Historiando

Entre a omissão e a mentira

Entre a omissão e a mentira

Na internet procuro, sempre que possível, escrever textos curtos, lauda e meia no máximo.

Eventualmente, quebro a regra e o farei agora, quando a polêmica sobre o caso do abraço do médico Drauzio Varela na travesti Suzy começa a esfriar.

Manifestei-me sobre o caso por duas vezes nas redes sociais e em ambas fui incisivamente contra à atuação do médico que, ressaltemos, não estava ali efetivamente como médico.

Li e ouvi familiares, amigos, colegas e desconhecidos discutindo fervorosamente o tema e, nos ambientes que frequento, a maioria estava favorável à matéria do Fantástico, da Rede Globo, rede de televisão que mais amamos odiar.

Houve quem trouxesse Jesus Cristo em socorro à atitude do médico.

A visita de Drauzio à qualquer prisão é digna de elogio, demonstrar respeito pelos presos é digno de nota, mas é preciso, antes de qualquer coisa, que todos saibamos e nos conscientizemos que os presos ali estão para cumprir pena porque cometeram crimes.

A travesti Suzy, abraçada por Drauzio Varela, foi condenada por estuprar e matar uma criança, é acusada de abusar de outras duas e cometeu outros delitos de menor monta.

Segundo ela, não recebe visitas há sete anos. 

Qualquer pessoa que cometa crimes tem de ser punido. Se o crime é hediondo, a pena é agravada.

É o caso de Suzy.

A matéria do Fantástico foi no mínimo mal produzida. Jornalistas experientes disseram isso.

Houve manipulação e isso fica claro no fato de que a travesti foi mostrada não porque a Globo acredita que ela mereça amor.

Ela estava na matéria como um instrumento de manipulação midiática a serviço de uma agenda ideológica pretensamente progressista.

O médico se eximiu de qualquer responsabilidade porque, segundo ele, estava ali apenas como médico.

Ora, ele estava ancorando uma matéria jornalística e, portanto, a ele cabia informar-se sobre a detenta ou então a ela perguntar sobre os crimes que cometera, se se arrependera, se se desculparia com a família da criança assassinada vil e barbaramente, etc.

Mas não, o espetáculo não era para fazer jornalismo de verdade, mas para mostrar uma criminosa em situação de fragilidade e, assim, criar um clima de comoção.

A família da criança estuprada e assassinada sequer foi citada, que dirá protegida.

Um escárnio sem tamanho.

Houve quem dissesse que ali estava a verdadeira compaixão, porque ela, a compaixão, só deve ser louvada e louvável se dirigida a quem não a merece.

Aí está um dos problemas maiores da atitude de Drauzio Varela e da Rede Globo, a saber, retratar uma criminosa sexual e assassina como se vítima fosse.

Se bem me lembro, compaixão é sofrer com, logo quem deve merecer compaixão são os familiares das vítimas de criminosos – nunca os criminosos.

Ao criminoso cabe cumprir a pena estabelecida pela sociedade e ao Estado cabe tratá-lo com dignidade – e só.

Como adiantei acima, tem um muita gente vendendo um cristianismo fajuto por aí para justificar suas taras e perversões escondidas nos recônditos da alma.

Nas aulas de catecismo a que compareci para fazer primeira eucaristia que nunca fiz, aprendi que, antes de pedir compaixão, um pecador precisa reconhecer os próprios erros e, portanto, merecedor da pena imposta e que viver de dar publicidade aos próprios atos de compaixão é apenas uma forma de esvaziá-los de qualquer mérito que possa ter.

O perdão de Deus só está posto mediante o arrependimento genuíno, indicou-me o padre José Dantas Cortez, em Florânia, ali pelo início da década de 1990, entre um gole e outro de uísque – ele bebendo doze anos e eu o oito anos Old Eight.

Os clássicos da patrística e S. Tomás de Aquino me ensinaram que a justiça é um dos mais sólidos pilares do amor de Deus.

Basta ler as escrituras com cuidado para constatar que Jesus, um personagem do Novo Testamento, salvou o ladrão na cruz e não da cruz – morrendo, ele mesmo, inocente entre dois apenados.

Não foram poucos os que perceberam o descompasso entre a dramatização construída pelo Fantástico e a realidade por trás da criminosa que Drauzio Varella abraçou.

Tratar um criminoso com a dignidade que merece um ser humano, por pior que seja, não é motivo de censura. Fazer de um assassino um injustiçado é vergonhoso.

A matéria da Rede Globo, no Fantástico, durou mais de dez minutos, uma eternidade em televisão. Durante a matéria e, principalmente, na esteira da repercussão que a ela se seguiu, todos os que rejeitaram o teor do conteúdo ali exposto foram apontados como desumanos e insensíveis.

Somente quando os fatos foram vindo à tona e as evidências de manipulação estão escancarados, foi que Drauzio Varela – que inicialmente soltou uma nota amorfa e covarde – e a Rede Globo se manifestaram.

A credibilidade da emissora dos Marinho, que vem caindo com o passar dos anos, foi manchada pela desfaçatez e pela falta de sensibilidade da produção do programa dominical.

A barrigada da Globo está em sintonia com estes tempos de informação em tempo real, quando a grande imprensa, na luta pela concorrência, tem confundido difundir informação com patrocinar lacração.

Senti falta de militantes dos direitos humanos e de feministas criticando a matéria de programa “da odiosa Rede Globo” alisando a cabeça de criminosa sexual. Provavelmente a crítica nunca venha, afinal a criminosa faz parte da minoria a ser protegida, mesmo quando errada.

A Rede Globo, após a repercussão negativa da matéria, resolveu se pronunciar, demonstrando tardiamente alguma compaixão com a família da criança estuprada e assassinada.

E é a mesma Rede Globo que, ao final do ano, pedirá dinheiro no Criança Esperança.

PIB, pibinho...

PIB, pibinho...

O PIB brasileiro cresceu apenas 1,1%, bem abaixo do que, de forma otimista, a equipe econômica e mesmo bancos e corretoras previam, mas também muito acima do que andam dizendo nas redes sociais, afinal o Brasil não está decrescendo mas crescendo menos.

É preciso fazer um resgate para entender o que anda ocorrendo com a economia brasileira.

O atoleiro no qual nos encontramos precisa ser debitado na conta correta, a da ex-presidente Dilma Rousseff, a gerentona escolhida por Lula como sua sucessora.

A gestão Dilma foi responsável pelo terceiro pior desempenho, em termos econômicos, entre todos os presidentes, desde a proclamação da república.

Dilma só bate Floriano Peixoto, que pega o rescaldo da crise do encilhamento, nascida e alimentada pelo seu antecessor, Deodoro da Fonseca, e Fernando Collor, comandante da desastrada intervenção econômica patrocinada por Zélia Cardoso, sua ministra da economia.

Segundo estudo do professor Reinaldo Gonçalves, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a debacle dilmista não pode ser atribuída a qualquer evento externo, pois não houve alterações de monta na taxa de crescimento da renda per capita global nos primeiros anos desta década em relação à média dos últimos 36 anos.

Os números brasileiros, porém, apresentaram forte declínio, o que leva o estudioso a dizer que noventa por cento do fracasso de Dilma é resultado de falhas nacionais, em sua maioria nascidas no seio do governo.

Para o professor, a lema de Dilma foi “errar, errar de novo”, como se errar sempre pior fosse “a diretriz estratégica do governo Dilma”, o que resultou numa taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), nos anos Dilma, de apenas 0,2%, a famosa contra-indução denunciada por Mário Henrique Simonsen (uma experiência que deu errado inúmeras vezes deve ser repetida até que dê certo). No primeiro mandato foi de 0,3% e 0,1% entre 2015 e o primeiro semestre de 2016, ano em que ela caiu, após impeachment.

O legado foi transferido para o seu sucessor, Michel Temer, que, não restam dúvidas, merece os parabéns por, sem gritaria alguma, ter revertido um resultado de -3,3% em 2016 para um crescimento de 1,3% em 2017.

São vários os fatores que impedem a economia brasileira de decolar, alguns externos e outros internos.

Entre os externos: a recessão argentina e a diminuição no ritmo da economia chinesa.

Em meados da década de 1960, Castelo Branco preparou a economia para a retomada do crescimento, que se evidenciou já no mandato de Costa e Silva e, principalmente, no de Médici.

Os mecanismos de uma economia complexa como a brasileira não respondem de imediato às ações e injunções governamentais. O governo, por sinal, pode influenciar o crescimento, mas não controlá-lo.

Não é demais lembrar que em 2003, primeiro do mandato de Lula, a economia também cresceu os mesmos 1,1% de 2019.

Não era provável que Guedes e sua equipe fizessem milagres, ainda que o ministro tivesse dado indicações de que pudesse fazê-lo. E é por isso, por ter falado demais e sido até arrogante em alguns momentos, que Guedes tem de ouvir críticas caladinho.

Se tivesse sido mais cauteloso nos seus pronunciamentos, feitos sem base técnica, talvez Guedes não estivesse ouvindo clamor tão forte. Porém, preferiu sair proferindo bazófias sobre como iria zerar o déficit no primeiro ano e fazer a economia crescer 3% ao ano da noite pro dia, sem que os dados pudessem confirmar o que ele dizia.

Sendo mais marqueteiro do que economista, o ministro alimentou expectativas e, agora, tem de ficar com cara de paisagem ouvindo jornalistas e lideranças oposicionistas questionarem o crescimento pífio da economia nacional.

Ao governo Bolsonaro cabe criar trânsito no congresso nacional, pois a inabilidade política em levar adiante a agenda de reformas é, provavelmente, uma das responsáveis pelo baixo rendimento da economia, pois pressiona, para baixo, a confiança dos agentes econômicos.

Gritar que o congresso nacional está tomado por corruptos não resolve a equação, afinal ele está lá e enquanto estiver é com ele que o governo terá de negociar.

Churchil, o maior de todos

Churchil, o maior de todos

Em 24 de janeiro de 1965, 8h, morria, aos 90 anos de idade, Winston Leonard Spencer Churchill, em sua residência, no Hyde Park Gate, Londres, após nove dias de agonia em virtude de uma trombose cerebral.

Logo que a notícia foi tornada pública pelo seu secretário particular, a BBC iniciou uma cobertura especial, transmitindo os principais discursos do ex-primeiro-ministro e levando ao ar a Quinta Sinfonia de Beethoven, cujos acordes iniciais – três notas breves e uma longa – correspondem à letra V, no código Morse, representando o V da vitória que Churchill simbolizou e com o qual estimulava a resistência britânica e por que não dizer ocidental à agressão nazista, durante a segunda guerra mundial.

Churchill sabia que cabia aos britânicos resistir às investidas nazistas na Europa, como disse: “Hitler sabe que terá de nos vencer nesta ilha ou perder a guerra. Se pudermos resistir a ele, toda a Europa poderá ser livre e a vida no planeta poderá seguir adiante para horizontes abertos e ensolarados. Mas, se nós cairmos, então o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos, incluindo tudo o que conhecemos e do que gostamos, vai afundar no abismo de uma nova Idade das Trevas, ainda mais sinistra e talvez mais prolongada pelo uso de uma ciência pervertida. Que nós nos unamos para cumprir nosso dever, e desta forma nos elevemos de tal forma que, se o Império Britânico e sua comunidade britânica durarem mil anos, as pessoas ainda digam: ‘Aquele foi seu melhor momento!’.”

Sou fã incondicional de Winston Churchill, mas mesmo que não o fosse é difícil não reconhecer que ele é o maior estadista do século XX e um dos maiores de todos os tempos.

Foi ele o primeiro a elevar a voz alertando para o perigo que Hitler e os nazistas representavam, numa época em que entre todas as lideranças europeias defendiam uma política de apaziguamento, chegando a se aliar, mesmo sendo anticomunista visceral, a Stálin para combater a ameaça nazifascista. Quando questionado, disse: “Se Hitler invadisse o inferno, eu faria pelo menos uma referência favorável ao diabo na Câmara dos Deputados”.

Quando a França se rendeu vergonhosamente diante da Alemanha em 1940, o mundo esperava que ele fosse seguir esse caminho, mas disse: “Nós nunca nos renderemos... e lutaremos sozinhos até que o novo mundo venha resgatar o velho!” Era uma referência velada aos Estados Unidos e foi exatamente o que aconteceu, em 1941, depois que a antiga colônia inglesa foi atacada pelo Japão e entrou no conflito ao lado da Inglaterra, como ansiava Churchill.

A partir de 1944, apesar de aliados, já encarava Stalin como um inimigo, chegando mesmo a encomendar planos para um ataque contra a União Soviética após a vitória sobre a Alemanha.

No fim da guerra elevou novamente a sua voz para alertar para os perigos do comunismo, popularizando o termo “cortina de ferro”, quando ficou claro que Stálin não iria abrir mão dos territórios que conquistara no leste europeu.

Churchill foi o homem certo no lugar certo, mas, infelizmente, logo após a rendição alemã, perdeu as eleições (voltaria a ser primeiro-ministro na primeira metade da década de 1950).

Apesar de hábitos “pouco saudáveis”, como comer grandes quantidades de bacon e de beber pelo menos um quarto de litro de whisky quase que diariamente e fumar charutos desbragadamente, viveu até os 90 anos.

Estado pra quê?

Estado pra quê?

O Brasil é um país sui generis.

Qualquer pesquisa de opinião revela que todos – militares, professores, padres, jornalistas, empresários, banqueiros, etc – são mais confiáveis que os políticos.

Os políticos costumam alegar que os eleitores têm o hábito de puni-los por suas virtudes e qualidades, a saber, a de pertencerem a um poder mais aberto, o qual submete os seus erros ao escrutínio direto do grande público.

Um ex-presidente da república chegou a dizer que os políticos exercem a profissão mais honesta do mundo. Mais até do que o funcionário público concursado, que ralou para ser aprovado num concurso público, mas depois disso não dá mais satisfação a ninguém, enquanto o político tem de todo ano enfrentar o povo e prestar satisfação do que anda fazendo (http://g1.globo.com/politica/videos/v/lula-diz-que-profissao-politico-e-por-incrivel-que-pareca-a-mais-honesta/5308635/) (https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/nao-tem-uma-viva-alma-mais-honesta-do-que-eu-afirma-lula/) (https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/politico-mais-honesto-que-concursado-entidades-repudiam-fala-de-lula/).

Não restam dúvidas que o poderes nos quais estão encastelados os políticos, principalmente o Legislativo, são mais expostos do que os espaços ocupados pela esmagadora maioria das outras profissões.

No entanto, o julgamento dos cidadãos acerca do comportamento de suas lideranças políticas não está relacionada apenas às práticas do cotidiano parlamentar e tampouco às do executivo, ao ingente trabalho de administrar a sociedade, mas às posturas adotadas durante os períodos eleitorais e, principalmente, aos conchavos para desviar verba pública e para criar sinecuras e vantagens materiais para eles e para apaniguados.

O eleitor grita que não dá para confiar em gente desse tipo, mas ainda assim há uma infinidade de personalidades e uma casta de cidadãos que gostariam de aumentar a presença do Estado e, portanto, dos políticos na vida do país.

Já tivemos da direita à esquerda sentada nos birôs de gerentes do país, administrando os destinos do Brasil, nenhum conseguiu fazer a máquina pública trabalhar em prol dos que a sustenta – o povo.

A máquina pública brasileira continua, para citar Raymundo Faoro, sendo usada e abusada para garantir o sustento da própria burocracia e da elite política que controla as rédeas do Estado.

O cafajestismo da patrulha

O cafajestismo da patrulha

Já estou acostumado a ser apontado como fascista, machista, racista, homofóbico, entre outros elogios não muito nobres, tudo porque não rezo pela cartilha descolada dos que têm padrões morais pretensamente superiores, aqueles que se chamam de esquerda.

Semana passada vivi mais um momento desse, por meio de piadinhas e risinhos contidos.

Mas não vou falar de mim, afinal nada sou no jogo do bicho.

Vou tentar recuperar parte da vida de um artista que comeu o pão-que-o-diabo-amassou nas mãos dos patrulheiros de esquerda, que esquartejam e moem a reputação de qualquer um que se ponha à sua frente.

Wilson Simonal de Castro nasceu em 1938, no Rio de Janeiro. Negro e filho de uma empregada doméstica, passou pelas fileiras do exército e ali, como cabo, começou a cantar.

No final dos anos 1950 e início dos anos 1960, apresentou-se em festinhas com o grupo Dry Boys, quando foi descoberto por Carlos Imperial e logo a seguir por Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, passando a cantar em bares e casas de shows no Rio de Janeiro (https://ricmais.com.br/entretenimento/cinema/a-ascensao-e-a-queda-de-wilson-simonal/).

Em menos de cinco anos, Simonal, que era um cantor magnífico, com recursos vocais infinitos e personalidade musical insinuante, estava entre os artistas que criariam e consolidariam o que chamamos de música popular brasileira (MPB), com programa próprio na TV Record e liderando um movimento batizado como pilantragem.

Os seus sucessos (Meu Limão, Meu Limoeiro; Vesti Azul; Mamãe Passou Açúcar em Mim; Sá Marina; entre outros) tocavam nas rádios e TVs do país todo, levando-o ao topo da MPB.

No final da década de 1960, o negro Simonal era o artista da música mais bem pago do país e isso possivelmente o levou a acompanhar, em 1970, a seleção brasileira que ganhou o mundial de futebol no México. Chico Anysio, no filme-documentário Simonal – Ninguém sabe o Duro Que Dei, de 2009, dirigido pelo ex-Casseta & Planeta Cláudio Manoel da Costa, conta deliciosamente que, de tão ingênuo, o cantor acreditou que poderia ser incorporado ao elenco, inscrito como jogador.

A imensa popularidade do cantor, em virtude de sua facilidade em se comunicar com as massas e o assédio da imprensa, tornou Simonal um dos artistas preferidos do regime instaurado em 1964, o que irritava profundamente alguns setores esquerdistas da mídia e da classe artística brasileira. Simonal também era criticado por ser alienado, interessado em carrões e roupas de marca, por cantar músicas sem qualquer engajamento político e por ter casado com uma mulher loura.

O início do fim da carreira do líder da pilantragem ocorreu quando ele descobriu que estava sem numerário na conta do banco e atribuiu o fato ao seu contador, Raphael Viviani, dispensando sumariamente.

Demitido, o contador entrou com ação na justiça do trabalho, e Simonal chamou alguns amigos, entre eles agentes do aparelho repressivo do regime autoritário, para dar um corretivo nele.

Depois de ser sequestrado e torturado, o contador assinou confissão de que dera um desfalque nas contas do cantor. O que não se sabia era que a mulher denunciou o sequestro e convenceu o marido a abrir processo contra Simonal.

Condenado a cinco anos por extorsão e sequestro, Simonal ainda foi acusado, sem indício algum, por um oficial do exército, de ser colaborador do regime, o que destruiu sua carreira artística, pois praticamente todo o meio cultural do país passou a virar-lhe as costas. Poucas (Chico Anysio, Miéle, Elis Regina, Nélson Motta, entre outros) vozes se levantaram a seu favor.

Dois dos líderes do Pasquim, principal veículo propagador das acusações contra Simonal, Jaguar e Ziraldo nunca reviram suas posições. Aqui em Natal, em entrevista a uma TV local, Jaguar reconheceu que “exageraram um pouquinho”, e Ziraldo sempre disse que nunca havia sido verificada a veracidade das informações porque “nunca houve motivos para duvidar das fontes”.

Caído em completo esquecimento, Simonal só foi reabilitado em 2002, dois anos após a sua morte, quando, a pedido da família, a Comissão Nacional de Direitos Humanos da Organização dos Advogados Brasileiros abriu processo para apurar a veracidade das suspeitas de colaboração do cantor com órgãos de informação do regime de 1964. Segundo o então Secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, em documento de 1999, não existiam registros de que Wilson Simonal tivesse colaborado com nenhum órgão de informação do aparelho repressivo (https://br.historyplay.tv/hoje-na-historia/morre-o-cantor-e-compositor-wilson-simonal).

É possível perceber no livro "Nem vem que não tem – a vida e o veneno de Wilson Simonal", de Ricardo Alexandre, que o cantor poderia ser usado como um fantoche pelo regime autoritário, cantando músicas alienantes ou só divertidas (País Tropical) ou até em prol do regime (Brasil, eu fico), porém não há referência alguma de pessoa que tenha sido denunciada por Simonal aos órgãos de segurança e repressão.

Simonal foi vítima de uma classe artística engajada e que exigia engajamento de artistas de sucesso e uma mídia superficial que se preocupava demais com manchetes e de menos com pessoas.

O resultado: a destruição moral e física de um artista de sucesso e de um ser humano, com virtudes e defeitos, que não cometeu o crime a ele atribuído.

Quem um dia foi grande, hoje é nanico

Quem um dia foi grande, hoje é nanico

Há um tempo atrás, os partidários do ex-presidente Lula chegaram a compará-lo a Jesus Cristo, a Gandhi e a Mandela.

Não o comparemos ao homem que nasceu em Nazaré, por “n” motivos mas principalmente pela distância no tempo.

Fiquemos só com Gandhi e Mandela, homens do século XX que não lutaram por questões pessoais, foram presos por lutarem por ideais nobres, depois de soltos souberam trabalhar pela pacificação dos povos que lideraram e, ainda em vida, tornaram-se ícones de causas superiores.

Têm, ambos, os nomes registrados na história por unirem ou tentarem unir adversários e inimigos figadais.

Lula foi preso não pela defesa de ideais nobres e tampouco por ações dignificadoras, mas por participar de um grupo que assaltava os cofres do Estado.

Desde que foi solto, o líder petista tornou-se uma personalidade política quase irrelevante, um anão político, sem preocupação alguma com os destinos do povo que um dia liderou.

Vive apenas para fazer articulações políticas visando a eleição de 2022 e, por isso mesmo, é uma completa nulidade na atual conjuntura política brasileira.

Ninguém, tirando os sacerdotes e crentes do lulismo, consulta-o para nada, poucos defendem que ele é o homem para fazer o enfrentamento a Bolsonaro, porque Lula está abaixo, na fotografia política-eleitoral atual, do ex-capitão do exército e atual ocupante do Palácio do Planalto.

Esta semana, Rodrigo Maia cogitou uma aliança do centro com lideranças à esquerda. Entre os nomes da esquerda, Maia nem cogitou o de Lula. Ciro Gomes é, para o presidente da câmara de deputados, o nome a ser trazido para dialogar com o centro político.

De gigante político que foi, Lula só guarda lembranças.

Preso, o ex-líder metalúrgico ainda transparecia uma certa aura de resistência. Solto, percebemos que o tamanho real de Lula o gabaritaria para gravitar em torno de Branca de Neve.

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