Plano Detalhe

28/10/2019 05:00

Sessão Review #6

Fotos: Divulgação

Sessão Review #6

Seja por falta de tempo, demora a ter acesso ou mesmo por escolha sobre o que escrever, muitas das produções que assisto não recebem uma crítica aqui no Plano Detalhe. Escrever criteriosamente demanda tempo e esforço.

Para oferecer, ao menos, um olhar superficial sobre o que foi visto ou revisto, a Sessão Review traz comentários mais objetivos das obras que ficaram de fora do blog.


A Morte Te Dá Parabéns 2 (Happy Death Day 2U, 2019)

Após ter se livrado do loop temporal no filme anterior, que a jogava novamente no dia de seu aniversário sempre que era morta por um assassino mascarado, Tree (Jessica Rothe) se vê presa novamente no fatídico dia, mas algo está diferente. Com a interferência de Ryan (Phi Vu), que também percebeu estar num loop temporal, a jovem é jogada numa realidade alternativa, mas não tem certeza se pretende corrigir tudo desta vez.

O filme dá um passo à frente ao expandir as possibilidades criadas anteriormente. Além de encontrar um desdobramento narrativo alinhado à proposta original, traz algumas preocupações palpáveis como dar à protagonista um novo dilema. Embora tenha toda uma vida em sua “dimensão natural”, essa nova realidade oferece algo emocional muito valioso para ela, e isso gera um conflito interessante.

 O humor segue ainda mais afiado, com uma morbidez bem-vinda que rende piadas inusitadas e divertidas. Outra coisa que é positiva é a maneira que a produção tem de não se levar à sério, isso permite uma autorreferência debochada que implica também em se ridicularizar e em não levar sua pseudociência como algo de grande substância. Por fim, Jessica Rothe continua muito apta a carregar a produção, mostrando ótimo timing cômico e boa capacidade dramática nas poucas cenas mais exigentes.

A Morte Te Dá Parabéns 2 é leve, descompromissado, divertido e deliciosamente absurdo. Para quem procura escapismo, é um prato cheio!

Nota 7,5/10


Entre Nós (2013)

Sete amigos escritores escrevem cartas para eles mesmos, mas essas cartas só podem ser abertas 10 anos depois. Passado período combinado, eles se reencontram e se deparam com as diversas mudanças causadas pelo tempo.

Escrito por Paulo Morelli, que dirige o filme ao lado do filho Pedro, o roteiro é bem decepcionante na construção de sua história. Filmes desse tipo dependem muito da força dos diálogos, já que a trama se passa num cenário limitado e a proposta é mesmo mostra a interação do grupo.

Logo, os diálogos precisam ser dinâmicos, inteligentes e capazes de usar os detalhes para construir as personagens através das sutilezas, das nuances. Não é o que ocorre aqui. Entre Felipe (Caio Blat), dono do arco dramático melhor desenvolvido, e Lúcia (Carolina Dieckmann), a personagem mais inexpressiva, existe um grupo de figuras a estereótipos rasteiros.

Todos são rasos, superficiais, identificados por suas características mais fortes: tem o crítico chato, a divertida magoada, o cara triste, a mulher livre e segura... O problema é que quase nada acontece para dar complexidade ao grupo, todos são apenas o que sugerem suas características mais marcantes. O filme sequer se dá o trabalho de incluir discussões ou passagens literárias, o que é estranho já que todos são escritores.

Mesmo com um elenco bom, Entre Nós é mal escrito, cansativo e desinteressante. O potencial reflexivos e de humanização é deixado de lado para que a produção se entregue às escolhas fáceis. O resultado é entediante.

Nota 4/10


Um Contratempo (Contratiempo, 2016)

Dorian (Mario Casas) é um empresário de sucesso que está sendo acusado de assassinar sua amante, Laura (Bárbara Lennie), mas ele jura ser inocente. Sua versão da história, porém, é bastante questionável.

O roteiro, assinado pelo diretor Oriol Paulo, é instigante e ambíguo. O fato de ser narrado em primeira pessoa, pelo protagonista, nos faz tentar compreender a versão contada e ter empatia. Mas também nos deixa receosos, já que apenas temos a sua versão. Fica a dúvida se estamos diante de um narrador confiável.

Algumas facilitações narrativas surgem e podem soar como falhas, mas há inteligência o suficiente aqui para reverter alguns desses “problemas” de forma coerente. Diversas reviravoltas acontecem no decorrer do filme e isso causa boas surpresas, mas também esbarra no que considero o problema mais grave da produção.

Na tentativa de surpreender, algumas escolhas parecem estar ali apenas para impactar, causar choque pelo choque. Isso tira o peso do suspense bem construído na maior parte e fica ainda mais acentuado quando uma determinada escolha é tomada, ferindo a “regra” estabelecida pela lógica daquele universo. Um momento que realmente me afasta do filme.

De qualquer forma, Um Contratempo é envolvente, ágil, bem conduzido, conta com boas atuações – principalmente de Ana Wagener –, e, acima de tudo, intrigante.

Nota 7,5/10


The Crown – 1ª Temporada (2016)

A produção original Netflix conta a história da Rainha Elizabeth II (Claire Foy). Nessa primeira temporada, acompanhamos o processo de amadurecimento da monarca e como a Coroa interfere diretamente em sua vida pessoal.

Criada por Peter Morgan, que é um roteirista experiente e de ótimos trabalhos, e com os dois primeiros episódios dirigidos pelo ótimo Stephen Daldry, a série traz uma grande parcela de problemas que, à primeira vista, podem soar artificiais: um casal irritado porquê é obrigada a morar num palácio, uma família refém de tradições milenares, um marido frustrado porque não pode fazer nada sem permissão do parlamento...

Entretanto, tudo o que parece irrelevante para um público não conectado com a realeza, na verdade, serve para humanizar uma figura socialmente inalcançável. A pessoalidade perdida diante da tradição, dos deveres e dos comportamentos que, supostamente, são esperados pelos súditos.

É forte ver como, aos poucos, o casamento de Elizabeth e Philip (Matt Smith) se torna amargo, como a Coroa está sempre entre eles e ofuscando a mulher que a carrega. Essa distância é brilhantemente mostrada nas diversas cenas onde Philip brinca com os filhos e Elizabeth apenas se reserva o direito de espioná-los, por alguns segundos, de longe, afastada por janelas ou corredores enormes. O cargo ocupado por ela a impede de ter uma vida comum e saciar vontades próprias, o que também abala sua relação com a irmã Margaret (Vanessa Kirby).

Direção de arte, figurino e maquiagem são irretocáveis, criando época com muito luxo e bom gosto. O roteiro é inteligente, repleto de diálogos fortes, nuances ricas e personagens bem construídas. Todo o elenco foi muito bem escolhido, mas o destaque é mesmo Claire Foy. É fascinante como ela consegue transformar uma pessoa “sem brilho próprio” em alguém carismático e interessante, sem falar que sua postura sempre contida, até quando está irritada, é excelente.

A primeira temporada de The Crown demorou um pouco a me prender, mas me deixou completamente imerso e interessado naquelas pessoas e em suas vidas.

Nota 9/10

25/10/2019 05:00

O Cinema Brasileiro é mesmo ruim?

O Cinema Brasileiro é mesmo ruim?

Por João Victor Wanderley

Recentemente me deparei com um texto de Sérgio Trindade que me despertou vontade de debater, de trocar uma ideia. O texto, intitulado O Cinema Brasileiro é Ruim, trazia reflexões sobre a visão do autor em relação à pratica cinematográfica realizada aqui no país. Toda leitura que faça pensar é valorosa, concorde o leitor com ela ou não.

Desde então, fiquei com a reflexão na cabeça e senti a necessidade escrever. Discordo categoricamente do que li, mas não venho aqui rebater apenas por rebater, não se trata de medir certo ou errado. Apenas acredito que discutir sobre o tema seja realmente importante. Por isso, respeitosamente, ofereço uma ótica diferente.

“Sou crítico dos filmes nacionais porque os assisto e os acho ruins”, diz Trindade num trecho. O que me chama atenção nessa frase é justamente a subjetividade do gostar. É comum que a gente associe qualidade de um filme à nossa apreciação, à nossa experiência. Logo, se gostamos é porque é bom. Eu não concordo com esse pensamento.

Gostar é algo muito pessoal, está ligado à nossa capacidade empática com a obra, a maneira como ela nos cativa. Já “ser bom” está diretamente ligado aos seus atributos técnicos, aos recursos escolhidos para construir a narrativa. Sendo mais claro: O bom filme é aquele feito com domínio técnico, utilização inteligente de recursos (atuação, direção, roteiro, fotografia, etc...) para contar histórias, mas uma obra que atende bem esses quesitos não será, necessariamente, capaz de nos cativar.

(2011 - Uma Odisseia no Expaço X O Noviço Rebelde. Nem sempre gostamos do que é bom)

Stanley Kubrick fez de 2001 - Uma Odisseia no Espaço (1968) uma das obras mais aclamadas de Hollywood. Grande direção, belos efeitos especiais, um tema intrigante e provocador. Esse é um exemplo de filme bom que eu não gosto. Acho arrastado e cansativo – embora sua lentidão tenha lógica –, não consigo me conectar com ele.

Por outro lado, e para citar um brasileiro, é provável que eu tenha mais empatia e carinho por O Noviço Rebelde (1997), protagonizado por Renato Aragão. Mesmo se tratando de uma obra extremamente problemática, com atuações exageradas, roteiro bobo e direção apática, traz alguma coisa que me faz sorrir, e isso desperta empatia em mim.

Quando presumimos que um filme brasileiro é ruim só por ser daqui, estamos sendo levados por vozes de outras experiências, que consideraram bem mais o “gostar”. Não que exista algo errado em não gostar de um filme nosso. Cada um sabe exatamente o que lhe agrada e o que não. Mas cada produção é diferente, não se pode dizer que todos são ruins só porque falam a mesma língua.

Isso me leva à próxima citação de Trindade: “Os nossos cineastas e os nossos intelectuais dizem que o público brasileiro boicota os filmes produzidos aqui.”. Não me atrevo a dizer que há um boicote. Boicote é algo consciente. Não imagino um movimento contrário ao cinema nacional, mas não nego que haja resistência.

Replicar que produções nacionais são ruins ajuda nessa resistência. A produção nacional sempre encontrou dificuldades, o que rendeu trabalhos de baixíssimo orçamento – o gênero da pornochanchada, com forte teor erótico, acabou contribuindo também com essa imagem, já que o país sempre adorou conservadorismo... Quando se tem em mente que algo não é bom, qualquer coisa boa que saia de lá será ignorada.

(Lisbela e o Prisioneiro é dos filmes mais lindos que eu já vi)

De fato, algumas obras são ruins: Bezerra de Menezes - O Diário de Um Espírito (2008), S.O.S.: Mulheres ao Mar (2014) e Até que a Sorte nos Separe (2012) – e todos encontram uma parcela respeitável de fãs. Mas muita coisa boa também aparece: Tropa de Elite (2007), Lisbela e o Prisioneiro (2003) e Bacurau (2019) – e, obviamente, esses também têm seus detratores.

Outro ponto a ser levantado é o valor cobrado pelos estabelecimentos. Hoje, não se assiste um filme por menos de R$ 22,00, a não ser que o cliente participe de alguma promoção ou faça parte de algum grupo beneficiado pela meia entrada. Portanto, quando se vai ao cinema disposto a pagar tão caro, o espectador prefere investir em algo de mais fácil empatia e que lhe dê um retorno mais claro – como os que usam melhor as dimensões da tela gigante ou o som potente. Pagar caro para ver um drama apoiado em diálogos pode não ser atraente para muitos.

Mas, que fique registrado, já me deparei com salas cheias em sessões de obras brasileiras em eventos como Projeta Brasil, que dedica um dia inteiro ao cinema nacional a um preço ótimo – se não me engano, o último preço registrado foi de R$ 4,00. Tive a oportunidade de ver, por exemplo, Muito Gelo e Dois Dedos D’Água (2006), Romance (2008) e Saneamento Básico - O Filme (2007), todos com as salas lotadas. Diferente do ótimo 2 Coelhos (2012), que devia ter umas 15 pessoas quando vi numa sessão normal.

Por fim, não dá para negar a presença pesada de Hollywood na ocupação das salas de projeção. Eu comparo esse fenômeno com o futebol: uma criança potiguar que cresce vendo o Corinthians pela TV, não vê transmissão dos jogos de ABC e América e nem vai ao estádio, dificilmente não se tornará torcedor do time paulista. Claro que isso não é uma regra, mas é a tendência.

Com a sétima arte é igual. Trindade fala: “Há quem aponte falta de recursos técnicos e a concorrência nociva do cinema norte-americano, outra rematada asneira.”. Vários filmes brasileiros não chegam às telonas. Outros até chegam, mas é atípico que permaneçam em cartaz por mais de uma ou duas semanas. Enquanto isso, franquias como Velozes & Furiosos e o Universo Cinematográfico Marvel, que atendem as demandas financeiras do comércio, ocupam diversas salas por diversas semanas.

(Vingadores - Ultimato arrecadou mais de 2,7 bilhões de dólares no mundo)

Vingadores – Ultimato (2019) chegou a ser exibido em 80% das salas brasileiras. Isso é um número monstruoso. Aqui em Natal, entre as duas primeiras semanas de exibição, uma rede reservou todas as sessões em um dia de feriado nacional, TODAS! Eu entendo a dinâmica capitalista e sei que a empresa lucra em eventos assim – e até a permite apostar em filme de menos apelo comercial, como faz toda semana –, mas é muito difícil algo semelhante acontecer com nossas produções .

Ainda em Natal, Bacurau e Divaldo - O Mensageiro da Paz (2019) conseguiram a proeza de se sustentarem em cartaz por muitas semanas, mas são pontos fora da curva. O primeiro já chegou badalado pela vitória em Cannes, respeitado festival internacional; o segundo tem um público cativo muito forte, trata de uma personalidade religiosa importante. Tirando eles, não me recordo de outro exemplar nacional que tenha se saído tão bem e que não pertença a essas séries de comédia lucrativas como De Pernas Para o Ar e Minha Mãe é Uma Peça.

Sem falar que a demanda de Hollywood interfere diretamente na nossa maneira de ver cinema. Assistir a tantos filmes produzidos a ritmo industrial e, muitas vezes, superficiais afeta nosso discernimento. Fator que justifica outra frase de Trindade: “O maior inimigo do cinema brasileiro é querer ser brasileiro demais, é querer capturar, como direi?, o Brasil como ele é (seja lá o que isso signifique) e mostrá-lo pra nós mesmos e para o mundo.”.

Cinema é diversão, lazer e escapismo. Mas também é arte, é voz, identificação e protesto. Achar que nossos filmes são “brasileiros demais” é sinal de uma identidade visual perdida. Não se faz cinema apenas nos EUA. França, Espanha, Japão e Argentina, por exemplo, têm características próprias muito fortes e as preservam. Não podemos abrir mão das nossas.

24/10/2019 19:13

Continuação de Zumbilândia chega aos cinemas; veja a programação

Fotos: Divulgação

Continuação de Zumbilândia chega aos cinemas; veja a programação

Confira as estreias e os filmes que permanecem em cartaz nos cinemas de Natal entre 24 e 30 de outubro:


Estreias

Zumbilândia - Atire Duas Vezes (Zombieland 2 - Double Tap, 2019): Anos depois de se unirem para atravessar o início da epidemia zumbi nos Estados Unidos, Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) seguem buscando novos lugares para habitação e sobrevivência. Quando decidem ir até a Casa Branca, acabam encontrando outros sobreviventes e percebem que novos rumos podem ser explorados.

(16 anos, 99 minutos)

Rainha de Copas (Dronningen, 2019): Anne é uma advogada do direito das crianças e dos adolescentes. Acostumada a lidar com jovens complicados, ela não tem muitas dificuldades para estreitar laços com seu enteado Gustav, filho do primeiro casamento de seu marido Peter, que acaba de se mudar para sua casa. No entanto, a relação que deveria ser paternal se torna romântica, envolvendo Anna em uma situação complexa, arriscando a estabilidade tanto de sua vida pessoal quanto profissional.

(18 anos, 127 minutos)

Encontros (Deux Moi, 2019): Rémi (François Civil) e Mélanie (Ana Girardot) têm em torno de 30 anos e, apesar de morarem em prédios um ao lado do outro, não se conhecem. Ambos estão solteiros e enfrentam problemas pessoais: ele, devido à demissão de praticamente todos de seu antigo trabalho enquanto foi promovido para outro setor; ela, sem conseguir superar o término de um longo relacionamento, cujo fim já tem um ano. Cada um à sua maneira, os dois buscam meios de lidar com o momento depressivo através das redes sociais: ele pelo Facebook, ela através do Tinder.

(12 anos, 110 minutos)


Continuam em cartaz

Malévola - Dona do Mal (Maleficent - Mistress of Evil, 2019): Na sequência do sucesso de bilheteria global de 2014, Malévola e sua afilhada Aurora começam a questionar os complexos laços familiares que as prendem, à medida que são puxadas em direções diferentes por casamentos, aliados inesperados e novas forças sombrias.

(10 anos, 118 minutos)

Projeto Gemini (Gemini Man, 2019): Henry Brogan é um assassino de elite que se torna o alvo de um agente misterioso que aparentemente pode prever todos os seus movimentos. Ele logo descobre que o homem que está tentando matá-lo é uma versão mais jovem e rápida de si mesmo.

(14 anos, 117 minutos)

Morto Não Fala (2018): Plantonista de um necrotério, Stênio (Daniel de Oliveira) possui um dom paranormal de se comunicar com os mortos. Trabalhando a noite, ele já está acostumado a ouvir relatos do além. Porém, quando essas conversas revelam segredos sobre sua própria vida, o homem ativa uma maldição perigosa para si e todos a sua volta.

(16 anos, 110 minutos)

Eu Sinto Muito (2019): Um cineasta está produzindo um documentário sobre transtornos de personalidade borderline. Para isso, ele acompanha três pessoas que apresentam alguma crise e/ou instabilidade emocional, que têm dificuldades em manter relações interpessoais, seja por terem sofrido algum tipo forte de trauma ou não.

(100 minutos)

Coringa (Joker, 2019): Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne é seu maior representante.

(16 anos, 121 minutos)

Angry Birds 2 - O Filme (The Angry Birds Movie 2, 2019): Quando surge uma nova ameaça, que coloca a Ilha dos Pássaros e a Ilha dos Porcos em perigo, Red, Chuck, Bomb e a Super Águia recrutam a irmã de Chuck, Silver, declaram tréguas e formam uma aliança com os seus inimigos porcos. Leonard, a sua assistente Courtney e o informático Garry também se juntam, formando uma improvável super equipe com o objetivo de salvar as suas ilhas.

(Livre, 97 minutos)

Abominável (Abominable, 2019): Quando a adolescente Yi encontra um jovem Yeti no telhado de seu prédio em Xangai, ela e seus amigos travessos Jin e Peng o nomeiam “Everest”. O grupo embarca numa jornada épica para levar a criatura mágica de volta para sua família no ponto mais alto da Terra. Mas, para ajudar “Everest” a voltar para casa, precisarão estar sempre um passo à frente de Burnish – um homem rico com a intenção de capturar um Yeti –, e da zoóloga Dr. Zara.

(Livre, 97 minutos).


Programação especial e Pré-vendas Cinépolis

O Iluminado (The Shining, 1980): Baseado na obra de Stephen King, Stanley Kubrick mistura grandes interpretações, cenários ameaçadores, cenas extraídas de um sonho e sustos constantes, transformando o filme num marco do terror. No papel principal, Jack Nicholson interpreta Jack Torrance, que vai para o elegante e isolado Overlook Hotel com sua esposa (Shelley Duvall) e o filho (Danny Lloyd), para trabalhar como zelador durante o inverno. Torrance jamais havia estado naquele lugar antes. Ou será que havia? A resposta está na fantasmagórica jornada de loucura e assassinato.

Em preparação para a estreia da continuação, Doutor Sono, também inspirada numa obra de King, o Cinépolis Natal Shopping exibirá uma sessão única do clássico, às 19h40 do dia 29 de outubro!

(14 Anos, 146 minutos).

Pré-Venda O Exterminador do Futuro - Destino Sombrio (Terminator - Dark Fate, 2019): 27 anos após os eventos de O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, um novo e modificado Exterminador de metal líquido (Gabriel Luna) é enviado do futuro pela Skynet para exterminar Dani Ramos (Natalia Reyes), uma híbrida de ciborgue com humana (Mackenzie Davis) e seus amigos. Sarah Connor (Linda Hamilton) vai a seu auxílio, assim como o Exterminador original (Arnold Schwarzenegger), em uma luta pelo futuro

O filme estreia no dia 31 de outubro e será exibido pelo Cinépolis Natal Shopping e pelo Cinépolis Partage Norte Shopping Natal.

(14 anos, 128 minutos)

Pré-venda Star Wars - A Ascensão Skywalker (Star Wars - The Rise of Skywalker, 2019): Mais uma vez, os espectadores serão levados numa jornada épica em uma galáxia muito, muito distante. Na fascinante conclusão da saga Skywalker, novas lendas nascerão e a batalha final pela liberdade ainda está por vir.

A pré-estreia do filme acontece no dia 18 de dezembro e será exibida pelo Cinépolis Natal Shopping e pelo Cinépolis Partage Norte Shopping Natal.

(155 minutos)

Os horários podem ser verificados nos sites dos cinemas.

21/10/2019 05:00

A Vida de Brian e a atemporalidade

A Vida de Brian e a atemporalidade

Por João Victor Wanderley

Vários elementos podem atribuir atemporalidade a uma obra cinematográfica, seja uma atuação inesquecível, direção inspirada, relevância social, retrato de um período... Enfim! Dentre tantas possibilidades, uma em particular me agrada bastante: a capacidade de dialogar com diferentes épocas.

A produção que se comunica com diversas gerações sobrevive às barreiras do tempo, se pondo como memorável. Em minha modesta opinião, o Monty Python consegue isso magistralmente com o ácido A Vida de Brian (Life of Brian, 1979). Brian (Graham Chapman) nasce ao mesmo tempo que Jesus Cristo, num estábulo vizinho. Isso permite que muitos o confundam com o Messias e o coloca em situações inesperadas.

Composto por Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Michael Palin e Terry Jones, o Monty Python estreou na TV em 1969 e comandou um programa humorístico estruturado em esquetes, onde cada membro interpretava vários personagens. As piadas cotidianas eram permeadas por sátiras eficientes da sociedade.

O sucesso na TV britânica permitiu a investida no cinema e A Vida de Brian foi o terceiro projeto do grupo na sétima arte. Embora se esforce para alinhar uma história tradicional à plataforma escolhida, o roteiro – assinado por todos os integrantes – não consegue fugir totalmente da estrutura televisiva.

Por mais que uma figura central conduza todo o filme, é possível notar blocos que se sustentariam isoladamente – como esquetes –, contendo início, meio e fim. Ainda tem o fato de cada integrante interpretar diversos personagens, assim como na TV.

(Elenco do filme se reveza em diversos personagens)

O filme se permite brincar com diferentes situações de humor. Há espaço para comédia de equívocos, mostrada já na cena inicial quando os Três Reis Magos confundem Brian com Jesus; para o besteirol, como na cena do trocadilho envolvendo o romano Biggus Dikus (também Chapman); quebras de expectativas, como quando uma pichação contra os romanos vira, por parte de um soldado, aula de ortografia – que é divertidíssima – ou quando Stan (Eric Idle) decide que quer ser uma mulher e pede para ser chamado de Loretta – mostrando uma abertura temática polêmica para a época e, ainda hoje, cheia de resistência –; e, por fim, o nonsense, como na sequência envolvendo os extraterrestres – que considero deslocada demais e bem ruim.

Porém, o grande acerto da obra está em usar seu tom aparentemente ingênuo para ambientar ácidas críticas a determinados aspectos da religiosidade. Da cena pós-créditos iniciais ao fim, a produção carrega alfinetadas à maneira como a religião é distorcida por parte dos fiéis.

O sermão da montanha feito por Jesus serve de gancho para apontar falhas na interpretação da Palavra. Distantes para ouvirem o Messias com clareza, Brian e outros presentes não conseguem compreender o que é dito. Em determinado momento, alguém afirma que Jesus chamou os queijeiros de bem-aventurados. Em seguida, surge uma interpretação “mais densa” das palavras não ouvidas.

Ainda que o momento demonstre certa aleatoriedade em sua superfície, permite uma camada mais reflexiva em suas entrelinhas. Afinal, a palavra de Deus ultrapassa gerações através de anotações que ganharam muitas traduções e alterações devem ter acontecido neste processo.

O extremismo religioso não é ignorado, sendo desconstruído sob diferentes óticas. Pelo lado islâmico, os movimentos revolucionários ganham sátira intensa. A Frente do Povo Judeu é criada para libertar a população local dos romanos. Mesmo que a iniciativa tenha as mesmas intensões da Frente Judaica do Povo e da Frente Popular da Judeia, não existe comunicação entre eles, que se odeiam.

(A Vida de Brian faz críticas pertinentes ao extremismo religioso)

Três movimentos, com nomes e motivações similares, que nada de positivo trazem ao povo por alimentar o ódio entre si; que usam violência antes de lutar realmente pelo bem do próximo. Similaridade que se perpetua até hoje pelos atos terrorista, guiados por líderes que compreendem o Alcorão com suas visões violentas de imposição cultural.

Já do lado católico, a idolatria por objetos tidos por sacros e a obediência inquestionável são refletidas por um Brian tomado por Messias. Se sua sandália cai do pé, logo se torna um objeto sagrado para a população. E a subserviência imediata é tão grande que já não adianta Brian gritar aos fiéis que pensem com suas próprias cabeças, que não se submetam às vontades de outros. Suas palavras não são mais processadas com lucidez.

Esteticamente, o filme conta com uma direção de arte simples, que tem uma locação funcional e figurinos adequados. A direção de Terry Jones é muito mais operacional que artística, jamais tentando dar significados aos enquadramentos escolhidos. Tudo é similar à linguagem televisiva, mas respeita a força do texto.

A religião é um elemento muito forte em nossa sociedade. Sempre foi e assim deve permanecer por muito tempo. Mas diversos aspectos em sua condução podem ser repensados, refletidos com dureza. Apesar de partir do humor, o Monty Pyton consegue provocar uma reflexão válida, que diz muito do passado e ecoa atualmente.

As críticas apontadas na obra podem, facilmente, ser trazidas para hoje que apresentarão sentido, reflexo de que a sociedade estagnou em determinados aspectos. A Vida de Brian ainda tem voz e isso se dá porque pouco foi alterado de 1979 para cá. Enquanto for assim, com diálogos sobre certos dogmas sendo evitados, o filme permanecerá atual por muito tempo.

Nota 8/10

17/10/2019 05:00

Malévola - Dona do Mal chega aos cinemas; veja a programação

Fotos: Divulgação

Malévola - Dona do Mal chega aos cinemas; veja a programação

Confira as estreias e os filmes que permanecem em cartaz nos cinemas de Natal entre 17 e 23 de outubro:

OBS: ATÉ O FECHAMENTO DO TEXTO, O SITE DE UM DOS CINEMAS APRESENTOU PROBLEMAS DE CONEXÃO. O TEXTO ESTÁ SUJEITO A POSSÍVEIS CORREÇÕES!


Estreias

Malévola - Dona do Mal (Maleficent - Mistress of Evil, 2019): Na sequência do sucesso de bilheteria global de 2014, Malévola e sua afilhada Aurora começam a questionar os complexos laços familiares que as prendem, à medida que são puxadas em direções diferentes por casamentos, aliados inesperados e novas forças sombrias.

(10 anos, 118 minutos)

Um amor Impossível (Un Amour Impossible, 2018): Baseado no bestseller de Christine Angot, no final dos anos 1950, em Châteauroux, França, Rachel, uma modesta funcionária de escritório, conhece Philippe, um jovem brilhante nascido de uma família burguesa. A partir desta breve, mas apaixonada, conexão, nasce uma pequena filha, Chantal. Philippe se recusa a se casar fora de sua classe social e Rachel tem que criar a filha sozinha. Para Rachel, Chantal é sua grande felicidade e, por isso, luta para que nunca falte nada a ela e exige que Philippe lhe dê seu nome à filha. Essa batalha dura de mais de dez anos e acabará por mudar as vidas de todos.

(16 anos, 135 minutos)


Continuam em cartaz

Projeto Gemini (Gemini Man, 2019): Henry Brogan é um assassino de elite que se torna o alvo de um agente misterioso que aparentemente pode prever todos os seus movimentos. Ele logo descobre que o homem que está tentando matá-lo é uma versão mais jovem e rápida de si mesmo.

(14 anos, 117 minutos)

Morto Não Fala (2018): Plantonista de um necrotério, Stênio (Daniel de Oliveira) possui um dom paranormal de se comunicar com os mortos. Trabalhando a noite, ele já está acostumado a ouvir relatos do além. Porém, quando essas conversas revelam segredos sobre sua própria vida, o homem ativa uma maldição perigosa para si e todos a sua volta.

(16 anos, 110 minutos)

Eu Sinto Muito (2019): Um cineasta está produzindo um documentário sobre transtornos de personalidade borderline. Para isso, ele acompanha três pessoas que apresentam alguma crise e/ou instabilidade emocional, que têm dificuldades em manter relações interpessoais, seja por terem sofrido algum tipo forte de trauma ou não.

(100 minutos)

Coringa (Joker, 2019): Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne é seu maior representante.

(16 anos, 121 minutos)

Angry Birds 2 - O Filme (The Angry Birds Movie 2, 2019): Quando surge uma nova ameaça, que coloca a Ilha dos Pássaros e a Ilha dos Porcos em perigo, Red, Chuck, Bomb e a Super Águia recrutam a irmã de Chuck, Silver, declaram tréguas e formam uma aliança com os seus inimigos porcos. Leonard, a sua assistente Courtney e o informático Garry também se juntam, formando uma improvável super equipe com o objetivo de salvar as suas ilhas.

(Livre, 97 minutos)

Ela Disse, Ele Disse (2019): Rosa é uma menina estudiosa; Léo manda bem no futebol. Ela é pontual; ele está sempre atrasado. Ela detesta Júlia, a menina mais popular do colégio; ele até que gosta dela. Os dois são alunos novos na escola e, além de aprender a lidar com os novos amigos e os problemas na família, descobrem que têm muito mais em comum do que imaginavam. Baseado na obra de sucesso de Thalita Rebouças, eles vão descobrir que crescer pode parecer complicado, mas no fundo, é a maior aventura.

(12 Anos, 78 minutos).

Abominável (Abominable, 2019): Quando a adolescente Yi encontra um jovem Yeti no telhado de seu prédio em Xangai, ela e seus amigos travessos Jin e Peng o nomeiam “Everest”. O grupo embarca numa jornada épica para levar a criatura mágica de volta para sua família no ponto mais alto da Terra. Mas, para ajudar “Everest” a voltar para casa, precisarão estar sempre um passo à frente de Burnish – um homem rico com a intenção de capturar um Yeti –, e da zoóloga Dr. Zara.

(Livre, 97 minutos).

Os horários podem ser verificados nos sites dos cinemas

14/10/2019 20:35

El Camino - A Breaking Bad Film: epílogo honesto

Fotos: Netflix

El Camino - A Breaking Bad Film: epílogo honesto

Por João Victor Wanderley

ATENÇÃO! O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DO FILME E DA SÉRIE

Desapegar de uma série amada sempre é um problema, saber que ela jamais trará novos episódios incomoda um pouco. Por isso, mesmo que o final tenha sido irrepreensível e não necessite de continuidade, nossos corações se enchem de muitas expectativas quando alguma nova história é anunciada. Foi assim com El Camino – A Breaking Bad Film (2019), sequência direta de uma das melhores obras que já vi na vida.

Após escapar do cativeiro onde foi obrigado a recriar a famosa metanfetamina de seu antigo mentor Walter White (Bryan Cranston), Jesse Pinkman (Aaron Paul) reúne o resto de forças que tem para tentar fugir de Albuquerque e recomeçar a vida.

Alimentar expectativas ao revisitar um universo tão querido nunca é positivo. Esperar demais afeta diretamente a experiência, e aqui reside o primeiro problema da produção. El Camino não traz momentos tão emocionalmente marcantes como a série, pelo contrário. Sua força está justamente nas nuances, no interior de um homem ferido.

Se o filme fosse o capítulo final, talvez decepcionasse pelo declínio dramático. Mas ele não é! E isso dá uma ótica mais positiva. Se torna muito mais fácil aceitá-lo como um material extra, que poderia estar presente num box da série como um bônus aos fãs apaixonados. Ele funciona bem como epílogo, construído com lógica e honestidade.

Me incomodou bastante olhar para Aaron Paul, hoje, e ter que aceitar que Jesse tem a mesma idade do desfecho de Breaking Bad. Embora a atração tenha ficado seis anos no ar, a trama se desenvolveu em dois. O envelhecimento dele já era desproporcional em 2013, quando o episódio final fora exibido, e isso se torna ainda mais sentido agora, seis anos depois.

(Jesse Pinkman na primeira temporada, temporada final e em El Camino)

Apesar disso, é preciso destacar a competência que Vince Gilligan demonstra ao revisitar a própria obra e entregar um material respeitoso. Como diretor, recria a atmosfera melancólica e pesada que marcou a fase final do projeto televisivo.

A trilha sonora de Dave Porter traz o tom pesaroso que serve à trama e nos reinsere em Albuquerque. Algo parecido vem da ótima montagem de Skip Macdonald, que resgata elementos como o Time Lapsing – técnica que consiste em deixar a câmera estática gravando por um bom tempo e utilizar as imagens numa velocidade acelerada –, e, principalmente, pela fotografia de Marshall Adams.

Adams entrega rimas visuais, como o enquadramento de Jesse empunhando uma arma – remetendo diretamente ao final da terceira temporada –; encontra soluções práticas e interessantes, como o apartamento filmado de cima durante uma revista; e tomadas de valor narrativo, como na cena do deserto onde os planos fechados, que aumentam a tensão, são contrapostos pelos abertos, dimensionando o local, que dialogam com a solidão do protagonista.

Mas o maior mérito de Gilligan está mesmo em conseguir achar uma história. O roteiro joga com cartas já conhecidas e quando precisa trazer algo novo, o faz de maneira orgânica. Ao se dedicar a Better Call Saul, iniciada em 2015, o showrunner dava nova camada ao universo que criou, mas sem a obrigação de fidelidade por se trata de um momento anterior. Com El Camino, a responsabilidade é muito maior por ser continuação direta, e ele se sai bem demais.

Alguns retornos eram inevitáveis, como os de Skinny Pete (Charles Baker) e Badger (Matt Jones). A dupla, que serviu de alívio cômico, agora ampara o amigo sofrido e desamparado, momento de compaixão e de fortalecimento de laços. A volta de Ed (Robert Forster) também soa coerente.

(Robert Foster retorna como o "facilitador" Ed)

O homem que, no passado, providenciou novas identidades para Walt e Saul Goodman (Bob Odenkirk) se mostra como a melhor alternativa de fuga para quem quer deixar a cidade clandestinamente. O senhor e a senhora Pinkman (Michael Bofshever e Tess Harper) também são vistos numa cena que funciona para mostrar tanto a humanidade preservada pelo protagonista quanto a inteligência deste.

Até o novo personagem, Neil (Scott MacArthur), é amarrado com sagacidade ao ter envolvimento direto com os homens que aprisionaram Pinkman. A escolha se mostra correta ao apresentar um novo obstáculo sem distanciá-lo do passado, alguém que mesmo de fora tinha conhecimento e interferência no que havia acontecido.

Apesar da história extremamente simples e até curta, sem tantas possibilidades, o roteiro encontra em sua estrutura narrativa a maneira ideal de conduzir a trama com a profundidade necessária. Os flashbacks surgem como alternativa muito válida, trabalhando o psicológico e trazendo informações úteis para que ele encontre uma maneira de fugir.

Compreendemos, por exemplo, a complexa relação entre Jesse e Todd. Todd é um sociopata assustador, que guarda uma natureza violenta sob modos gentis e tranquilos. É legal que Gilligan mostre um pouco mais desse personagem, que exerce influência imponente em sua presa. Pinkman está tão abalado que, sequer, consegue ter iniciativa de tentar escapar quando tem chance.

Os flashbacks ainda auxiliam na construção do protagonista, bem como cumpre com naturalidade a tarefa de ser um Fan Service. Logo, ao vermos Walt e Mike (Jonathan Banks), não estamos apenas matando a saudade, mas mergulhando numa construção narrativa eficiente.

(O filme usa flashbacks para movimentar a trama e presentear os fãs) 

O primeiro ganha um momento de ternura e cumplicidade quando, numa lanchonete, conversa trivialidades e demonstra genuína preocupação com o futuro do “discípulo”. O segundo, que aparece já na primeira cena, se mostra um norte ao sugerir algo pessoal. Ambos são projeções paternais por parte do protagonista, que sempre foi emocionalmente desamparado.

No meio disso tudo, Aaron Paul comanda a produção com uma interpretação sólida, sofrida e contida. A transição que ocorre no decorrer da jornada é palpável. Paul, inicialmente, dá vida a um homem cabisbaixo, que olha de baixo para cima e se apequena diante de seu carrasco. Apreensivo e atormentado, sofre com memórias que o tiram da liberdade e o jogam novamente sob tortura e sofrimento.

À medida que luta pela própria vida, retoma a atitude, dá segurança à voz e corrige a postura, se prostrando como alguém que se impõe quando necessário – mesmo que traga alguma ingenuidade que lhe é natural, como quando confronta Ed numa cena que resgata algo de sua juventude perdida.

El Camino - A Breaking Bad Film é uma boa homenagem, conduzida com honestidade. Um material adicional que acrescenta ao produto original sem ferir o que foi construído durante 6 anos. Não se trata de uma investida em busca de retorno financeiro, mas de um epílogo coerente para um personagem tão importante, que se beneficia com um pouco mais de espaço.

Nota 8/10

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