P-47 Aviação e História

[Foto] Como o Graf Zeppelin viu Natal do céu?

[Foto] Como o Graf Zeppelin viu Natal do céu?

A década de 1930 foi muito importante para a história da aviação mundial e de Natal. Um dos fatos mais pitorescos foi a passagem do dirigível Graf Zeppelin, com designação D-LZ127, que passou sobre a cidade inúmeras vezes entre os anos de 1930 e 1936, assim como o seu similar o Hindenburg D-LZ129.

Foto do Zeppelin sobrevoando são amplamente difundidas, contudo, quase todas elas são fotos mostrando a aeronave em voo. Pois bem, esta semana tivemos acesso a uma fotografia retirada de dentro do dirigível, captando parte da travessa Aureliano, Rio Potengi, Capitania dos Portos e alguns prédios da Ribeiro. A imagem estava de posse de um colecionador na Bulgária.

Foto comparando a vista atual e a década de 1930.

Zeppelin sobre Natal

Janeiro de 1943: O mês que mudou a guerra no Atlântico

Janeiro de 1943: O mês que mudou a guerra no Atlântico

Em janeiro de 1943, há 77 anos, a guerra começou a mudar no Atlântico Sul com o afundamento de submarinos alemães na costa brasileira. O temido U-Boot 507 (U-507) pereceu em 13 de janeiro, enquanto que o U-164 havia afundado sete dias antes.

A investida do dia 13 foi significativa, pois aquele submarino era o responsável pelo sucesso cerca de duas dezenas de navios atacados no ano de 1942, com maior destaque o mês de agosto quando, por três dias, alvejou seis embarcações mercantes brasileiras: Baependi, Araraquara, Aníbal, Benévolo, Itagiba, Arará e Jacira (matando centenas de pessoas inocentes). À época, o Brasil estava com as relações diplomáticas rompidas e depois da ação dos U-boots decidiu pela decretação do estado de beligerância com a Alemanha.

Mapa dos U-Boots afundados na costa brasileia a partir de 1943

O afundamento do U-164, próximo à costa de Fortaleza/CE, deu indícios da reviravolta na guerra. Os submarinos alemães agiam livremente no Atlântico até meados de 1942, de Norte a Sul do oceano, pois não existia meios eficientes de identificá-los sob as águas. Ao longo deste ano, a Marinha dos Estados Unidos tentou, sem sucesso, um contra-ataque com aviões que partiam de Natal, com destaque para os Catalinas dos esquadrões VP-52 e VP-83.

Com o adevento da tecnologia de rastreio marinho, os comboios passaram contar um meio eficiente que podia localizar as embarcações inimigas, com a precisão de quase antecipar um futuro ataque e posicionar as aeronaves de patrulha. Foi o que aconteceu com o U-507 e o U-164.

U-Boot

U-Boot é originado da palavra alemã Unterseeboot, que traduzido literalmente significa “barco debaixo d´água”, traduzido para o inglês como U-Boat. A marinha alemã é a criadora do sistema, ou seja, utilizar a vogal “U” seguido de um número para denominar seus submarinos. Essas embarcações ficaram famosas e temidas durante a Segunda Guerra devido a forma de ataque, silencioso e quase sempre trágico para os alvos, de maneira geral, navios de carga que abasteciam o esforço de guerra.

A menina na janela eternizada por uma fotografia

A menina na janela eternizada por uma fotografia

Acredito que umas das fotos mais populares que representa Natal na segunda guerra, com exceção de Vargas e Roosevelt a bordo do jeep Nº 7, seja a da menina na janela de sua residência na Avenida Rio Branco. Sempre que alguém via a foto falava que ela estava paquerando os americanos, ou pelo menos ouviu alguém dizer.

Pois bem, há poucos dias, eu tive o prazer de conhecer o irmão da mocinha e ele esclareceu que a menina à época era uma adolescente de aproximadamente 13 anos, portanto, não tinha esse interesse nos americanos. De acordo com ele, a história ganhou o mundo com a publicação da foto em diversas revistas e jornais - inclusive no livro Flight To Everywhere - , e todas as vezes quando havia oportunidade ele explicava que a foto era uma má interpretação. Atualmente, a Getty Images detém o direito de uso da fotografia e ainda consta em seu site, em petro e branco ou colorida.

Fomos informado ainda que a casa, cenário da foto, ainda pertence a família e está fechada há anos, restando apenas o piso e algumas paredes da residência original.

[13.01.2020] - Atualizado: Diversas pessoas me perguntaram se a menina da janela ainda estava morando em Natal. A resposta é não. Segundo o irmão, ela já é falecida.

Foto que está com a Getty Images

Atual estado da casa que serviu de cenário

[Livro] Flight To Everywhere

[Livro] Flight To Everywhere

Quando o assunto é Natal na segunda guerra mundial existem uma dúzia de livros e algumas dezenas de artigos científicos que valem a pena serem lidos, e um deles eu considero o Fligth To Everywhere de Ivan Dimitri.

A obra conta em detalhes a aventura que era ser um piloto do Air Transport Command (ATC), um braço da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (United State Army Air Forces - USAAF), em um percurso de 32 mil milhas de viagem, passando por florestas, desertos e o ártico.

No trajeto, ele passa por Natal e relata em detalhes a missão de transporte e faz alguns comentários sobre o cotidiano da cidade na década de 1940. Para minha surpresa, o livro é bem ilustrado e traz algumas imagens interessantes, como a menina na janela da avenida Rio Branco, os americanos bebendo na varanda do Grande Hotel e algumas fotografias coloridas, inclusive da construção da base de Parnamirim.

Adquiri o livro por meio do Ebay, por isso adianto que não é um material fácil de se conseguir. Pode procurar em PDF na internet, em arquivos apenas para leitura. Contudo, eu ainda prefiro ter o livro físico, por conveniência e sem falar ser uma raridade.

 

 

Espiões agindo em Natal ou apenas coincidência?

Antes mesmo do Brasil ou os Estados Unidos entrarem na segunda guerra mundial, o clima de suspeitas pairava sobre a cidade de Natal. O ano de 1941 foi decisivo, pois foi quando chegaram os primeiros técnicos responsáveis pela construção de Parnamirim Field e da base de hidroaviões, às margens do Rio Potengi, também conhecida como a Rampa. Tudo coincidência, a presença dos técnicos e dos "espiões".

Uma prova deste clima suspeito está nas correspondências trocadas entre o cônsul dos EUA em Natal, Harold Sims e o embaixador Jefferson Caffery, relatando incidentes nas obras e a movimentação de estrangeiros.

No dia 4 de dezembro de 1941, o cônsul americano comunicou a Embaixada a respeito da presença de um diplomata japonês em Natal, demonstrando surpresa que o mesmo não foi abordado pela polícia local, nem quando fotografava as construções americanas.

Segue a integra do relato:

[Tradução] – 4 de dezembro de 1941

Masakatsu Nosaki, diplomata japonês bem nutrido, passou três dias de folga em Natal na semana passada e realmente observou muito. De olhos bem abertos, fotografou as três bases em andamento aqui, e usou vários rolos de filme e registrou diversos ângulos da cidade. Ao contrário de alguns de seus compatriotas, Nosaki não foi impedido pela polícia, presumivelmente por causa de sua posição diplomática. Além de sua estreita associação com o pessoal da LATI, não se sabe se entrou em contato com mais ninguém aqui.

As três bases que o cônsul Sims faz referência, são a base de Parnamirim, a Rampa e a Base Naval de Natal, que também tinha sido iniciada. Uma coincidência, a visita do diplomata japonês aconteceu dias antes do ataque a Pearl Habor, em 7 de janeiro, que desencadeou a entrada americana na guerra definitivamente.

Pesquisando mais sobre o assunto, encontramos o mesmo relato no livro Pan Am At War, no qual aparece correspondência entre o presidente da Pan Am, Juan Trippe e autoridades do governo dos EUA.

Trecho do livro Pan Am at War:

Juan Trippe estava preocupado com a infiltração pró-nazistas nas operações da Pan Am no Brasil. Ele pediu ao Departamento de Guerra e Divisão de Inteligência Militar que investigasse ... O favor foi devolvido..., quando o Escritório de Inteligência Naval do Departamento da Marinha, em uma carta confidencial a Trippe. Em um memorando confidencial de 5 de maio de 1941, para Caffery, Sims relatou suas suspeitas de que o gerente da panair era “definitivamente prejudicial para o nosso trabalho aqui… em virtude de ele ter algumas relações comerciais com a LATI, CONDOR e AIR France, e completo acesso ao campo de Parnamirim, onde Panair está construindo uma base, ele pode estar atrasando a atividade ”. Em 14 de agosto, Sims informou ao Secretário de Estado dos EUA que uma bomba de combustível foi incendiada em um armazém da Standard Oil perto da base da ADP (Parnamirim), mas um vigia noturno extinguiu o incêndio. Sims informou a Caffery que um diplomata japonês chamado Masakatsu Nosaki passou três dias em Natal tirando fotos do trabalho da ADP e foi inexplicavelmente deixado sozinho pela polícia, embora houvesse suposições de que era devido ao seu status diplomático.

Apesar de constar nos documentos oficiais da embaixada dos EUA, não encontramos nada mais da presença do diplomata japonês em Natal ou o motivo de sua passagem por aqui.

28 de janeiro de 2020: o encontro de Vargas e Roosevelt completará 77 anos

28 de janeiro de 2020: o  encontro de Vargas e Roosevelt completará 77 anos

O ano de 2020, o dia 28 de janeiro mais precisamente, marcará 77 anos do encontro dos presidentes brasileiro e americano, Getúlio Vargas e Franklin Delano Roosevelt, respectivamente. O fato entrou para a história e foi eternizado na foto acima, marcado também por alguns detalhes que vamos revelar ao longo do mês de janeiro. Um deles, é como se nos dias de hoje, o presidente Trump passasse por Natal e o presidente Bolsonaro viesse ao encontro secretamente, sem avisar às autoridades locais, nem civis ou militares, no primeiro momento. Era assim em tempos de guerra.

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Natal tem noite chuvosa com trovões e relâmpagos