa. E quando nos chocamos por todos acabarem punidos, sem qualquer prova concreta, o baque se torna maior ao lembrarmos como a série reforça que a intolerância do ocorrido em 89 encontra eco 30 anos depois.

Em determinada cena, um famoso empresário – em imagens reais da época – clama por pena de morte para os jovens. Alguém alega que os 15 minutos de fama desse homem logo acabarão, mas o empresário em questão é Donald Trump, atual presidente dos EUA. Uma demonstração eficiente da perpetuação de um pensamento limitado e retrógrado.

Dividida em quatro partes, a produção também contempla as difíceis investidas de ressocialização da maioria dos protagonistas quando adultos. Antron McCray (Jovan Adepo), Yusef Salaam (Chris Chalk), Kevin Richardson (Justin Cunningham) e Raymond Santana Jr. (Freddy Miyares) tentam estabelecer uma rotina sob o olhar de familiares questionadores e da sociedade temerosa.

(Dos Cinco do Central Park, apenas Korey encarou uma prisão para adultos / Imagem: Netflix)

Os quatro sofrem para voltar a estudar, manter um relacionamento amoroso e, principalmente, conseguir um emprego. A desconfiança de todos e as palavras ásperas que ouvem nos mostram a dificuldade para um ex-detento reconstruir a vida honestamente.

Entretanto, mesmo cobrindo bem as passagens mais importantes da trama, Olhos Que Condenam apresenta alguns desequilíbrios narrativos. É obvio que centrar nos fatos é essencial e a série faz isso de forma satisfatória, mas peca ao criar certo distanciamento na construção de suas personagens principais.

Falta entrar nas personalidades dos cinco, pouco sabemos sobre quem eles realmente são. Tudo é relatado como um documentário que alcança todos os pontos da história, exceto a pessoalidade de seus protagonistas. Também falta clareza sobre o porquê desses garotos específicos, em meio a tantos outros, terem sido apontados pela polícia. A escolha se dá de forma arbitrária ou devida a alguma facilidade de manipulação?

O tempo dos mais jovens no reformatório é um tanto atropelado, pouco desenvolvido. Além disso, a Parte Três perde fôlego por ser repetitiva. A ideia é transmitida com clareza, mas desgastada por ser vista e revista num mesmo capítulo.

Outra discrepância está na construção de Korey (Jharrel Jerome) em relação aos demais. Até a Parte Quatro, pouquíssima informação é oferecida. Então, com um episódio totalmente dedicado a ele, a personagem passa a ser, de longe, a melhor composição do roteiro.

Compreendemos seus medos, desejos e motivações. Entramos em sua mente, descobrimos mais sobre seu passado e a relação familiar. Um episódio completo narrativamente, além de um prato cheio na parte dramática, nos fazendo sofrer juntos dentro de uma cela.

(A produção se permite algumas liberdades artísticas, sejam conceituais ou estéticas / Imagens: Netflix)

A bem conduzida direção de Ava DuVernay explora com talento as reações dos espectadores. Ela brinca com nossos sentimentos diversas vezes, nos levando do ódio às lagrimas sem esquecer de dar algumas recompensas emocionais no caminho.

Ela se permite algumas escolhas artísticas que refletem o estado mental de Korey, como suas interações com as alucinações que tem na prisão. Essa liberdade narrativa nos mostra mais sobre o rapaz e funciona como um motivador para ele, permitindo-o conforto ao “mudar” alguns acontecimentos de sua vida mentalmente.

A montagem tem papel fundamental ao resgatar os áudios da noite em que os protagonistas foram presos, representando o pesar que martela repetidamente em suas cabeças. Além disso, ao cobrir ação e reação, provoca grande tensão como no enervante veredito.

Ao criar momentos de impacto dramático, DuVernay usa bem os enquadramentos quase sempre. As cenas do interrogatório são incômodas pela proximidade em cada bofetão, cada grito. Quando os garotos começam a contar suas versões, são filmados ao centro da imagem. À medida em que vão sendo manipulados, passam a ocupar os cantos da tela, representando a falta de importância que têm para a polícia.

Seu deslize está na utilização exagerada do Contra-Polgée – enquadramento que filma de baixo para cima. Normalmente destinada a demonstrar uma superioridade e imponência de alguém, a técnica é aplicada diversas vezes durante o julgamento, chegando até a surgir em momentos inadequados.

(Jharrel Jerome entrega a atuação mais tocante de Olhos Que Condenam / Imagens: Netflix)

Único ator a interpretar as fases adolescente e adulta de uma mesma personagem, Jharrel Jerome brilha na transição precisa entre o rapaz assustado, incapaz de compreender o que está vivendo, e o homem determinado a lutar pela honra. Os olhos de Jerome são extremamente importantes no trabalho, refletindo bem cada fase vivida.

Porém, a série provoca estranhamento ao manter o ator e mudar os intérpretes dos demais na fase adulta. Os esforços para transformar Jerome numa figura mais velha entrega bons resultados e é válido até certo ponto. Quando vemos os cinco juntos, fica a sensação de que todos envelheceram, menos Korey.

O quinteto que interpreta os protagonistas mais jovens é excelente – inclusive eu lamento não ter visto mais cenas deles. Dentre os atores, outro que merece ser destacado é Asante Blackk. Como Kevin, ele brilha no capítulo inicial.

No ótimo elenco de apoio, os destaques são Niecy Nash como Delores Wise e Aunjanue Ellis como Sharon Salaam – respectivamente as mães de Korey e Yusef –, ambas demonstram força descomunal em cena; Felicity Huffman, implacável como a cínica e odiosa Linda Fairstein; e Vera Farmiga, que transmite complexidade como Elizabeth Lederer – a promotora demonstra não estar convencida da culpa dos garotos, mas sustenta a narrativa no tribunal, nos dando asco de sua figura.

Olhos Que Condenam é aquele tipo de soco no estômago que precisamos levar de vez em quando, para compreendermos melhor o lugar do outro antes de fazermos julgamentos vazios. Demonstra que a justiça ser cega não significa exatamente imparcialidade, mas que, por vezes, se recusar a enxergar a verdade, empalidecendo vergonhosamente diante de sua função primordial.

Nota 9/10

08/08/2019 12:25

Veja o que está em cartaz nos cinemas de Natal!

Fotos: Divulgação / Montagem: João Victor Wanderley

Veja o que está em cartaz nos cinemas de Natal!

Confira as estreias e os filmes que permanecem em cartaz nos cinemas de Natal no período de 8 a 14 de agosto:

My Hero Academia: 2 Heróis (Boku no Hero Academia the Movie, 2018): Deku e All Might recebem um convite para a I-Expo, a principal exposição mundial de habilidades de Quirk e inovações tecnológicas dos heróis! Em meio à empolgação, patrocinadores e profissionais de todos os cantos, Deku conhece Melissa, uma garota que é Quirkless assim como ele já foi. De repente, o sistema de segurança mais avançado da I-Expo é hackeada por vilões e um plano sinistro é iniciado. (12 anos, 96 minutos).

BTS - Bring The Soul: The Movie (BTS - Bring The Soul: The Movie, 2019): Depois da inesquecível turnê “Love Yourself”, o BTS retorna de modo triunfal às telas dos cinemas com BRING THE SOUL; THE MOVIE. Brilhando ainda mais que as luzes do palco, o grupo agora nos convida para os bastidores. No dia seguinte ao concerto final da turnê do grupo na Europa, em cima de um telhado em Paris, o BTS conta suas próprias histórias, desde a experiência de conhecer novas cidades até apresentações para milhares de fãs (que o grupo prefere chamar de ARMY) em todo o mundo. Uma visita ao mundo do BTS fora do palco, com conversas intimistas do grupo acompanhadas de apresentações espetaculares nos shows da turnê, esse é um evento cinematográfico imperdível. A jornada do BTS continua! (10 anos, 105 minutos).

Meu Amigo Enzo (The Art of Racing in the Rain, 2019): Baseado no premiado romance de Garth Stein, Meu Amigo Enzo é uma história emocionante narrada por um cão espirituoso e filosófico chamado Enzo. Através de seu vínculo com seu dono, Denny Swift (Milo Ventimiglia), um aspirante a piloto de corridas de Fórmula 1, Enzo ganha uma visão profunda e divertida da condição humana e entende que as técnicas necessárias na pista de corrida também podem ser usadas para passar com sucesso pela jornada da vida. O filme segue Denny e os amores de sua vida – sua esposa Eve (Amanda Seyfried), sua jovem filha Zoe (Ryan Kiera Armstrong) e, finalmente, seu verdadeiro melhor amigo Enzo. (10 anos, 109 minutos).

(Imagens: Divulgação / Montagem: João Victor Wanderley)

Continuam em cartaz:

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, 2019): O policial Hobbs (Dwayne Johnson) e o ex-agente Shaw (Jason Statham), adversários na franquia Velozes & Furiosos, precisam unir forças para combater o anarquista Brixton (Idris Elba), um homem geneticamente aprimorado e em controle de uma arma biológica perigosa que pode alterar a humanidade para sempre. (14 anos, 135 minutos).

Jornada da Vida (Yao, 2018): Em seu vilarejo no norte do Senegal, Yao é um garoto de 13 anos de idade disposto a tudo para encontrar o seu herói: Seydou Tall, um famoso ator francês. Convidado a promover o seu novo livro em Dakar, Tall retorna ao país de origem pela primeira vez. Para realizar o seu sonho, o jovem Yao prepara uma fuga e atravessa 387 quilômetros sozinho até a capital. Comovido com este jovem, o ator decide fugir às obrigações e acompanhá-lo de volta à sua casa. (10 anos, 103 minutos).

As Rainhas da Torcida (Poms, 2019): Sem grandes pretensões para os seus últimos dias de vida, a solitária Martha (Diane Keaton) se muda para o retiro de Sun Springs em busca de tranquilidade. Na comunidade de aposentados, ela conhece sua nova vizinha Sheryl (Jacki Weaver), uma mulher muito agitada que faz questão de se manter sempre presente. Uma amizade surge e Sheryl incentiva Martha a retomar sua vida como líder de torcida e, quebrando todas as convenções, elas organizam um grupo de líderes de torcida com mulheres acima dos 60 anos. O que antes seria apenas um hobby, começa a tomar novas proporções quando elas decidem participar de um concurso. Elas convidam Chloe (Alisha Boe) para ajudá-las nas coreografias e, juntas, descobrem todo o potencial que ainda possuem. (12 anos, 91 minutos).

Ted Bundy - A Irresistível Face do Mal (Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, 2019): Ted Bundy foi um dos Serial killers mais perigosos dos anos 1970. Além assassino, era sequestrador, estuprador, ladrão e necrófilo. Sua namorada, Elizabeth Kloepfer, tornou-se uma de suas defensoras mais leais, recusando-se a acreditar na verdade. (16 anos, 108 minutos).

As Trapaceiras (The Hustle, 2019): Duas vigaristas, uma de baixo e a outra de alto nível, competem para conseguir extorquir a fortuna de um ingênuo prodígio da tecnologia. (12 anos, 93 minutos).

O Rei Leão (The Lion King, 2019): Adaptação do clássico Disney de 1994, O Rei Leão retrata a jornada de Simba, filho do rei Mufasa e herdeiro da Pedra do Reino. Mas nem todos estão dispostos a aceitar tal sucessão, como Scar, irmão de Mufasa e ex-futuro rei. (10 anos, 118 minutos).

Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home, 2019): O amigão da vizinhança embarca com Ned, MJ e o resto da turma para curtir férias na Europa. No entanto, os planos de deixar os feitos heroicos para trás por algumas semanas são rapidamente frustrados quando ele, relutantemente, aceita ajudar Nick Fury a descobrir o mistério por trás de diversos ataques que espalharam o caos pelo velho continente. (10 anos, 130 minutos).

Toy Story 4 (2019): Decidido a lutar pela felicidade de Bonnie, Woody parte em nova aventura para recuperar o novo brinquedo favorito da garota. Na jornada, o xerife e sua trupe se reúnem a novos e velhos amigos. (Livre, 100 minutos).

Os horários podem ser verificados nos sites dos cinemas

02/08/2019 18:41

Missão no Mar Vermelho se sustenta por ser inspirado em acontecimentos reais

Fotos: Netflix

Missão no Mar Vermelho se sustenta por ser inspirado em acontecimentos reais

Por João Victor Wanderley

Com a programação dos cinemas de Natal pouco inspirada, decidi poupar o valor do ingresso e recorrer à Netflix. O filme da vez é Missão no Mar Vermelho (The Red Sea Diving Resort, 2019), lançado no último 31 de julho.

A trama se passa em 1979 e se inspira em acontecimentos reais. Com o Etiópia vivendo um violento regime ditatorial, uma equipe liderada por Ari (Chris Evans) se arrisca para salvar o máximo de vidas possível. Ao lado de Kabede (Michael Kenneth Williams), tentam atravessar os judeus até Jerusalém.

Escrito e dirigido por Gideon Raff, o roteiro recorre a estrutura de filmes de assalto, escolha que faz sentido pela obra tratar de uma extração e por ser de fácil empatia com o público em geral. Logo nos deparamos com lugares-comuns como um “golpe” que dá errado, a reformulação do plano, a fase de recrutamento da nova equipe e a ação de fato.

Porém, narrativamente a escolha não se sustenta pelas fragilidades do texto. Não fica claro porque o governo etíope está matando seus civis, apenas vemos soldados armados visitando aldeias e metralhando quem vem pela frente. Depois disso, o grosso da história se passa no Sudão – onde já temos um contexto melhor explicado.

(Chris Evans é quase o Capitão América noutra Guerra Civil / Imagem: Netflix)

As personagens são construídas com muita superficialidade, resumidas por suas características principais: Ari é o homem íntegro e tão altruísta que se torna inconsequente – além de parecer o melhor ser humano do mundo (Capitão América?) –; Sammy (Alessandro Nivola) é o cauteloso e sensato; Coronel Madibbo (Thabo Bopape) é o governante ganancioso; Coronel Ahmed (Chris Chalk), o cruel cumpridor das leis do governo; e por aí vai.

Faltam camadas que tirem as personagens do estereótipo e nos provoque reações genuínas sobre o que estamos vendo. E quando tenta oferecer isso, o roteiro peca ao entregar clichês batidos como a difícil relação que Ari tem com esposa e filha, já que está sempre ausente graças ao seu trabalho – a cena do desenho exemplifica bem o que estou dizendo.

Os clichês, aliás, interferem demais no impacto que a trama pode ter, já que denunciam o desenrolar de certos momentos. Sempre que a produção tenta criar um pouco de tensão ou drama, a previsibilidade nos impede de embarcar na proposta – como a travessia de um rio ou quando soldados ocupam o mesmo local onde refugiados estão escondidos.

A condução imprecisa de Gideon Raff ao tentar construir cenas assim também contribui para o ritmo morno. A história forte e relevante oferece momentos aflitivos, mas que não são aproveitados. Falta vigor, alguma originalidade, uma montagem mais enérgica e eficiente. O filme jamais emplaca, nos deixando dormentes ao que é visto.

(Missão no Mar Vermelho não ousa nem mesmo em sua estética / Imagem: Netflix)

A trilha sonora é cafona e parece mal aplicada. Muitas das vezes em que uma peça toca dá para se questionar se ela foi escolhida aleatoriamente ou se o desacordo entre som e imagem é proposital – embora não haja justificativa para tal. A montagem ainda traz algumas transições bem ruins, como se revelasse as imagens através de um efeito de cortina.

O recurso nada acrescenta à identidade visual, que já é bem genérica graças a fotografia. Roberto Schaefer parece apenas ter acertado a iluminação para deixar tudo visível e posicionado a câmera da maneira mais simples possível.

Outro problema está na necessidade mercadológica do projeto, que apela para alguns nomes conhecidos mesmo que isso cause estranhamento. A ação é liderada pelo Mossad, serviço secreto de Israel, que coloca Ari como o líder. Apesar de ter nascido no país, ele tem a fisionomia de Chris Evans, natural de Boston. Isso não se limita ao protagonista, já que o elenco conta com atores dos EUA, Ucrânia, Holanda e Inglaterra, todos em papel de destaque.

As atuações são apenas funcionais, sem nenhum grande trabalho. Destaco apena Evans, que traz uma tranquilidade que não combina com a situação, e Chris Chalk, que funciona bem como Ahmed ao evitar recorrer à histeria, se mantendo ameaçador quase sempre sem mudar o tom.

Missão no Mar Vermelho não é um desastre, apenas um filme sem coragem que se abraça aos clichês para não correr riscos de desagradar. Faz tudo de forma burocrática, como se seguisse ao pé da letra uma cartilha entregue pela Netflix para atingir o retorno comercial esperado. Apesar de errar, não chega a agredir e consegue nos manter curiosos.

Nota 6/10

01/08/2019 05:00

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw estreia; veja a programação em Natal!

Fotos: Divulgação / Montagem: João Victor Wanderley

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw estreia; veja a programação em Natal!

Confira as estreias e os filmes que permanecem em cartaz nos cinemas de Natal no período de 1 a 7 de agosto:

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, 2019): O policial Hobbs (Dwayne Johnson) e o ex-agente Shaw (Jason Statham), adversários na franquia Velozes & Furiosos, precisam unir forças para combater o anarquista Brixton (Idris Elba), um homem geneticamente aprimorado e em controle de uma arma biológica perigosa que pode alterar a humanidade para sempre. (14 anos, 135 minutos).

Jornada da Vida (Yao, 2018): Em seu vilarejo no norte do Senegal, Yao é um garoto de 13 anos de idade disposto a tudo para encontrar o seu herói: Seydou Tall, um famoso ator francês. Convidado a promover o seu novo livro em Dakar, Tall retorna ao país de origem pela primeira vez. Para realizar o seu sonho, o jovem Yao prepara uma fuga e atravessa 387 quilômetros sozinho até a capital. Comovido com este jovem, o ator decide fugir às obrigações e acompanhá-lo de volta à sua casa. (10 anos, 103 minutos).

As Rainhas da Torcida (Poms, 2019): Sem grandes pretensões para os seus últimos dias de vida, a solitária Martha (Diane Keaton) se muda para o retiro de Sun Springs em busca de tranquilidade. Na comunidade de aposentados, ela conhece sua nova vizinha Sheryl (Jacki Weaver), uma mulher muito agitada que faz questão de se manter sempre presente. Uma amizade surge e Sheryl incentiva Martha a retomar sua vida como líder de torcida e, quebrando todas as convenções, elas organizam um grupo de líderes de torcida com mulheres acima dos 60 anos. O que antes seria apenas um hobby, começa a tomar novas proporções quando elas decidem participar de um concurso. Elas convidam Chloe (Alisha Boe) para ajudá-las nas coreografias e, juntas, descobrem todo o potencial que ainda possuem. (12 anos, 91 minutos).

(Imagens: Divulgação / Montagem: João Victor Wanderley)

Continuam em cartaz:

Ted Bundy - A Irresistível Face do Mal (Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, 2019): Ted Bundy foi um dos Serial killers mais perigosos dos anos 1970. Além assassino, era sequestrador, estuprador, ladrão e necrófilo. Sua namorada, Elizabeth Kloepfer, tornou-se uma de suas defensoras mais leais, recusando-se a acreditar na verdade. (16 anos, 108 minutos).

As Trapaceiras (The Hustle, 2019): Duas vigaristas, uma de baixo e a outra de alto nível, competem para conseguir extorquir a fortuna de um ingênuo prodígio da tecnologia. (12 anos, 93 minutos).

O Rei Leão (The Lion King, 2019): Adaptação do clássico Disney de 1994, O Rei Leão retrata a jornada de Simba, filho do rei Mufasa e herdeiro da Pedra do Reino. Mas nem todos estão dispostos a aceitar tal sucessão, como Scar, irmão de Mufasa e ex-futuro rei. (10 anos, 118 minutos).

Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home, 2019): O amigão da vizinhança embarca com Ned, MJ e o resto da turma para curtir férias na Europa. No entanto, os planos de deixar os feitos heroicos para trás por algumas semanas são rapidamente frustrados quando ele, relutantemente, aceita ajudar Nick Fury a descobrir o mistério por trás de diversos ataques que espalharam o caos pelo velho continente. (10 anos, 130 minutos).

Turma da Mônica - Laços (2019): Com o desaparecimento de seu cachorro Floquinho, Cebolinha desenvolve um plano infalível para resgatá-lo. Para isso, ele vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos: Mônica, Magali e Cascão. Juntos, irão enfrentar desafios e viver grandes aventuras. (Livre, 96 minutos).

Pets - A Vida Secreta dos Bichos 2 (The Secret Life of Pets 2, 2019): Após conhecer o irmão Duke e viver aventuras com seus amigos Gigi, Bola de Neve e Chloe, o cãozinho Max terá de se acostumar com mais um novo integrante na família. (Livre, 86 minutos).

Toy Story 4 (2019): Decidido a lutar pela felicidade de Bonnie, Woody parte em nova aventura para recuperar o novo brinquedo favorito da garota. Na jornada, o xerife e sua trupe se reúnem a novos e velhos amigos. (Livre, 100 minutos).

Os horários podem ser verificados nos sites dos cinemas

29/07/2019 05:00

Sessão Review #2

Fotos: Divulgação / Montagem: João Victor Wanderley

Sessão Review #2

Por João Victor Wanderley

Seja por falta de tempo, demora a ter acesso ou mesmo por escolha sobre o que escrever, muitas das produções que assisto não recebem uma crítica aqui no Plano Detalhe. Escrever criteriosamente demanda tempo e esforço.

Para oferecer, ao menos, um olhar superficial sobre o que foi visto ou revisto, a Sessão Review traz comentários mais objetivos sobre as obras que ficaram de fora do blog.

(Imagens: Divulgação / Montagem: João Vcitor Wanderley)

Galveston (2018)

Após sobreviver a uma armadilha de seu próprio patrão, Roy (Ben Foster) foge em busca de recomeço. Na fuga, tem a companhia de Rocky (Elle Fanning), uma jovem prostituta salva por ele na mesma emboscada.

O roteiro de Nic Pizzolatto, sob o pseudônimo de Jim Hammett, constrói seus protagonistas a partir do que é visto em cena, pouco sabemos sobre o passado de cada um. Mas é perceptível o quanto são parecidos no quesito sobrevivência.

Rocky vê em Roy a referência paternal e protetora que jamais tivera. Ele, e não se sabe exatamente o porquê, desenvolve genuína empatia por ela – a cena em que se recusa a transar com a garota é significativa.

Ben Foster e Elle Fanning têm excelente química juntos e compõem personalidades complexas. Foster consegue, apenas com olhares e gestos, mostrar o quanto Roy se importa com Rocky, que encontra em Fanning o equilíbrio entre uma mulher independente e uma garota perdida.

Galveston é um retrato amargo sobre escolhas, oportunidades e segundas chances, dono de uma crueza que envolve e agride.

Nota 9/10


Projeto Flórida (The Florida Project, 2017)

O filme acompanha o cotidiano do Magic Castle, um hotel de beira de estrada onde residem pessoas com grandes dificuldades financeiras. Tudo é mostrado pela ótica da pequena Moonee (Brooklynn Prince), filha de uma das moradoras.

Com tocante subjetividade, o diretor Sean Baker constrói um contraste entre o que é real e como ele é visto. As cores vibrantes e muito bem definidas que surgem na tela denunciam o despretensioso olhar infantil, mas as entrelinhas contemplam a realidade dura. O contraste social é reforçado pelo Magic Castle estar fisicamente próximo da Disney, embora distante em representatividade.

Moonee é um espelho de sua desorganizada mãe, que a ama verdadeiramente mesmo sendo um exemplo questionável. A mulher fala palavrões e é agressiva – características replicadas pela filha –, além de expor a menina a situações inadequadas.

Projeto Flórida é sensível, prende a atenção com eficiência e reflete a realidade com a dureza que lhe é peculiar. Um filme que foge de sua proposta apenas nos segundos finais, quando se permite uma liberdade temática que, para mim, destoa de todo o resto.

Nota 8,5/10

(Imagens: Divulgação / Montagem: João Vcitor Wanderley)

La Casa de Papel – Parte 1 (2017)

Para exibição na Netflix, a primeira temporada teve seus 15 episódios reeditados e divididos em duas partes. Irei comentar sobre ambas da mesma forma.

Um grupo de ladrões invade a Casa da Moeda na Espanha para aplicar o maior roubo da história. A trama se divide entre o assalto e os flashbacks, que apresentam um pouco mais das personagens e esclarece o plano.

A série tem um início promissor, dinâmico e instigante. Porém, como os assaltantes precisam passar muito tempo no local, cai de qualidade ao tentar esticar o roteiro com arcos secundários. Alguns funcionam, como a relação de Denver (Jaime Lorente) e Mônica (Esther Acebo), outros não convencem, como as investidas de Arturito (Enrique Arce).

A produção sacrifica a lógica narrativa para criar momentos de tensão e drama, mas recorre a exageros – como falhas inaceitáveis da polícia – só para que o episódio tenha a gordura necessária. Os exageros também atingem os improvisos do Professor (Álvaro Morte) quando em momentos de risco extremo.

Os conflitos entre os assaltantes não são convincentes. Por diversas vezes, eles apontam as armas entre si como se fossem se matar, mas pouco depois tudo volta a ficar em total harmonia – como se ladrões irritados e armados confiassem suas vidas a outros ladrões irritados e armados, principalmente após ameaças trocadas.

Continua na Parte 2

Nota 7,5/10


La Casa de Papel – Parte 2 (2017)

O mais grave dos problemas está em como a série tenta enobrecer os assaltantes ao lhes conferir a estigma de Resistência. Cada um dos membros teve uma vida difícil, que justificaria um desejo de vingança. Porém, em nenhum momento fica claro que eles foram convocados com essa intenção.

Também não há indícios de que o dinheiro, por exemplo, será repartido com outras pessoas necessitadas. É como se os produtores quisessem dar aos protagonistas uma identificação ideológica que não se sustenta, quando, na verdade, são apenas assaltantes atuando em benefício próprio.

Essa segunda parte acentua ainda mais os problemas narrativos, entregando episódios mais desinteressantes.

As melhores atuações ficam por conta de Pedro Alonso, que faz de Berlim a figura mais controversa da obra, e Alba Flores, totalmente carismática como Nairóbi. Já Úrsula Corberó dá vida a uma Tóquio irritante e arrogante, a personagem mais chata da série.

As duas primeiras partes de La Casa de Papel são bons divertimentos, mas longe de serem tudo o que dizem.

Nota 6,5/10

(Imagens: Divulgação / Montagem: João Vcitor Wanderley)

Demônio de Neon (The Neon Demon, 2016)

Jesse (Elle Fanning) se muda para Los Angeles almejando ser modelo. Com uma beleza atípica, começa a conquistar espaço. Sua rápida ascensão provoca inveja e ira de modelos mais experientes.

Dirigido por Nicolas Winding Refn, o filme tem um apuro estético impressionante. A fotografia aposta em cores fortes e brilhos intensos, além de manipular luz e sombras com precisão invejável. Os enquadramentos são espetaculares, muitas vezes criando frames que poderiam ser emoldurados.

Tais escolhas estéticas combinam com a crítica feita à indústria da beleza e como ela é cruel. Porém, a história rasa e mal desenvolvida não acompanha a proposta da produção. A trama descamba para o uso asqueroso da violência, gerando momentos de severo mau gosto.

Demônio de Neon extrapola nas alegorias, entregando consequências insanamente desproporcionais ao peso da história. Um estereótipo potencializado por uma reflexão que sugere uma profundidade jamais alcançada pela narrativa.

Nota 4/10


Os Cavaleiros do Zodíaco: Saint Seya – 1ª Temporada (Saint Seiya: Knights of the Zodiac, 2019)

Os seis episódios liberados até agora pela Netflix contemplam os acontecimentos da Guerra Galáctica. A animação é até bonitinha e respeita os traços originais, mas é pouco fluída, artificial na movimentação das personagens. A textura dos objetos e das roupas é bem transmitida, mas a pele parece de bonecos de plástico.

Além do visual, a narrativa se assemelha a de videogame. Com pouco desenvolvimento da história, cada episódio é como uma nova fase: após o término das lutas, os protagonistas seguem para a fase seguinte.

Dentre as atualizações, a mais relevante é a transformação de Shun em mulher. Achei coerente já que a personagem é protegida pela armadura de Andrômeda, princesa que, na mitologia, foi acorrentada e oferecida em sacrifício – além de acrescentar outra mulher na trama. É legal notar que a mudança atingiu a postura da personagem. A nova Shun é mais enérgica e forte, contrastando com a figura quase indefesa da versão anterior.

Por outro lado, a produção é atropelada. Os acontecimentos não têm o tempo necessário e a passagem de tempo é assinalada em falas, já que não notamos isso durante os episódios. As batalhas são mais breves, o que não funciona tanto – ao menos oferecem melhores disputas físicas e mais agilidade com os diferentes ângulos.

Os Cavaleiros do Zodíaco: Saint Seya tenta ser mais próximo dos mangás, modernizar a trama e se afastar da animação clássica. Acerta em diversos pontos e erra em outros tantos. Não dá para ser tão exigente só pela nostalgia, até porque a animação marcante para a minha geração não exatamente um exemplo de qualidade. A releitura parece promissora.

Nota 6,5/10

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