P-47 Aviação e História

O avião secreto que passou por Natal na época da segunda guerra

O avião secreto que passou por Natal na época da segunda guerra

Um dos planos mais audaciosos da Segunda Guerra Mundial – envolvendo estratégia de ataque e aeronaves – teve Natal como peça fundamental para o sucesso, no que ficou conhecido como Operação Matterhorn. Em janeiro de 1943, durante a Conferência de Casablanca o assunto veio à tona, com a ideia do presidente Franklin Roosevelt bombardear o Japão utilizando aeronaves de grande autonomia, com sugestão de utilizar os populares B-24´s “Liberators”.

O plano passou o ano em suspensão, até que no final de 1943, o Estado Maior da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos apresentou duas opções, uma utilizando as Ilhas Marianas e outra um deslocamento continental partindo dos EUA até a China, passando pelas Américas, África e Oriente Médio.

A primeira ideia dependia do avanço sobre as ilhas do Pacífico, principalmente, para ter um território seguro para pouso e decolagem, lembrando que desde 1941 com o ataque a Pearl Harbor, os japoneses foram conquistando muitos territórios, com lutas que se estenderam até 1945. Provavelmente, a maior derrota tenha sido em fevereiro do último ano, quando a Marinha dos EUA tomou Iwo Jima.

Já a segunda iniciativa, além de um deslocamento maior, necessitava de uma base permanente na Índia e aeródromos de apoio na China, o que demandava uma estrutura maior de tripulação, aeronaves, combustível, peças e meios aéreos. Esta se tornou a mais viável em 1943, com a construção destas bases ao longo de 1944 e a previsão de receber até 150 bombardeios B-29´s “Superfortaleza Voadora”.

Entre fevereiro e março de 1944, a base aérea de Parnamirim Field se torna a peça chave deste plano, quando o 40º Grupo de Bombardeio (40th Bombardment Group) deixa sua base no Kansas com destino final Chakulia, na Índia (No post sobre Trampolim da Vitória tem uma imagem desta rota). Ao passar por Natal, o grupo de aeronaves foi cerca de mistério e segurança, pois os B-29´s tinham pouco mais de um ano de operação e eram consideradas ultrassecretas. Há relatos de que a Militar Policy (MP) cercou a aeronave e impediu a aproximação das pessoas, pois o equipamento “não existia” para o público.

B-29 "Superfortaleza Voadora" no pátio de Parnamirim Field (Foto: Arcevo do autor)

Daqui, os aviões realizaram o famoso salto sobre o Oceano Atlântico, o que era considerado um desafio à época, mas ainda menos perigoso comparado ao que essas tripulações enfrentariam ao tentar passar pelo Himalaia em direção a China. Apenas em abril de 1944, de um único esquadrão pelo menos cinco Superfortalezas Voadoras caíram nesta tentativa.

Um dia antes do Dia-D na Europa, em 5 de junho de 1944, o 40º Grupo de Bombardeio realizaram o primeiro ataque partindo da Índia, tendo como alvo fábricas e ferrovias na Tailândia, totalizando mais de 3.600 km de viagem de ida e volta, a maior em distância realizada até então. Em 15 de junho, partindo da China, finalmente atinge alvos no Japão, entrando para a história, pois o último feito do tipo tinha ocorrida em 1942, no ataque de Doolittle (merece um post sobre este fato).

A estratégia se repetiu até fevereiro de 1945, quando o grupo foi transferido para as Ilhas Marianas, de onde continuaram a atacar o território japonês. Vale citar que foram modelos similares, as B-29´s “Enola Gay” e o “Bock´s Car”, que lançaram as bombas atômicas nos ataques de Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente.

A-4 "Skyhawks" da Marinha do Brasil passam pela Ala 10

A-4 "Skyhawks" da Marinha do Brasil passam pela Ala 10

Chegou à Base Aérea de Natal - Ala 10 - a segunda aeronave A-4, do 1º Esquadrão de Interceptação e Ataque (VF-1) da Marinha do Brasil, na tarde deste domingo (18). A primeira aeronave chegou na terça-feira (13) e a informação que ambas estão se dirigindo a região Norte, onde participarão de operação das Forças Armadas. Segue alguns registros deste domingo.

Quem batizou Parnamirim Field de "Trampolim da Vitória"?

Quem batizou Parnamirim Field de "Trampolim da Vitória"?

A importância de Parnamirim no cenário da segunda guerra mundial, sobretudo para as forças aéreas aliadas, é indiscutível e de merecimento ao título de “Trampolim da Vitória”, contudo e ao que tudo indica, o título não partiu dos norte-americanos.

O termo se tornou muito popular entre os pesquisadores e escritores nas décadas seguintes a guerra, ao ponto de se tornar sinônimo para a cidade de Parnamirim, atualmente, além de dar nome a empresas e empreendimentos, como o recente Centro Cultural Trampolim da Vitória (CCTV).

Encontramos a primeira referência a esse título em artigo do Diário de Pernambuco, de 23 de janeiro de 1943, assinado pelo magnata e pioneiro das comunicações brasileiro, Assis Chanteabriand. O texto fala de uma visita do ministro Salgado Filho aos aeródromos do nordeste brasileiro, entre os dias 20 e 22 de janeiro, entre eles o de Parnamirim Field.

Em 11de abril de 1943, uma matéria cita uma grande decolagem de aviões que foram combater na Tunísia partindo de Natal, apontada como o “Trampolim da Vitória”, inacessível aos inimigos. Um mês depois o exército alemão se rendia aos aliados, na Tunísia.

Outros nomes podem ser associados a Parnamirim Field, como “Crossroad of the World” ou “Jumper”, traduzidos como “Encruzilhada do Mundo” e “Salto ou Saltador”, respectivamente.

 

Por que o embaixador dos EUA visitou o cemitério do Alecrim em Natal?

Por que o embaixador dos EUA visitou o cemitério do Alecrim em Natal?

Um dos locais visitados pelo embaixador dos Estados Unidos, Todd Chapman, em sua visita recente ao Rio Grande do Norte, foi o cemitério do Alecrim, em Natal. Entre os compromissos oficiais, o diplomata tirou um tempo para visita o túmulo do único combatente americano remanescente da segunda guerra mundial que se encontra enterrado na cidade.

Trata-se do sargento Thomas Browning, falecido em 18 de julho de 1943, aos 22 anos, vítima de complicações causadas por doença infecciosa e que permaneceu na cidade a pedido da família. Abaixo segue a transcrição de uma das cartas trocadas entre o pai J. K. Browning e o então prefeito Sylvio Pedrosa.

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THE HEEKIN CAN COMPANNY

Cincinnati, Ohio – USA

Norwood 12, 21 de novembro de 1947

DR. SYLVIO PEDROSA

Prefeito de Natal, RN, Brasil

Caro Sr. Pedrosa:

Muito grato por sua carta de 7 de novembro, meu filho Tom, amava o brasil e o povo brasileiro. Por outro lado, o Dr. Protásio Melo e outros tem sido extremamente bondosos e reconhecidos a mim, que me sinto extremamente gratificado da decisão de deixar Tom enterrado em seu belo cemitério.

O amigo de Tom, Dr Melo conseguiu que eu comprasse um monumento para ser posto no túmulo de Tom e o nosso governo está mandando uma pedra tumular para o mesmo.

Quando tudo estiver completado, pede ao Dr. Melo para conseguir alguém, no cemitério, para cuidar do túmulo de Tom. Sua simpática ação no momento me é bastante preciosa nesse respeito.

Foi um prazer, em meses recentes, conhecer várias pessoas de seu país. Entre elas está Leslie Ide, de São Paulo, que em breve voltará ao Brasil. Estou pedindo a Leslie que, se for a Natal, visita-lo e expressar-lhe, pessoalmente, meus mais sinceros agradecimentos.

Cordialmente, J. K. Browinng

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Browning permanece sepultado entre outros túmulos, sem muita referência e em um local de difícil identificação. Existem duas identificações no local, um tipo de obelisco em cimento e outra em lápide de pedra, como descrito na carta enviada pelo pai.

O cemitério do Alecrim é mais um mito envolvendo os números da segunda guerra e Natal. Fala-se que o local chegou a ter 3 mil mortos de guerra entre 1941 e 1945, contudo, o registro oficial é que ao final do conflito, 214 urnas funerárias foram levadas da cidade, em um navio a serviço do Exército dos EUA.

Túmulo do sargento Thomas Browning (Foto: Frederico Nicolau)

Nota do Blog: Não houve foto oficial da visita do embaixador ao túmulo do combatente e foi uma iniciativa dele, fora da agenda oficial.

Link Relacionado: [Vídeo] Embaixador dos EUA conhece história da segunda guerra no RN

 

[Vídeo] Embaixador dos EUA conhece história da segunda guerra no RN

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Embaixador Chapman com o símbolo da  Atlântico Sul, a United State Army Force South Atlantic USAFSA (Foto: Assecom Parnamirim)

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, e a consul-geral do Consulado Geral no Recife, Jessica Simon, cumpriram agenda no Rio Grande do Norte entre os dias 24 e 25 de setembro. Entre os compromissos, os diplomatas realizaram visitas oficias nos locais históricos da Grande Natal relacionados com a Segunda Guerra Mundial, quando os norte-americanos montaram bases no nordeste.

Na sexta-feira, 25, a comitiva dos diplomatas visitou o Centro Cultural Trampolim da Vitória (CCTV), em Parnamirim, e o sítio histórico da Rampa, onde ocorreu o encontro dos presidentes Getúlio Vargas e Franklin Delano Roosevelt, no ano de 1943. Eles foram ainda prestar homenagem ao sargento Thomas Browning, o único militar americano que permanece sepultado no Cemitério do Alecrim.

Em Parnarmim, Todd Chapman revelou ter ficado encantado com a história da cidade e a relaçao com os Estados Unidos, se comprometendo em procurar as autoridades dos dois países, com objetivo de estreitar e divulgar mais este conteúdo. O embaixador revelou que é formado em história e se comprometeu em retornar como estudioso, com tempo para ler e se aprofundar no tema.

Ele foi informado das ações que a cidade mantém, como o projeto do Sebrae denominado “Natal e Parnamirim na Segunda Guerra”, o CCTV e o Museu da Rampa.

 

[Foto e Vídeo] Esquadrilha da Fumaça chega a Natal para treinamento

[Foto e Vídeo] Esquadrilha da Fumaça chega a Natal para treinamento

O Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea Brasileira (EDA - FAB) chegou a Base Aérea de Natal, na tarde da quinta-feira, 24, onde deve permanecer nos próximos 10 dias em treinamento. Desde o início da pandemia, as apresentações do esquadrão foram suspensas para evitar aglomeração de pessoas e não há previsão de ocorrer enquanto estiver em Natal. A EDA é popularmente conhecida como "Esquadrilha da Fumaça".

Fotos: Leonardo Dantas

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