P-47 Aviação e História

Traslado dos restos mortais de Augusto Severo em discussão 120 anos após morte

Traslado dos restos mortais de Augusto Severo em discussão 120 anos após morte

Em 2022, completará 120 anos da morte do aeronauta potiguar Augusto Severo e chegou ao blog a informação de que setores da sociedade civil e órgãos estão trabalhando para trazer ao estado os restos mortais, que estão sepultados no Cemitério São João, no Rio de Janeiro.

Um grupo de trabalho composto por representantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Fundação José Augusto, Instituto Histórico e Geográfico (IHGRN), entre outros, já avançaram na ideia, inclusive nas questões legais envolvendo o caso. Uma das providências seria a obtenção de uma segunda via da certidão de óbito, em Paris, na França, local da morte.

Outro passo importante seria o envio do ofício à Força Aérea Brasileira (FAB) com objetivo de conseguir meio de transporte para a missão.

Falta definir, no entanto, onde os restos mortais seriam depositados, com alguns entusiastas defendendo Macaíba, cidade de nascimento de Augusto Severo, ou até mesmo o Centro Cultural Trampolim da Vitória, em Parnamirim, onde existe uma exposição permanente sobre aviação e já funcionou o Aeroporto Internacional Augusto Severo.

Augusto Severo de Albuquerque Maranhão (1864 – 1902) morreu no trágico acidente com sua invenção, o balão Pax, sobre a Avenida do Maine, em Paris, em 12 de maio de 1902. Natural de Macaíba, foi professor, inventor e político.

Em 17 de junho de 1902, seu corpo chegou ao Brasil a bordo do navio Brésil, que atracou no porto do Rio de Janeiro.

A movimentação social para trazer os restos mortais para o RN existe desde sua morte, com maior força nas décadas de 1960 e 1970, no governo de Cortez Pereira, que cogitou erguer um monumento ao lado do Aeroclube de Natal, na Avenida Hermes da Fonseca. Nos anos 1980, o governo de José Agripino Maia também se discutiu, mas nunca avançou muito.

Esperamos em breve trazer mais novidades sobre o caso.

Links relacionados:

12 de maio de 1902 - A morte de Augusto Severo, "O Grande Brasileiro"

A residência de Mrs Knabb, onde os americanos se sentiam em casa

A residência de Mrs Knabb, onde os americanos se sentiam em casa

Na imagem acima, é possível ver as plantas onde ficava a residência (Acervo do autor)

O que aconteceu em Natal quando faltou hospedagem para os americanos, entre os anos de 1941 e 1945, com o auge da base de Parnamirim Field?

Ao longo dos anos, diversas pessoas falaram da grandiosidade da unidade militar e sua importância no cenário estratégico para os aliados, contudo, a presença dos militares em certo ponto se tornou um problema de logística, pois não tinha edificações suficiente para acomodar os dormitórios.

Na própria base, dezenas de áreas de camping foram adaptadas para receber centenas de barracas, pois não existia prédio de alvenaria suficiente. Na cidade, é muito comum ouvir o relato de que “os americanos alugaram casas” para abrigar seus pares, principalmente oficiais.

Um dos locais mais conhecidos era o casarão da senhora Emily (Emilie) Knabb, localizado na avenida Deodoro da Fonseca, número 456, vizinho ao Hospital Infantil Varela Santiago e em frente onde hoje existe um supermercado Nordestão. A hospedaria recebia os militares do Air Transport Command (ATC).A Mrs Knabb era inglesa naturalizada norte-americana, viúva de William Knabb, funcionário da Warton & Pedroza, e mãe de dois filhos, o funcionário da Panair (ADP) Francklin William Knabb, o “Frank”, e o secretário do Consulado dos EUA, Jack Grahan Knabb.

No livro “Natal, USA: II Guerra Mundial”, o escritor Lenine Pinto descreve o local como um grande terreno, com um casarão cercado de grandes árvores mangueiras. A hospedaria chegou a ter quartos em prédio principal e um anexo, além de refeitório e quadra de basquete, para entreter os ianques visitantes inclusive com partidas disputadas de softball. É dito ainda que a calçada era disputada pelas moças da cidade e na parte interna era muito comum encontrar as placas “keep off the grass”.

Um detalhe apontado pelo arquiteto João Maurício foi uma apresentação da orquestra das Forças Armadas USA que teria ocorrido no espaço, inclusive com participação de Tommy Dorsey, famoso maestro à época. De acordo com ele, a população natalense se aglomerou na Avenida Deodoro para acompanhar.

Com o avanço do conflito mundial no Norte da África e Europa, Natal foi perdendo importância e, consequentemente, diminuiu o número de estrangeiros. Entre 1943 e 1944, já não tinha tanta necessidade pelas hospedagens na cidade e a casa de Mrs Kannb perdeu a função e fechou. Infelizmente, desconhecemos fotos internas da residência.

Em breve postaremos sobre outros locais associados à segunda guerra, que não fosse instalações militares.

 

Guerra! Há 79 anos o Brasil entrava em beligerância com Alemanha e Itália

Guerra! Há 79 anos o Brasil entrava em beligerância com Alemanha e Itália

Há 79 anos, o Governo de Getúlio Vargas, então presidente do Brasil, entrava em estado de beligerância com a Alemanha nazista e Itália facista. Era um sábado e ficou marcado por intensas reuniões do líder do País e seus ministros, no palácio Guanabara. O ato, na prática foi a declaração de guerra e um complemento da decisão tomada em janeiro do mesmo ano, quando houve o rompimento das relações diplomáticas.

O Governo teve que dar uma resposta à pressão popular, tendo em vista o ataques insistentes de submarinos aos navios brasileiros. O U-boot "U-507" chegou a ceifar mais 600 vidas no mar em seis ataques. O ato é apontado por alguns pesquisadores como o "Pearl Harbor do Brasil", comparando o ataque ao japonês e que culminou com a entrada dos Estado Unido no conflito, em 7 de dezembro de 1941.

80 anos de criação da Base Naval de Natal

80 anos de criação da Base Naval de Natal

A Base Naval de Natal (BNN) completou 80 anos de existência, na quarta-feira, 7 de julho. Criada em plena Segunda Guerra Mundial, como ponto de apoio na defesa da costa contra os submarinos alemães, o local é repleto de história e importância para a Marinha do Brasil (MB).

A decisão de construir uma base em Natal existia desde 1922, com a publicação do Decreto Presidencial nº 15.672, que entre outras coisas, criava um sistema de defesa para o litoral da República, prevendo a instalações de unidades militares da marinha no Pará, Natal, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de um porto militar na Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro.

Entretanto, demorou mais de 20 anos para colocar o plano em prática, sendo possível apenas às vésperas da guerra começar no Brasil. Mais uma vez, merece a explicação, pois a Segunda Guerra Mundial havia começado em 1939, mas a entrada do efetivamente do Brasil ocorreu apenas no ano de 1942.

Contudo, o ano de 1941 foi decisivo para essa decisão, principalmente em Natal, onde os Estados Unidos da América estavam construindo dois aeroportos, um em Parnamirim e outro nas margens do Rio Potengi, o mesmo da Base Naval de Natal, com intuito de receber hidroaviões. Entre maio e dezembro deste ano, apenas pessoal civil era visto nestas obras, o que mudou após o ataque dos japoneses a Pearl Harbor, quando literalmente vestiram a farda e assumiram ser o Exército e a Marinha.

Neste contexto surge a nossa Base Naval, em uma área que havia pertencido a companhia aérea Air France e ainda abrigava combustível e outros suprimentos, além de poucas edificações. Graças ao empenho do almirante Ary Parreiras a obra saiu e com isso Natal pôde dar mais uma contribuição como ponto estratégico militar.

Assinatura do almirante Ary Parreira autorizando a continuidade da obra, em 1º de agosto de 1944 (Fonte: Coleção do autor)

Interessante citar que meses antes da guerra ser declarada, os americanos acompanhavam de perto e com interesse na BNN. Em 20 de agosto de 1941, pouco mais de um mês do início da obra, o vice-cônsul dos EUA, Harold Sims escreve um memorando falando do avanço das bases americanas e da demora na brasileira.

“A Marinha do Brasil continua a dormir em seu projeto de base e já se fala que ficará pronta para a III Guerra”, diz na carta.

Um importante fato ocorreu em agosto de 1944, quando o Governo Americano cumpriu a promessa de fornecer meios navais ao Brasil, e um dos primeiros foram oficialmente entregues na BNN. Os navios contratorpedeiros Pennewill e Herzog foram incorporados à Marinha do Brasil como Bertioga e Beberibe. Em 15 de agosto, outros dois foram comissionados em Natal, e ao todo foram cedidos 8 naves da mesma classe: Bracuí, Bauru, Baependi, Benevente, Bocaina, entre elas.

No site da Base Naval de Natal existe mais informações sobre sua criação (clique aqui)

Links Relacionados:

Os americanos invadiriam o nordeste na Segunda Guerra Mundial?

 

O hangar francês da guerra que não era francês nem da guerra

O hangar francês da guerra que não era francês nem da guerra

Foto da capa: Imagem de meados dos anos 1940, pós-guerra, com aviões da FAB em destaque (Foto: Acervo do autor)

Dentro da Base Aérea de Natal (Bant) existe uma construção em forma triangular que chama muita atenção e é associada por quase todos por “hangar francês do tempo da guerra”. Essa afirmação possui duas incoerências, o hangar não era francês e muito menos foi feito para a guerra.

O erro é comum pois a base em questão esteve diretamente ligada à Segunda Guerra Mundial e também possuiu um campo de aviação da Air Frances nos anos anteriores. O que muitos não sabem é que além dos franceses, quase que no mesmo local também operou uma empresa italiana, a Linne Aeree Transcontinentali Italiane (LATI S.A.).

Vamos tentar traçar uma linha temporal para melhor explicar como essas incoerências surgiram.

Entre os anos de 1939 e 1941, a empresa LATI operou no Brasil e boa parte deste tempo teve base em Natal, principalmente para realizar os voos sobre o Atlântico, em direção a Roma. Neste mesmo período, eles dividiram quase que o mesmo espaço com os franceses, que estava em Parnamirim desde 1927, e até mesmo os americanos, a contar de 1941. É verdade que no ano de 1940, com a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial, eles literalmente conviviam com o inimigo, a poucos metros e essa proximidade gerou inúmeras confusões de datas e fatos.

Imagem da revista Life de 1941 que mostra ao fundo o hangar da LATI (Foto: Getty Imagem)

Pois bem, o hangar e outro prédio da LATI ainda existem nos dias atuais, no setor oeste da Base Aérea de Natal, o primeiro agora faz parte do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), da Secretaria de Estado da Segurança Pública do RN (Sesed), enquanto que o antigo hotel de trânsito dos italianos permanece com a Força Aérea Brasileira.

Durante anos, associou-se que aquele abrigo de aeronaves era remanescente da Air France e muitas pessoas ainda se referem a ele, como do “tempo da guerra”. Contudo, já ficou esclarecido que dos franceses resta algumas casas e galpões – o que merece um post futuro -, quando os dois hangares foram desmontados entre as décadas de 1950 e 1970.

A construção do hangar remonta ao início da década de 1940, com o auge dos voos entre o Brasil e a Ilha do Sal, na costa africana, que tinha Natal como ponto de partida com as malas postais e eventuais passageiros. Um dado curioso é que no caminho de volta, o avião pousava em Recife, no Pernambuco. De acordo com dados da época, a primeira pista era mais longa, o que garantia um decolagem mais segura para a aeronave carregada.

Em maio de 1940, a Itália entra na Segunda Guerra Mundial, o que dificultou um pouco a operacionalidade da empresa LATI, porém, ela se mantém ativa até o fim de 1941, quando os Estados Unidos entram no conflito. Como o principal fornecedor de combustível de aviões no Brasil, o fato prejudicou e muito as operações aéreas do país inimigo.

A LATI então abandona o campo de pouso, deixando para trás cerca de três aviões e demais equipamentos usados em Natal. O hangar passa a ser ocupado, temporariamente, pelo Exército Brasileiro que por sua vez vigiava a movimentação americana no campo dos franceses, meses antes de se mudarem definitivamente para o outro lado, onde era construída Parnamirim Field.

Soldados do Exército Brasileiro ocupando a área, ao fundo os edifíceis italianos e ao lado direito os franceses (Foto: Acervo do autor)

No fim da guerra, ainda era possível identificar o nome "LATI S.A." na fachada do prédio, mais o nome de um “Capitão Cézar”. Acontece que em determinado momento, que não se sabe ao certo quando, apagaram os nomes e batizaram de “Tenente França”, um piloto da FAB que morreu em um acidente aéreo, mas que ainda será contado aqui neste blog. Surge então a grande confusão, quando as pessoas associam o nome do militar a Air France, quando na verdade o local era dos italianos.

Imagem de 2009 do hangar, que hoje está recuperado e servindo ao Ciopaer (Foto: Leonardo Dantas)

 

Em azul local atual do hangar e em vermelho onde ficavam os franceses, mostrando como os "inimigos" estavam perto.

 

Nota do editor: No vídeo em anexo a este post é possível ver um C-47 pousando em Parnamirim Field e ao fundo os hangares da Ai France e da LATI.

 

 

Helicóptero esquilo do Rio Grande do Norte está de volta a ativa

Helicóptero esquilo do  Rio Grande do Norte está de volta a ativa

Potiguar 01 em seu retorno à Sesed (Foto: Pedro Vitorino)

O helicóptero do Governo do Rio Grande do Norte, integrado a Secretaria de Estado da Defesa Social e Segurança Pública (Sesed), o Potiguar 01 (Prefixo PR-YFF) está de volta às operações oficialmente. O aparelho foi reintegrado e apresentado à imprensa, na manhã desta sexta-feira, 11, em solenidade no Centro Administrativo de Natal, após quase dois anos ausente.

Ele estava em Fortaleza, no Ceará, cumprindo a revisão obrigatória de 144 meses de uso, ou seja, o equivalente há 12 anos. De acordo com o Governo do RN, o processo de revisão consiste em trabalho minucioso, sendo necessário desmontar e remontar todos as peças da aeronave, testando todos os seus componentes mecânicos, elétricos e eletrônicos. Somente na manutenção e reposição de componentes, segundo a Sesed, foram investidos cerca de R$ 2,9 milhões, com mais R$ 400 mil do seguro, que também é obrigatório.

O Potiguar 1 chegou ao estado na tarde da sexta-feira passada, dia 4, - como foi postado aqui -  e ficou na Base Aérea de Natal, em Parnamirim, para os últimos testes e calibragem de alguns componentes. A partir de 2021, o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) ocupará o hangar da setor Oeste da Bant, histórico e récem recuperado.

(Foto: Pedro Vitorino)

Ficha Técnica da aeronave:

Nome para a Sesed/RN: Potiguar 01

Fabricante: Eurocopter Ecureuil / Airbus Helicpters / Helibras (Brasil)

Modelo: AS 350 B2

Prefixo: PR-YFF

Autonomia: 662 km

Velocidade cruzeiro: 240/km/h a 280 km/h

Peso Vazio: 1.174 kg

Paso Máximo para Decolagem: 2.250 kg

Capacidade: 06 passageiros

Comprimento: 10,91 m

Diâmetro do Rotor: 10,7 m

(Foto: Pedro Vitorino)

 

Link Relacionaldo:

"Potiguar 01" retorna ao RN neste fim de semana

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