P-47 Aviação e História

22/01/2020 08:00

Faltou comida em Natal durante a guerra?

Faltou comida em Natal durante a guerra?

A resposta para o título do post é sim. E também faltou água e cigarros. Sempre que as pessoas falam sobre o desenvolvimento econômico que a cidade obteve durante a presença americana em Natal, sempre é bom lembrar o preço que os natalenses tiveram que pagar para a roda da economia girar. Vale lembrar que antes da guerra, a cidade era pacata e com pequenos comércios pelas Ruas da Ribeiras e poucas fábricas (quase sempre de manufatura ou beneficiamento de produtos primários).

Enquanto os comerciantes enchiam os bolsos de dólar, a população local teve que conviver com uma verdadeira briga monetária, já que os produtos desapareceram das prateleiras devido a grande procura, colocando em prática a teoria da lei de mercado, quanto maior a procura e menor a demanda, maior será o preço daquele bem.

Para corroborar com o relato, o blog teve acesso a um documento americano intitulado “Revelações que agora podem ser públicas” em inglês “Revelations which can now be made public”. Trata-se de parte de um documento maior, no qual os militares americanos reuniam as notícias publicadas em jornais da época e passavam para os respectivos setores militares, entre eles a inteligência dos quartéis. Neste em especial, o documento é assinado pelo capitão Jerome Miller e traduzido por Robert Corrigan, que pegou as informações originais do texto de “O Diário”, assinado pelo repórter correspondente da Agência Meridional em Natal, Edilson Varela, de 6 de junho de 1942 ou 1943.

Ele começa o relato falando da quantidade de americanos ou pessoas de fora envolvidas na construção de Parnamirim Field, o que poderia representar o dobro da população à época, de 50 mil habitantes. Mais à frente ele cita que eram 14 mil visitantes, o quais eram avistados com frequência nas ruas e hotéis. Era tanto estrangeiro que as empresas aéreas, construtoras e o Governo Americano, tiveram que montar “staff house”, ou seja, alugavam casas para seus funcionários. Entre as mais famosas estava a staff house da Pan Am, que ficava no terreno da Escola Doméstica, na avenida Hermes da Fonseca.

A inflação dos produtos foi inevitável. A carne bovina se tornou cada vez mais difícil de se encontrar e o ovo, que antes era comercializado a 200 reis, disparou para 1 mil reis. O repórter comenta que era difícil para o cidadão da classe média sobreviver naquele tempo em Natal. Os cigarros americanos eram produtos com alta procura e se tornou moeda de troca no comércio, quando os trabalhadores traziam pois recebiam dos americanos, em Parnamirim. Para remediar o problema, o Exército Americano tentou trazer o maior número possível de produtos por aviões.

A situação se complicou com a falta de água, tanto para a produção de hortifrútis como consumo humano. Em determinado momento, uma peça do equipamento que fazia a distribuição da água quebrou e não havia peça de reposição. Por alguns dias, o consumo teve que ser reduzido.

Abaixo o relato transcrito pelos americanos:

19/01/2020 09:23

Por que o prédio se chama Rampa?

Por que o prédio se chama Rampa?

Por que o prédio histórico às margens do rio Potengi se chama “a Rampa”? Sempre me perguntam isso e a resposta é a mais simples possível: porque no local existe uma rampa. Isso mesmo, por causa de um simples declive que dá acesso do terreno ao rio. Acontece que quando os hidroaviões operavam a partir do local, precisavam passar por manutenção e o acesso à terra se dava pela rampa de concreto.

O local foi palco da foto mais famosa de Natal no período da segunda guerra mundial, reunindo os presidentes Vargas e Roosevelt, a bordo de um jeep, tendo cenário os arcos da edificação, construída em 1942. Originalmente, o prédio fazia parte de um complexo construído pela Pam Na para receber aeronaves civis oriundas dos Estados Unidos e teve sua construção financiada pelo Airport Development Program (ADP).

Detalhe da rampa de concreto utilizada na manutenção das aeronaves

Oficialmente, com a entrada do Brasil e dos Estados Unidos na guerra o nome do local passou a ser Base de Hidroaviões da Marinha dos Estados Unidos, sendo que alguns militares que passaram por aqui no período, também, conheciam como prédio de arcos, devido as características arquitetônicas do local.

Com o fim do conflito bélico, todas as instalações americanas passam para o Governo Brasileiro, que por sua fez transfere a responsabilidade sobre a Rampa para a Força Aérea Brasileira, que a converte em Clube dos Oficias da Aeronáutica. Em algum momento, não se sabe quando com certeza, os natalenses apelidaram carinhosamente de Rampa.

17/01/2020 13:13

[Foto] Como o Graf Zeppelin viu Natal do céu?

[Foto] Como o Graf Zeppelin viu Natal do céu?

A década de 1930 foi muito importante para a história da aviação mundial e de Natal. Um dos fatos mais pitorescos foi a passagem do dirigível Graf Zeppelin, com designação D-LZ127, que passou sobre a cidade inúmeras vezes entre os anos de 1930 e 1936, assim como o seu similar o Hindenburg D-LZ129.

Foto do Zeppelin sobrevoando são amplamente difundidas, contudo, quase todas elas são fotos mostrando a aeronave em voo. Pois bem, esta semana tivemos acesso a uma fotografia retirada de dentro do dirigível, captando parte da travessa Aureliano, Rio Potengi, Capitania dos Portos e alguns prédios da Ribeiro. A imagem estava de posse de um colecionador na Bulgária.

Foto comparando a vista atual e a década de 1930.

Zeppelin sobre Natal

13/01/2020 13:51

Janeiro de 1943: O mês que mudou a guerra no Atlântico

Janeiro de 1943: O mês que mudou a guerra no Atlântico

Em janeiro de 1943, há 77 anos, a guerra começou a mudar no Atlântico Sul com o afundamento de submarinos alemães na costa brasileira. O temido U-Boot 507 (U-507) pereceu em 13 de janeiro, enquanto que o U-164 havia afundado sete dias antes.

A investida do dia 13 foi significativa, pois aquele submarino era o responsável pelo sucesso cerca de duas dezenas de navios atacados no ano de 1942, com maior destaque o mês de agosto quando, por três dias, alvejou seis embarcações mercantes brasileiras: Baependi, Araraquara, Aníbal, Benévolo, Itagiba, Arará e Jacira (matando centenas de pessoas inocentes). À época, o Brasil estava com as relações diplomáticas rompidas e depois da ação dos U-boots decidiu pela decretação do estado de beligerância com a Alemanha.

Mapa dos U-Boots afundados na costa brasileia a partir de 1943

O afundamento do U-164, próximo à costa de Fortaleza/CE, deu indícios da reviravolta na guerra. Os submarinos alemães agiam livremente no Atlântico até meados de 1942, de Norte a Sul do oceano, pois não existia meios eficientes de identificá-los sob as águas. Ao longo deste ano, a Marinha dos Estados Unidos tentou, sem sucesso, um contra-ataque com aviões que partiam de Natal, com destaque para os Catalinas dos esquadrões VP-52 e VP-83.

Com o adevento da tecnologia de rastreio marinho, os comboios passaram contar um meio eficiente que podia localizar as embarcações inimigas, com a precisão de quase antecipar um futuro ataque e posicionar as aeronaves de patrulha. Foi o que aconteceu com o U-507 e o U-164.

U-Boot

U-Boot é originado da palavra alemã Unterseeboot, que traduzido literalmente significa “barco debaixo d´água”, traduzido para o inglês como U-Boat. A marinha alemã é a criadora do sistema, ou seja, utilizar a vogal “U” seguido de um número para denominar seus submarinos. Essas embarcações ficaram famosas e temidas durante a Segunda Guerra devido a forma de ataque, silencioso e quase sempre trágico para os alvos, de maneira geral, navios de carga que abasteciam o esforço de guerra.

11/01/2020 08:22

A menina na janela eternizada por uma fotografia

A menina na janela eternizada por uma fotografia

Acredito que umas das fotos mais populares que representa Natal na segunda guerra, com exceção de Vargas e Roosevelt a bordo do jeep Nº 7, seja a da menina na janela de sua residência na Avenida Rio Branco. Sempre que alguém via a foto falava que ela estava paquerando os americanos, ou pelo menos ouviu alguém dizer.

Pois bem, há poucos dias, eu tive o prazer de conhecer o irmão da mocinha e ele esclareceu que a menina à época era uma adolescente de aproximadamente 13 anos, portanto, não tinha esse interesse nos americanos. De acordo com ele, a história ganhou o mundo com a publicação da foto em diversas revistas e jornais - inclusive no livro Flight To Everywhere - , e todas as vezes quando havia oportunidade ele explicava que a foto era uma má interpretação. Atualmente, a Getty Images detém o direito de uso da fotografia e ainda consta em seu site, em petro e branco ou colorida.

Fomos informado ainda que a casa, cenário da foto, ainda pertence a família e está fechada há anos, restando apenas o piso e algumas paredes da residência original.

[13.01.2020] - Atualizado: Diversas pessoas me perguntaram se a menina da janela ainda estava morando em Natal. A resposta é não. Segundo o irmão, ela já é falecida.

Foto que está com a Getty Images

Atual estado da casa que serviu de cenário

10/01/2020 09:55

[Livro] Flight To Everywhere

[Livro] Flight To Everywhere

Quando o assunto é Natal na segunda guerra mundial existem uma dúzia de livros e algumas dezenas de artigos científicos que valem a pena serem lidos, e um deles eu considero o Fligth To Everywhere de Ivan Dimitri.

A obra conta em detalhes a aventura que era ser um piloto do Air Transport Command (ATC), um braço da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (United State Army Air Forces - USAAF), em um percurso de 32 mil milhas de viagem, passando por florestas, desertos e o ártico.

No trajeto, ele passa por Natal e relata em detalhes a missão de transporte e faz alguns comentários sobre o cotidiano da cidade na década de 1940. Para minha surpresa, o livro é bem ilustrado e traz algumas imagens interessantes, como a menina na janela da avenida Rio Branco, os americanos bebendo na varanda do Grande Hotel e algumas fotografias coloridas, inclusive da construção da base de Parnamirim.

Adquiri o livro por meio do Ebay, por isso adianto que não é um material fácil de se conseguir. Pode procurar em PDF na internet, em arquivos apenas para leitura. Contudo, eu ainda prefiro ter o livro físico, por conveniência e sem falar ser uma raridade.

 

 

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