P-47 Aviação e História

O posto da Royal Air Force em Natal

O posto da Royal Air Force em Natal

Mesmo antes do Campo de Parnamirim se tornar uma das maiores bases aéreas norte-americanas, na segunda guerra mundial, o local foi utilizado para fornecer material bélico aos ingleses, o que continuou no decorrer da guerra. Natal como rota aérea com destino à África ficou mundialmente conhecida na década de 1920 e nos anos 1940 ganhou sua maior notoriedade, já que as rotas marítimas estavam enfrentando dificuldade devido ao ataque dos U-boots alemães.

O transporte de carga ocorria em comboios desgastantes, os quais contavam com escolta naval e aérea, obrigando os navios a ziguezaguear para driblar a mira dos submarinos, e mesmo assim, muitos foram afundados em todo o oceano Atlântico. Para contornar este problema, produtos que poderiam ser transportados via aérea saindo dos Estados Unidos com destino a África, passavam por Natal, inclusive quando a encomenda eram os próprios aviões.

Parnamirim Field contava até com uma posto avançado da Royal Air Force, com comandante próprio. Inúmeros modelos de aeronaves passaram por aqui para serem entregues aos ingleses e talvez o mais utilizado sejam os Dakotas, ou conhecido também por C-47. Um deles, o Dakota 508, que iria integrar o 45th Bomb Group da RAF sofreu um acidente próximo a Assu, em 1944 [Será tema de post futuro]. O avião que ilustra este post e um Baltimore, ou A-30 para os EUA.

Quanto aos costumes, os ingleses era bem mais reservados do que os americanos, com pouca interação social com os natalenses, no período da segunda guerra. Um dos poucos relatos que encontramos diz respeito a visita a família de John Stirling, comerciante inglês que vivia em Natal, e que em 19 de junho de 1945 recebeu o título de vice-cônsul.

Americanos temiam surto epidemia de malária em Natal durante a guerra

Americanos temiam surto epidemia de malária em Natal durante a guerra

Na década de 1940, existia uma grande receio das tropas americanas em vir ao Brasil por conta de um surto de malária e febre amarela. A epidemia era uma realidade que amedrontava os americanos desde o século XIX, quando eles decidiram concluir o canal do Panamá e sofreram muitas baixas devido as doenças, que na época não tinha vacina ou tratamento eficiente.

Desinfecção interna dos aviões e das bagagens (Foto: livro Fligth To Everywhere de Ivan Dimitri)

Na rota do Air Transport Command (ATC), pela América do Sul, os aviões eram desinfectados, bem como seus passageiros e as respectivas bagagens. Outra medida, considerada eficiente e tão conhecida no interior do Rio Grande do Norte, foi o uso de mosqueteiros, aqueles tecidos em forma de pequenas telas que impedem a entrada dos mosquitos.

Relato

Um relato interessante a cerca do medo de contrair malária partiu do fotografo John R. Harrison “Jack”, da US. Navy. De acordo com ele, quando receberam a missão só descobiram que o destino era a América do Sul a bordo do navio e neste momento, um dos militares correu e se jogou ao mar, próximo ao porto, com medo de morrer de doença tropical e desertando. Ao contar a história, Jack comentou que se pudesse encontrar o homem, isto em meado dos anos 2000, lhe contaria tudo aquilo que ele deixou de conhecer de bom no Brasil e em Natal, especialmente.

Os mosquiteiros em ação na guerra ( Foto: livro Fligth To Everywhere de Ivan Dimitri)

O que são as estruturas de concreto na margem do Rio Potengi?

O que são as estruturas de concreto na margem do Rio Potengi?

Na margem norte do Rio Potengi, no trecho entre a Base Naval de Natal e o Porto de Natal, por quase 3 quilômetros, existe uma série de estruturas de concreto em forma de cone. Em algumas situações me perguntaram do que se tratava e eu nunca encontrei uma resposta oficial.

Posição das estruturas ao longo do rio (Reprodução Google Maps)

Algumas pessoas dizem que estas peças eram utilizadas pelos americanos para amarrar os aviões Catalinas, contudo, acho pouco provável. Nunca vi ou ouvi relato de pessoas que estavam vivas na época sobre este uso, nem faz muito sentido, já que os hidroaviões permaneciam atracados perto da base, a Rampa, na margem oposta.

A segunda opção é que o Porto de Natal, no início do século XX, ateava fogo nestes pedestais para sinalizar a margem aos navegantes e que haveria outras ao longo do rio, em direção ao mar.

Particularmente, eu acredito em uma terceira via, que na verdade é a junção dessas duas já citadas. Analisando a posição das estruturas e o trecho que elas ocupam, acreditamos ser algo do período em que a Air France utilizou o rio ao lado do Sindicato Condor (Lufthansa). Com a mesma função de sinalizar aos hidroaviões o limite da margem, para não repetir o que houve em 1931 com o Dornier Wal “Olinda (Será tema de postagem no futuro).

Como se chegava a Parnamirim antes da “Pista”?

Como se chegava a Parnamirim antes da “Pista”?

Os franceses “descobriram” Parnamirim como campo de pouso ainda na década de 1920 e após vinte anos, o descampado se tornou uma das maiores bases aéreas da Segunda Guerra Mundial. Mas como se chegava a Parnamirim para construir esta base se não havia nada antes? Quando o francês Paul Vachet recebeu a informação sobre um terreno plano e de terra dura, a 20 quilômetros de Natal, ele teve que seguir margeando a linha do trem da Great Western que seguia em direção Sul, para Recife. Após este relato, nos livros é muito comum encontrar descrições de uma estrada nos Guarapes, que levava para Macaíba e Cajupiranga, onde o português Manoel Machado tinha suas terras, entre elas, a parte doada a Aeropostale, à pessoa de Vachet.

Pesquisando algumas fotos antigas, encontrei um detalhe que pode demonstrar o trajeto sobre as dunas dessa pista dos Guarapes. Apesar da foto ser de 1944, ainda é possível o descampado aberto entre a mata e dunas. Nesta época, desde 1942, os americanos já contavam com a pista de asfalto e que enfrentava os mesmos problemas de subidas e descidas das dunas.


Detalhe do trajeto nas dunas e a da Igreja São Pedro, no Alecrim (Círculo), 

Demoliram o prédio onde funcionou o Consulado Americano em Natal

Demoliram o prédio onde funcionou o Consulado Americano em Natal

10 de março de 2020 – Fomos informados pelas redes sociais da demolição do prédio onde funcionou o Consulado Americano em Natal, no período da Segunda Guerra Mundial. Uma pena. Fomos in loco e descobrimos que era verdade. O prédio era uma das poucas edificações localizadas no Centro da capital e que, no futuro, poderia fazer parte do roteiro turístico cultural. O endereço - avenida Hermes da Fonseca, 780 - é citado no livro de Lenine Pinto (Natal, USA - II Guerra Mundial), e tema de matéria do jornal A Ordem, de de agosto de 1946, como sendo o local que recebeu a visita do então general Dwight D. Eisenhower, em 2 de agosto de 1946, ao visitar o Brasil em agradecimento ao apoio militar dado durante a segunda guerra.

A casa em questão foi construída pelo agropecuarista João Câmara e chegou a abrigar a sede do 3º Distrito Naval. Há alguns anos, o local entrou em negociação e passou para a iniciativa privada, que dará fim ao terreno.

O objetivo deste post não é impedir o desenvolvimento urbano, criticar a empresa privada ou sugerir um projeto impossível para o prédio do Consulado Americano. Apenas refletir sobre como estamos tratando nossa história, diferente de outros estados que antes de derrubar algo fazem um amplo registro de imagens e documental, ou ainda aproveitam parte da fachada em seu novo uso. Vale a pena citar que a depredação ocorre há anos, pois pouco restou da estrutura original.

[FOTO] Imagem rara mostra voo do balão PAX

[FOTO] Imagem rara mostra voo do balão PAX

O blog recebeu a colaboração de um colecionador que enviou uma foto rara do balão Pax, do potiguar Augusto Severo. Esta imagem faz parte de um conjunto de cartões postais impressos entre 1902 e 1904, em homenagem ao norte-rio-grandense e ao voo do balão, em 12 de maio de 1902, quando aconteceu o acidente fatal.

Em maio, o blog fará uma série de postagens especiais sobre o caso e apresentará alguns dados novos sobre a relação de Severo com o Alberto Santos Dumont. Na postagem sobre o Dornier "Do-X" em Natal também citamos a importância dele para os alemães.

Verso do cartão postal com identificação do destinatário (Fonte: Blog P-47 Aviação e História)

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Natal tem noite chuvosa com trovões e relâmpagos