P-47 Aviação e História

Novidade sobre quem pintou "Maria Boa" no B-25 e o destino do avião

Novidade sobre quem pintou "Maria Boa" no B-25 e o destino do avião

Depois que o blog postou a matéria “O B-25 Maria Boa não foi homenagem dos americanos”, surgiram algumas contribuições para completar esta história. Primeiro, descobrimos quem decidiu pintar a referida homenagem na aeronave.

A informação partiu do nosso amigo comandante Graco Magalhães, ex-oficial da Força Aérea Brasileira (FAB) e um dos pilotos mais experientes do RN, com serviços prestados inclusive como piloto do Estado. Graco serviu a FAB ainda durante a segunda guerra mundial e entre os anos de 1943 e 1945 foi fazer curso na Força Aérea do Exército dos EUA, em bases no Texas, principalmente na San Antonio Cadet Center, em San Antonio (O Blog está em conversa para uma entrevista especial com o veterano).

De acordo com o relato, ao regressar ao Brasil, serviu um tempo no Rio de Janeiro e com pouco tempo designado a Natal, como instrutor de bombardeio B-25 e em seguida cedido ao Gabinete do governador Sylvio Pedroza. Continuando, ele conta que a pintura foi ideia dos então tenentes Murilo Santos, Marinaldo, Barata e um quarto o qual não recorda o nome. Confirmando a história, os militares teriam levado a Maria Boa em pessoa, à noite, para a Base Aérea de Natal com objetivo de mostrar o avião pintado, sem voo. Devido a pintura, o comandante da base ameaçou punir os militares autores, o que não ocorreu. Graco não recorda o ano exato do ocorrido, mas acredita ser entre 1951 e 1955, como o blog antecipou.

Outra contribuição importante partiu do escritor e pesquisador, o coronel aviador da reserva da FAB, Aparecido Camazano. Autor de diversos livros, Camazano tomou como base a ficha FAB 01A do B-25, matrícula FAB 5071, que trata da vida da aeronave desde seu ingresso, quais unidades serviu e sua desativação. De acordo com o coronel Camazano, o avião ingressou na Aeronáutica em 27 de dezembro de 1944 e permaneceu em Natal, até 22 de julho de 1954, quando foi para o Parque de Aeronáutica (São Paulo), onde passou por inspeção periódica.

Em 1956, o B-25 retorna para Natal, onde permanece até 1961, quando passou por outra inspeção, desta vez sendo convertido em CB-25, ou seja, habilitado a transportar carga e passageiros. Entre 1961 e 1965, o equipamento serviu novamente à Base Aérea de Natal, até ser recolhido ao Parque pela última vez, já que foi leiloado e desmontado pela empresa compradora. Uma curiosidade apontada pelo coronel, é que este avião sempre serviu em Natal.

Comandante Graco, Leonardo Dantas, cel Camazano e Ricardo Zarapa (esq. p/ dir.) - (Foto: Frederico Nicolau)

Nota do editor: O blog agradece a colaboração dado pela família do comandante Graco Magalhães e ao coronel aviador Aparecido Camazano.

Aviação de Reconhecimento no Brasil

Aviação de Reconhecimento no Brasil

O blog reconhece que passou batido a comemoração do aniversário da Aviação de Reconhecimento da Força Aérea Brasileira, celebrado no dia 24 de junho. Fica aqui nosso registro desta modalidade que, mais uma vez, tem berço na Base Aérea de Natal (BANT)

Em 1956, a base contava com aeronaves North American T-6 que foram convertidas em TF-6, passando a ter metralhadoras, capacidade de lança bombas e foguetes, e equipadas com equipamentos de comunicação e pintura camuflada. No ano de 1965, a FAB cria as Esquadrilhas de Reconhecimento e Ataque (ERA) utilizando a mesma aeronave, dando início a esta modalidade.

Atualmente, o Brasil conta uma aviação de reconhecimento moderna e bem equipada.

Mais informações na página oficial da FAB dedicada a data, clique aqui.

O B-25 "Maria Boa" não foi homenagem dos americanos

O B-25 "Maria Boa" não foi homenagem dos americanos

Diversos sites e perfis que abordam história e segunda guerra no Rio Grande do Norte postaram, nesta quarta-feira (24 de junho), textos sobre os 100 anos de Maria Boa, mitos envolvendo a mulher, a casa noturna e o “famoso” avião B-25 Mitchell batizado em sua homenagem.

Como este blog trata sobretudo de aviação, esqueça os outros atributos de Maria Boa e vamos falar sobre o avião, um North American B-25 “Mitchell”, versão “J”, da Força Aérea Brasileira (FAB). Isso mesmo, o avião era da FAB e não dos americanos como muitos afirmaram no dia de hoje. Vamos tentar explicar esta confusão.

O B-25 “Mitchell” foi projetado ainda na década de 1930 e próximo de 1940 incorporado ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (U. S. Army Air Corps), com inserção maior no ano de 1942, quando foram entregues 120 unidades da versão “B”.

Ao longo da segunda guerra, outras versões surgiram e cada vez mais produzidos:

  • B-25C – 1.625 unidades
  • B-25D – 2.290 und
  • B-25G – 750 und
  • B-25H – 997 und
  • B-25J – 4.318 und

O Brasil era um importante aliado dos EUA na segunda guerra, o que permitiu ao país ser o único da América do Sul a receber os B-25, através do acordo Lend-Lease (Lei de Empréstimo e Arrendamento), encomendando 30 unidades das versões B, C, D e J, entre os anos de 1942 e 1944. Neste último ano, entre os meses de agosto e novembro, a FAB recebeu 21 exemplares do B-25J, e penúltimo deles, o de matrícula FAB 5071.

O FAB 5071 (Serial 108-32776 / ex 44-29501) operou no 1º Grupo Misto de Aviação, até 1945. Nesta época, não havia ainda a homenagem a Maria Boa, pois o equipamento operava na versão “J”, ou seja, com metralhadoras .50 no nariz, na fuselagem ao lado da cabine e nas laterais. O nome deve ter sido colocado após 1950, quando houve algumas alterações normativas, entre elas, a conversão do avião em CB-25J, na qual deixaria de ter as metralhadoras, atuando mais como um avião de carga, como na foto mais conhecida.

Um dos poucos registros da aeronave

Portanto, a famosa homenagem dos americanos a Maria Boa em um avião de combate dificilmente ocorreu. No entanto, os pilotos da FAB se encarregaram de fazer. Conta a estória que a própria dona de bordel teria visto e sido transportada no avião emocionada. Para quem não sabe, Maria Boa ainda hoje é homenageada por alguns pilotos da FAB, mas essa história deixaremos para depois.

Tentamos determinar o destino do FAB 5071, contudo, a última referência dele é na própria FAB. Em 22 de março de 1967, em boletim normativo, o Ministério da Aeroráutica determinou a “desativação progressiva” dessas aeronaves. À época, existiam 16 aviões B-25 espalhados em várias unidades, dos 83 adquiridos pelo Brasil, sendo 29 avioes recebidos durante a guerra e mais 64 após. Na Base Aérea de Natal (BANT), as aeronaves operaram no 5º Grupo de Aviação (5º Gav) entre 1947 e 1960, e na Esquadrilha de Adestramento entre 1943 e 1966.

Ficha Técnica

Armamento: 13 metralhadoras Browning M-2 .50pol (12,7mm) e até 1.360Kg de bombas

Motor: 02 Wright Cyclone R-2600 -29, de 1850hp,14 cil

Envergadura: 20,59 metros (m)

Comprimento: 16,12 m

Altura: 4,97 m

Peso Máximo: 15.876 quilos (kg)

Velocidade: 437,92 Km/h

Razão de subida: 338 m / s (metros por segundo)

Teto: 7.376 m

Alcance: 2.170 km

B-25J similar ao "Maria Boa" (Foto: Leonardo Dantas)

Missão histórica – Raid Tóquio

Em 18 de abril de 1942, uma esquadrilha com 16 aeronaves B-25B decolaram do porta-aviões USS Hornet, no Oceano Pacífico, a 700 milhas do Japão. A ideia inicial era chegar a 400 milhas, voar a 1.500 pés (300 metros de altitude) e bombardear importantes cidades japonesas, como Nagoya, Yokohama e Tóquio, como resposta efetiva ao ataque ocorrido em 7 de dezembro de 1941, na base americana de Pearl Harbor. Contudo, um barco japonês avistou o porta-aviões, antecipando o ataque.

Após o bombardeio, os pilotos deveriam continuar voando e seguir para o território chinês, onde procurariam local seguro de pouso. Devido ao mau tempo, as tripulações tiveram dificuldade em localizar os campos de pouso.

Apesar de poucos danos materiais terem sido causados, o ataque foi vitorioso, por duas razões: restabeleceu a moral norte-americana e, mais importante, fez com que os japoneses retivessem esquadrões de caça em seu país, para se prevenirem de futuros ataques, o que impediu sua utilização em outras zonas de combate no Pacífico.

Mais que apenas um Cabaré

Mais que apenas um Cabaré

No domingo (21), fomos pegos de surpresa pela notícia de que o prédio da esquina da Rua Chile com Travessa Venezuela, na Ribeira, em Natal, tinha desabado devido as últimas chuvas e o forte vento. No mesmo dia, a internet foi invadida por mensagens de pesar pelo desabamento e sempre associando a edificação ao antigo cabaré Arpege (Não nos pergunte o por quê deste nome).

Consideramos importante lembrar que antes de ser cabaré, o sobrado fez parte de um conjunto de edificações de propriedade do comerciante alemão Ernest Walter Lück, que no local mantinha uma loja de ferramentas e ferragens, de nome E. W. Lück. Em um prédio anexo, na parte de trás do casarão, também exisita a Agência da Companhia Hamburgueza Sul-Americana, do mesmo proprietário. Em jornais da década de 1930 e 1940, é possível identificar outros imóveis de responsabilidade do Lück, como nas ruas Doutor Barata e Frei Miguelinho, ambas na Ribeira.

Enerst Lück conseguiu sucesso em Natal ao longo de 20 anos, desde a década de 1910, quando há registro de sua chegada ao RN. Junto do sucesso, veio a compra dos imóveis, entre eles, o endereço na Rua Chile, 161, o referido que desabou abalando a cidade e levantando dúvidas quanto a funcionalidade do tombamento legal ou uso real. O prédio é datado de 1904, e não se sabe ao certo o que hospedou antes dos anos 1930.

Existe um anúncio de aluguel, em 6 de abril de 1937, oferecendo o andar de cima e detalhando ser excelente para consultório de  dentista ou hospedaria, pois deixa a entender ser uma dependência do Hotel Internacional, que funcionava nas proximidades do bairro da Ribeira.

Anúncio de 6 de abril de 1937 (Jornal A Ordem)

No ano de 1938, o senhor Ernest Lück obteve a autorização da Prefeitura de Natal para abrir portas laterais no prédio, dando acesso pela Travessa Venezuela. Contudo, o pedido surgiu por outro casarão, este localizado na rua Doutor Barata, 170, que fazia parte do mesmo complexo de edificações.

Na década de 1940, por ser alemão, com o início da segunda guerra e a entrada do Brasil contra o Eixo, Ernest Luck passou a ser visto com desconfiança, chegando a ser processado, o que deve ter dificultado a continuidade de seus negócio. Neste processo, ele foi anistiado anos depois.

Então, o sobrado era bem mais que um cabaré. Tinha relação com a história daqueles que lutaram pelo desenvolvimento do comércio e da cidade do Natal.

Endereço da loja de ferragens de E. W. Lück (Jornal A Ordem, ano 1938)

Edificações da travessa Venezuela, Rua Chile e Rua Dr Barata apontadas como sendo de Ernest Lück

(Vídeo) Live com João Barone sobre Natal e a segunda guerra

(Vídeo) Live com João Barone sobre Natal e a segunda guerra

Na terça-feira (2), por meio do perfil do instagram do Sesc RN, participamos de um bate-papo com o músico e escritor João Barone, autor do livro "1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida". Estamos disponibilizando o link para quem perdeu.

Nota: Durante os 30 segundos iniciais tivemos problemas de conexão, que logo foi solucionado.

João Barone é convidado em live sobre Natal e a segunda guerra

João Barone é convidado em live sobre Natal e a segunda guerra

O blog P-47 será parceiro na live do Serviço Social do Comércio (Sesc RN) que discutirá como tema “Natal e sua implicação na Segunda Guerra Mundial”, que terá como convidado o baterista do Paralamas do Sucesso e escritor, João Barone, na noite da terça-feira (2), a partir das 21 horas. O debate será transmitido pelo oficial do Sesc RN no instagram, com mediação do jornalista Leonardo Dantas, editor deste blog.
Barone é autor do livro “1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida”, no qual ele relata a participação de Natal no conflito mundial e os bastidores envolvendo o Brasil e o Estados Unidos, até o envio das tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ao combate na Itália.
Aguardamos a participação de todos e pode ser um formato que este blog pode adotar no futuro, utilizando mais a interação com o leitor por meio de vídeos.

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Natal tem noite chuvosa com trovões e relâmpagos