P-47 Aviação e História

Mais que apenas um Cabaré

Mais que apenas um Cabaré

No domingo (21), fomos pegos de surpresa pela notícia de que o prédio da esquina da Rua Chile com Travessa Venezuela, na Ribeira, em Natal, tinha desabado devido as últimas chuvas e o forte vento. No mesmo dia, a internet foi invadida por mensagens de pesar pelo desabamento e sempre associando a edificação ao antigo cabaré Arpege (Não nos pergunte o por quê deste nome).

Consideramos importante lembrar que antes de ser cabaré, o sobrado fez parte de um conjunto de edificações de propriedade do comerciante alemão Ernest Walter Lück, que no local mantinha uma loja de ferramentas e ferragens, de nome E. W. Lück. Em um prédio anexo, na parte de trás do casarão, também exisita a Agência da Companhia Hamburgueza Sul-Americana, do mesmo proprietário. Em jornais da década de 1930 e 1940, é possível identificar outros imóveis de responsabilidade do Lück, como nas ruas Doutor Barata e Frei Miguelinho, ambas na Ribeira.

Enerst Lück conseguiu sucesso em Natal ao longo de 20 anos, desde a década de 1910, quando há registro de sua chegada ao RN. Junto do sucesso, veio a compra dos imóveis, entre eles, o endereço na Rua Chile, 161, o referido que desabou abalando a cidade e levantando dúvidas quanto a funcionalidade do tombamento legal ou uso real. O prédio é datado de 1904, e não se sabe ao certo o que hospedou antes dos anos 1930.

Existe um anúncio de aluguel, em 6 de abril de 1937, oferecendo o andar de cima e detalhando ser excelente para consultório de  dentista ou hospedaria, pois deixa a entender ser uma dependência do Hotel Internacional, que funcionava nas proximidades do bairro da Ribeira.

Anúncio de 6 de abril de 1937 (Jornal A Ordem)

No ano de 1938, o senhor Ernest Lück obteve a autorização da Prefeitura de Natal para abrir portas laterais no prédio, dando acesso pela Travessa Venezuela. Contudo, o pedido surgiu por outro casarão, este localizado na rua Doutor Barata, 170, que fazia parte do mesmo complexo de edificações.

Na década de 1940, por ser alemão, com o início da segunda guerra e a entrada do Brasil contra o Eixo, Ernest Luck passou a ser visto com desconfiança, chegando a ser processado, o que deve ter dificultado a continuidade de seus negócio. Neste processo, ele foi anistiado anos depois.

Então, o sobrado era bem mais que um cabaré. Tinha relação com a história daqueles que lutaram pelo desenvolvimento do comércio e da cidade do Natal.

Endereço da loja de ferragens de E. W. Lück (Jornal A Ordem, ano 1938)

Edificações da travessa Venezuela, Rua Chile e Rua Dr Barata apontadas como sendo de Ernest Lück

(Vídeo) Live com João Barone sobre Natal e a segunda guerra

(Vídeo) Live com João Barone sobre Natal e a segunda guerra

Na terça-feira (2), por meio do perfil do instagram do Sesc RN, participamos de um bate-papo com o músico e escritor João Barone, autor do livro "1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida". Estamos disponibilizando o link para quem perdeu.

Nota: Durante os 30 segundos iniciais tivemos problemas de conexão, que logo foi solucionado.

João Barone é convidado em live sobre Natal e a segunda guerra

João Barone é convidado em live sobre Natal e a segunda guerra

O blog P-47 será parceiro na live do Serviço Social do Comércio (Sesc RN) que discutirá como tema “Natal e sua implicação na Segunda Guerra Mundial”, que terá como convidado o baterista do Paralamas do Sucesso e escritor, João Barone, na noite da terça-feira (2), a partir das 21 horas. O debate será transmitido pelo oficial do Sesc RN no instagram, com mediação do jornalista Leonardo Dantas, editor deste blog.
Barone é autor do livro “1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida”, no qual ele relata a participação de Natal no conflito mundial e os bastidores envolvendo o Brasil e o Estados Unidos, até o envio das tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ao combate na Itália.
Aguardamos a participação de todos e pode ser um formato que este blog pode adotar no futuro, utilizando mais a interação com o leitor por meio de vídeos.

(Vídeo) H-36 "Caracal" resgata tripulante de navio a 470 km de Natal

(Vídeo) H-36 "Caracal" resgata tripulante de navio a 470 km de Natal

H-36 da FAB similar ao utilizado no resgate (Foto: Leonardo Dantas)

Um helicóptero H-36 “Caracal” do esquadrão Falcão (1º / 8º GAV) da Força Aérea Brasileira (FAB), sediado na Ala 10, em Parnamirim, resgatou na sexta-feira (29), o tripulante de um navio a 470 quilômetros de Natal, no oceano Atlântico. A vítima estaria com fratura exposta em uma das pernas, apos um acidente a bordo da embarcação, oriundo de Malta.

A missão de resgate foi coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE/FAB) em conjunto com o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo (SALVAMAR), que passou ao esquadrão as condições de saúde da vítima e posição do navio.

Ao decolar de Parnamirim, o H-36 teve que fazer um pouso técnico na ilha de Fernando de Noronha, onde reabasteceu para seguir em busca da embarcação. Ao todo, 11 militares embarcaram, sendo 2 pilotos, 3 operadores de equipamentos, 3 homens de resgate, 2 médicas e 1 enfermeira, os quais utilizavam trajes especiais para minimizar o risco de qualquer contaminação. Seguindo viagem, deu-se início a busca e salvamento, com o resgate denominado pela sigla SAR (em inglês Search and Rescue).

Em um total de cinco horas, a missão chegou ao final, com o sucesso do transporte do paciente  para a capital do Rio Grande do Norte para receber atendimento médico especializado.

Relato dos militares

De acordo com o Major Aviador Átila Miranda Alves de Campos, Chefe da Seção de Operações do Esquadrão Falcão, o tempo de resposta da missão foi muito importante devido ao estado delicado de saúde da vítima, que, caso não fosse resgatado a tempo, poderia evoluir rapidamente para um quadro mais crítico.

O Sargento Diogo Ramos, homem de resgate que participou desse voo, disse que devolver a esperança à vítima lhe traz satisfação de participar de missões como essa. “Para mim, é um momento muito gratificante fazer parte disso”, destacou.

O piloto da aeronave, Tenente Aviador Alan Dickson Brito de Medeiros, falou que o momento mais difícil foi ter feito a manobra até o convés, que é um exercício mais complexo. “Nessa hora, nós temos que manter a posição do helicóptero em relação ao navio, que está em movimento, já que você precisa de certa precisão para poder fazer o embarque e o desembarque da vítima pelo guincho”, contou o piloto.

Desembarque da vítima na Ala 10 (Foto: sgt Marcella / FAB)

Quer saber mais detalhes e ver mais fotos da missão: clique aqui.

Fonte: FAB

 

E-book sobre o "AF-1 Skyhawk" inaugura série de Militararts

E-book sobre o "AF-1 Skyhawk" inaugura série de Militararts

Você gostaria de ler e conhecer mais sobre a aeronave utilizada pela aviação de caça da Marinha do Brasil e sem precisar sair de casa? O ilustrador, Alexandre Guedes, lançou o e-book “McDonnell Douglas AF-1 Skyhawk”, o primeiro da série Militararts que em breve terá outras edições.

A ideia do autor é levar conteúdos do tipo para todos os públicos, não apenas para quem conhece temas ligados a aviação. De acordo com ele, o grande atrativo são as fotos e ilustrações de qualidade, sem falar no texto de fácil entendimento.

 Além disso, citamos o enfoque na informação de aeronaves utilizadas no Brasil, com detalhes sobre matrículas e o destino dos equipamentos, desde a aquisição a sua desativação. Esperamos mais conteúdos do tipo.

Esta excelente publicação pode ser adquirida ao preço de R$ 25,00. Para isso, entre em contato pelo Whatsapp (84 99400 6046) ou pelo email: agartinprofiles@gmail.com.

O Autor

O designer gráfico Alexandre Guedes é um ilustrador reconhecido no meio das publicações aeronáuticas, com trabalhos publicados no Brasil, Estados Unidos e países da Europa. Ele nasceu em São Paulo e atualmente reside em Natal/RN, onde se dedica a ilustração dos mais diversos temas, sobretudo, aviação.

Registro do AF-1 da Marinha do Brasil quando realizou treinamento em Natal, no ano de 2019 (Foto: Leonardo Dantas)

22 de maio - 78 anos do dia que marcou a aviação de patrulha da FAB

22 de maio - 78 anos do dia que marcou a aviação de patrulha da FAB

A Força Aérea Brasileira (FAB) celebra nesta sexta-feira (22), o Dia da Aviação de Patrullha, comemorando os 78 anos de história dessa variante do transporte militar, quando em plena segunda guerra mundial e sob o ataque constante de submarinos inimigos a navios brasileiros, os militares tiveram que se adequar a patrulha, combate e salvamento.

Conta a história, que em 22 de maio de 1942, um B-25 “Mitchel” da FAB oriundo da Base Aérea de Fortaleza, decolou para um treinamento e entrou para a história como o primeiro ataque brasileiro na segunda guerra. Ironicamente, o Brasil ainda não estava em guerra, pois a declaração so viria a ocorrer em agosto daquele ano, no entanto, na prática os americanos já operavam Parnamirim Field, em Natal, desde meados de 1941.

Nesse contexto, o Capitão Aviador Parreiras Horta e o Tenente Aviador Pamplona, pilotos da aeronave B-25, ainda em formação operacional e dando apoio a aeronaves americanas, realizaram seu primeiro ataque. Em uma das missões, foram lançadas dez bombas de 45kg sobre o submarino italiano “Barbarigo”. Apesar de avariado, a embracação conseguiu fugir. Alguns dias antes, ele tinha atacado o navio Comandante Lyra, em águas territoriais brasileiras, a cerca de 300 quilômetros de Fernando de Noronha. O Barbarigo agiu até junho de 1943, quando foi afundado tendo atacado com sucesso 7 embarcações, até então.

P-3AM "Orion" do esquadrão Orugan (Foto: FAB / Sgt Bianca)

Atualmente, a Aviação de Patrulha da FAB opera com três esquadrões (Orugan 1º/7, Phoenix 2º/7º e Netuno 3º/7º), no Rio de Janeiro/RJ, Canoas/RS e Bélem/PA, respectivamente. As aeronaves utilizadas são o P-3AM “Orion” e o P-95BM. Sua missão é cumprir com vetores estratégicos que executam ações não somente de Patrulha Marítima, mas também outras imprescindíveis para a FAB no que diz respeito ao cumprimento da sua missão de manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional.

Na história recente, os aviões de patrulha foram essenciais na busca dos destroços do Airbus do vôo AF447 da Air France, em 2009

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