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Os 50 anos de inauguração do ginásio Maristão

Os 50 anos de inauguração do ginásio Maristão

O dia 12.10.1969, um domingo, foi data especial para a comunidade Marista do Rio Grande do Norte. Trinta e nove anos após a chegada dos Irmãos Maristas a Natal, trinta anos depois de o Colégio funcionar no atual endereço - tradicional esquina das ruas Apodi e Deodoro, no Centro da Cidade - e depois de oito anos de persistência e luta para sua construção, foi inaugurado o ginásio Maristão.  Portanto, na data de hoje, a inauguração do ginásio completa seu cinquentenário. 

A construção foi totalmente financiada com recursos da congregação e, mesmo com a distância entre o início e o fim da obra, a motivação foi o que fez o sonho ser realizado. Guardadas as devidas comparações, o ginásio foi considerado o “Maracanã” dos alunos Maristas, que tinham naquele espaço uma praça ampla e particular para praticar esportes.

O ginásio foi entregue com capacidade para 1200 (um mil e duzentas) pessoas, dois portões largos para acesso interior, excelente piso de madeira com marcação polivalente para a prática de futebol de salão, basquete, handebol e voleibol, dois portões de escoamento, alambrado de um metro, iluminação, traves e tabelas.  Conforme revelou, à época, o jornalista Paulo Macedo em sua coluna no Diário de Natal, o evento recebeu público numeroso para a entrega do sexto ginásio esportivo da cidade (Silvio Pedroza, Palácio dos Esportes, ginásio do SESC, Escola Doméstica e Colégio das Neves). 

A data de inauguração coincidiu com a abertura da Olimpíada Marista e também com o aniversário do Irmão Francisco das Chagas Ribeiro, então Diretor do Colégio e a programação constou de benção pelo Irmão Machado (Vice-Provincial), breve discurso do Ir Chagas e desfile de bandeiras organizadas pelo Irmão Artur e pela Prof. Almira Amaral.

Após, dois jogos sacramentaram a inauguração, sendo um de futebol de salão entre os Ex-Alunos Maristas e a Seleção do Colégio e, em seguida, um de voleibol feminino entre o Colégio Imaculada Conceição (CIC) e o Colégio das Neves. 

No jogo de futebol de salão, o pontapé inicial foi dado pelo Irmão Edmundo. A partida terminou em empate por 3x3 e as equipes foram assim formadas: Ex-Alunos, jogando com a antiga farda de camisa branca com gola e faixa azul, com Enildo Alves, Wilton, Jucivaldo Félix, Maurício “Baíto” e Omar Romero; e a Seleção do Colégio jogando com camisa azul e branca em listras verticais e calção azul, com Nilson “Barrote”, Paulo Jefferson, Leonel Leite, Egídio “Doca” Câmara e Rogério Santos.

O professor Jucivaldo Félix, educador físico que participou do jogo e depois foi professor do Colégio Santo Antônio Marista de Natal por 30 anos, lembrou da ocasião com nostalgia e orgulho:

“Saí do Marista após ter sido campeão infantil e juvenil de futebol de salão. O Irmão Chagas gostava muito de mim. Chamou e perguntou, ao terminar o meu segundo grau, o que eu queria de presente. Eu desconversei, mas diante da insistência do diretor, pedi para inaugurar o ginásio, daí surgiu a ideia do amistoso entre os alunos e ex-alunos”.

Conta, ainda, Jucivaldo que a partida foi equilibrada, com os ex-alunos abrindo 3x1 e os alunos empataram no fim do jogo.

“Fiz o meu gol naquele jogo numa jogada conhecida com Baíto. Eu cobrei o lateral forte no peito dele, que fez o trabalho de pivô e devolveu para mim que vinha na velocidade e fuzilei para o gol”.

Outro nome que fez parte daquele jogo é Egídio Câmara, conhecido ainda hoje por “Doca”, atualmente servidor público do Estado e com atividade no ramo imobiliário:

“Antes a gente jogava numa quadra de piso xadrez vermelho e descoberta na frente da capela ou debaixo das mangueiras e jaqueiras ao lado da construção do Maristão. Com a inauguração do ginásio, com piso em madeira e sendo coberta foi uma enorme melhoria nas condições de jogo pra gente. Pena que logo depois eu terminei meu segundo grau e saí do Marista”. 

Egídio também faz referência a qualidade dos dois times:

“Veja que em ambas as equipes têm muita gente que se destacou no esporte. E o resultado final não foi jogo de compadres”.

O nome “Maristão” foi logo adotado pela comunidade Marista, passando a ser uma opção para a prática de esportes de quadra na cidade, não se restringindo apenas às atividades internas.

A edificação não consegue ser indiferente ao aluno Marista em todas as gerações que passaram pelo Colégio nestes cinquenta anos, em especial àquele que também foi/é atleta, tendo derramado seu suor em Olimpíadas Champagnat, Jern’s, Jogos da antiga comunidade Marista Brasil Norte (Atual Centro Norte) ou competições regionais ou nacionais. Vestir a camisa do Colégio Marista em competições esportivas sempre foi um orgulho para os seus alunos, sendo de reconhecida importância a colaboração que o Maristão proporcionou as diversas conquistas do Colégio nesses cinquenta anos.

O atual diretor, Irmão José de Assis Elias de Brito, que reconhecidamente tem dado apoio ao esporte em sua gestão, falou sobre o jubileu de ouro do ginásio:

“O ginásio Maristão foi um ambiente esportivo sonhado por muitas gerações que nos precederam pelo desejo de ter um espaço privilegiado de formação de nossos educandos atletas em sintonia com o nosso Projeto Educativo Marista, que tem no esporte uma de suas principais pilastras. Ao longo desses anos, o Maristão vem cumprindo com excelência sua missão, formando e revelando atletas de alto rendimento que nos representam nas mais diversas instâncias e muito nos orgulham”.

Nos anos 90, o ginásio recebeu, com absoluta justeza, o nome do Irmão Arlindo Aguiar (1922-1998), que sempre foi um entusiasta do esporte e da educação enquanto atuou no Colégio Marista de Natal nos anos 70.

As fotos que ilustram a postagem são dos times na partida inaugural e são do acervo particular de Egídio Câmara e Jucivaldo Félix.

Seleção do Marista: Elmar, Nilson “Barrote”, Paulo Jefferson, Eduardo Araújo, Arnóbio Abreu, Leonel Leite, Rogério Santos e Egídio Câmara.

Time dos Ex-Alunos: Omar Romero, Jucivaldo Félix, Enildo Alves, Wilton “Oncinha”, Maurício Maia, Maurício Mororó e Maurício “Baíto”.   

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Entrevistas com o Irmão Assis Brito, Profs. Jucivaldo Félix, Lúcia Leiros e Antonio Simplício Júnior e o ex-aluno Egídio Câmara; Diário de Natal. 

As confusões de Aragão, o Juiz Artilheiro

As confusões de Aragão, o Juiz Artilheiro

José de Assis Aragão é paulista e ex-árbitro de futebol. A polêmica o acompanhou e não lhe deu trégua dentro e fora de campo nos seus 24 anos de carreira. O blog escolheu três episódios que lhe deixaram ainda mais folclórico ao seu tempo de árbitro de futebol.

Em 1976, logo após o tradicional cara ou coroa para decidir quem escolheria a bola ou o campo com os capitães de Palmeiras x São Paulo, o volante tricolor Chicão dirigiu-se a Aragão e disse: “Vê se apita direito essa porcaria!”. Aí, não teve jeito. Antes mesmo de começar a partida, Aragão advertiu Chicão com o cartão amarelo.

Em 1980, final do campeonato brasileiro no Maracanã entre Flamengo-RJ x Atlético-MG. Aragão foi o escolhido para mediar o jogo que teve 154 mil pagantes e transmissão ao vivo para todo o Brasil. O juiz expulsou Reinaldo, do Atlético, quando a partida estava 2x2 e o placar era favorável ao “Galo”, por suspeitar que o craque mineiro estava “fazendo cera” caído em campo com dores musculares. Após a expulsão, o Flamengo fez 3x2 e foi campeão brasileiro. Há quem diga que o motivo da expulsão foi que Reinaldo xingou o juiz. Há quem diga que após esse jogo o árbitro passou a ser chamado de José de Assis AraMENGÃO.

O ponto máximo da lenda “Aragão” foi em 09.10.1983, no clássico Palmeiras x Santos, no Morumbi, pelo campeonato paulista. Já nos acréscimos, o Santos vencia por 2x1. O Palmeiras pressionava o gol de empate e tinha um escanteio a seu favor.  O árbitro se posiciona na área ao lado do poste direito e imagina que aquele será o último lance da partida. O corner é cobrado e a bola viaja para a área. A zaga rebate e a bola cai na entrada da área. O árbitro já estava com o apito na boca quando Jorginho Putinatti acerta um chute em direção ao gol santista. A bola iria para fora e Aragão tenta pular para se desvencilhar, mas ela bate na ponta da chuteira do árbitro e entra. Gol do Palmeiras!!!! O gol foi válido, para o desespero dos jogadores do Santos, pois a regra considera o juiz como elemento neutro dentro do gramado. Aragão ficou conhecido no mundo do futebol como “o juiz artilheiro” e ainda teve que receber o cumprimento do jogador palmeirense.

A imagem que ilustra a postagem é a mesma da capa da Revista Placar de 14.10.1983, onde aparece o árbitro, visivelmente constrangido, sendo cumprimentado pelo jogador palmeirense Jorginho. A referida capa contém a frase em letras garrafais: “Boa, Aragão!”  

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “O outro lado do futebol” (Teodoro de Castro Lino); Revista Placar; https://www.youtube.com/watch?v=YsuI-sUSk7Y

"El Loco Abreu" e a cavadinha

"El Loco Abreu" e a cavadinha

O seu nome de batismo é Washington Sebastián Abreu Gallo, é uruguaio, mas por alguma razão é conhecido como Loco Abreu. Começou no basquete, migrando posteriormente para o futebol. Passou por clubes do Uruguai, Argentina, México, Brasil, Equador, Chile, El Salvador, Espanha, Grécia e Israel. Na seleção uruguaia jogou as Copas do Mundo de 2002 e 2010.

Extremamente supersticioso, Loco Abreu veio jogar no Brasil num dos clubes mais associados ao misticismo: o Botafogo. Jogou com a camisa 13 às costas. No Campeonato Carioca de 2010, Flamengo x Botafogo chegaram a final que foi decidida num pênalti cobrado por ele e que se tornou emblemático por alguns motivos: foi o gol de número 13 de Loco Abreu pelo Botafogo e o gol de número 1000 do clássico, fatos que, por si só, já garantem a especialidade do momento. Porém, a forma como o gol foi marcado é que se tornou ainda mais particular. Foi de pênalti, cobrado com a ousadia de uma cavadinha, cuja bola roçou o travessão antes de entrar. O susto, que deve ter parado diversos corações alvinegros, bem que poderia aconselhar Loco Abreu a ser menos arriscado. “Às favas com a modéstia”, como mais tarde disse certo ministro do STF. Poucos dias depois, na Copa/2010, Uruguai e Gana jogaram valendo uma vaga nas semifinais. No último minuto da prorrogação, o atacante ganês Gyan desperdiça o pênalti que daria a vitória aos africanos. A disputa vai para os pênaltis. Coube a Abreu o último e decisivo. Loco Abreu caminhou para a bola. Se fizesse o gol, o jogo terminaria. Se não, restaria torcer pelo último ganês perder o tiro livre. No Brasil, milhões de telespectadores lembraram a final do Carioca e se perguntaram: será que ele vai dar a cavadinha?

Ele repetiu o feito e o Uruguai voltou a uma semifinal de Copa do Mundo desde 1970.

Cléber Machado, locutor da Rede Globo que fez o jogo, alguns anos depois disse:

“Está explicado porque o nome dele é Loco”. Um adversário tinha acabado de perder um pênalti no tempo normal, o cara vai para o ultimo pênalti, dá uma cavadinha e o Uruguai se classifica”.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: As melhores histórias do futebol mundial (Sérgio Pereira); https://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/cleber-machado-reve-uruguai-x-gana-de-2010-mais-legal-do-que-eu-lembrava.ghtml

Goleada no Castelão: América 10 x 0 Atlético. Taça Cidade do Natal, 1976

Goleada no Castelão: América 10 x 0 Atlético. Taça Cidade do Natal, 1976

Naquela fria noite de quarta-feira, o América enfrentava o Atlético, partida válida pela Taça Cidade do Natal que era um torneio que precedia o campeonato estadual de futebol. Diferentemente do torneio inicio - ou initium -, como na grafia da época, era um breve torneio de apresentação das equipes sem que as partidas fossem eliminatórias.

O América com Alberi no seu elenco contra o Atlético que tinha em João Machado o seu presidente de honra que, sem saber, estava a poucos dias de ser vencido por um acidente vascular cerebral – AVC (faleceu em 20.02.1976). Ele, o mesmo João Cláudio de Vasconcelos Machado que passou a ser o nome do estádio de futebol, em 1989, antes de ser transformado em Arena Marinho Chagas (Arena das Dunas).

A noite foi descortinada para receber a maior goleada do então Estádio Castelão desde a sua inauguração em 1972.

A chuva de gols se deu ainda no primeiro tempo, com o time rubro mostrando um futebol com um meio de campo envolvente e um ataque rápido. Ao fim da primeira etapa, a partida já marcava 6x0. O placar terminou de ser construído no segundo tempo, encerrando com o gol de Reinaldo, o último balançar das redes daquele dia e trazendo a curiosidade do placar voltar a marcar “0x0”, pois no espaço do placar somente cabia um algarismo, num tempo em que um funcionário da FENAT subia até a marquise e mudava o número do marcador a cada gol feito pelas equipes.

Apesar dos dez gols - o que fez a torcida americana vibrar, em média, a cada nove minutos de jogo -, um deles teve uma comemoração especial. Alberi, de pênalti, fez seu primeiro tento com a camisa rubra, com direito a pose com mãos nas cadeiras e três passos antes de colocar a bola no fundo do gol.

A foto que ilustra a postagem é manchete do Diário de Natal de 05.02.1976.

FICHA TÉCNICA:

AMÉRICA 10 x 0 ATLÉTICO

Data: 04.02.1976

Local: Estádio Humberto de Alencar Castelo Branco (Castelão)

Árbitro: Annecildo Batista de Carvalho

Público: 2.213

Renda: Cr$ 22.924,00 (vinte e dois mil, novecentos e vinte e quatro cruzeiros)

Gols: Pedrada (3), Ivanildo (2), Paúra (2), Reinaldo, Hélcio e Alberi.

América: Ubirajara; Nei (Ivan Silva), Odélio, Cosme e Olímpio; Paúra e Alberi; Reinaldo, Hélcio (Washington), Pedrada e Ivanildo. Técnico: Sebastião Leônidas

Atlético: Wilson; Paulo, Birino, Canindé(Toinho) e Paulinho; Ivan (Mariano) e Zé Gobat; Zé Luiz, Jamiel, Joãozinho e Dalmo. Técnico: Cocó

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal

Maradona versus Gatti

Maradona versus Gatti

Ambos argentinos. O primeiro um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, dispensando apresentação. Genial dentro de campo, controverso fora dele. Disparou tiros de ar comprimido em jornalistas, teve problemas com a justiça italiana e com a FIFA, viveu o pesadelo das drogas. Contou, ao sair de mais uma internação numa clínica de reabilitação:

- “Na clínica há um que acha que é o Napoleão, há outro que diz que o Robinson Crusoé e ninguém acredita que eu sou o Maradona”.

O segundo chama-se Hugo Gatti, um célebre goleiro, espalhafatoso nas vestes e gostava de sair jogando como um zagueiro, o que lhe valeu o apelido de “El Loco”.  Defendeu o Boca Juniors por 12 anos, encerrando a carreira aos 44 anos e após 26 anos no futebol. Esteve na Copa do Mundo de 1966.

Em 1980, Diego Maradona despontava no Argentino Juniors e Hugo Gatti já começava a pensar na aposentadoria. Na véspera do confronto entre as equipes pelo Campeonato Nacional, Maradona, então artilheiro da competição, avisou que faria dois gols em “El Loco”, apimentando o jogo. Gatti, a fim de justificar seu apelido, respondeu que o prodígio era bom jogador, mas lhe preocupava o físico do garoto, pois tinha tendência para ser gordinho. Maradona ouviu e objetou o arqueiro dizendo que não seriam mais dois, e sim, quatro gols. O jogo foi realizado no Estádio La Bombonera. “El Pibe D’Oro” cumpriu sua promessa. O Argentino Juniors venceu por 5x3 o Boca Juniors com quatro gols do camisa 10, calando o camisa 1.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “As melhores história do futebol mundial” (Sérgio Pereira); https://www.youtube.com/watch?v=-wfp8MaBo0A

A Meia-Maratona do Sol e os primórdios do pedestrianismo em Natal

A Meia-Maratona do Sol e os primórdios do pedestrianismo em Natal

Neste sábado, teremos a sexta edição da Meia-Maratona do Sol, que é assim chamada por ser realizada em Natal, Cidade do Sol, uma faz mais belas cidades do Brasil e que tem um percurso de rua onde o participante passa por vários cartões postais da cidade respirando o ar mais puro das Américas.

A corrida de rua se tornou "febre" no Brasil, acompanhando uma tendência mundial, com a grande estimulação, seja para o corredor amador, seja para o profissional, em participar de circuitos explorando as características de cada cidade, com trechos com variações de 5km, 10km, 21km ou 42km.

Em Natal, a corrida de rua ou pedestrianismo é praticada desde os anos 60, havendo naquela época representação forte que tinha como associados o América FC, Santa Cruz EC, Liga Macaibense de Desportos Amadores, Potengi Esporte Clube, antiga Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte (atual IFRN), Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), além das Forças Armadas e da Polícia Militar, que sempre contribuiram com excelentes atletas. O Conselho Regional de Desportos, que por muito tempo foi capitaneada pelo desportista Aluízio Menezes de Melo, cuidava dos interesses deste esporte, daí a existência, até hoje, de corridas tradicionais como a “Corrida do Fogo”, a “Prova Augusto Severo” e a preliminar da “São Silvestre”, evento este que classificava os primeiros colocados para ir a São Paulo disputar a clássica prova no último dia do ano, prova esta patrocinada pelo Jornal Gazeta Esportiva.

E falar do pedestrianismo de outrora em Natal é lembrar de Luiz Cabral de Souza, multicampeão de corrida de rua e que dominou o cenário potiguar entre 1963 a 1974, sendo o nosso representante ano após ano em SP na São Silvestre e em duas oportunidades foi o 3º lugar entre os brasileiros (1968 e 1971).

Ao longo de sua carreira, Cabral teve conterrâneos adversários com quem travou grandes disputas como Israel Torres e José Alves Santana, estes nos anos 60. A partir dos anos 70, outros personagens começaram a surgir como Walter Pinheiro da Silva, Elias Severo, Sebastião Nicolau, Marlon Luiz de Freitas até a chegada de José Felipe dos Santos, em 1975, que o desbancou pela 1ª vez e passou a ser o novo campeão das provas de rua em Natal.

Ao tempo em que a tecnologia chegou também para a corrida de rua, onde os corredores possuem tênis levíssimos com amortecedores a fim de evitar lesões e impulsionam o atleta ajudando a ganhar milésimos de segundos, e se utilizam de chips para identificação e marcar, eletronicamente, o tempo dos corredores, nos primórdios a coisa era muito amadora e feita até mesmo de forma artesanal.

Não era nenhuma novidade que o atleta enfrentasse o trecho da prova correndo descalço mesmo se tratando de correr no asfalto, o que muitas vezes fazia com que o atleta chegasse com os pés totalmente machucados. Mas isso era uma opção. Muitos deles preferiam correr assim. Outro detalhe interessante era o controle da prova. Os atletas largavam com grossas fichas de papelão entre os dedos contendo o respectivo número e, ao passar pelo Controle de Fichas, soltavam no chão para comprovar que tinham cruzado por aquele posto. Ao fim da corrida, a equipe coordenadora fazia a contagem para ter a certeza de que aquele atleta, verdadeiramente, havia cumprido a corrida integralmente ou tinha pego algum atalho.

No momento em que a Meia-Maratona do Sol é a modernidade, trazemos um pouco da história da corrida de rua em Natal, lembrando de fatos pitorescos e personagens que foram destaques no passado e deixaram seus exemplos para a nova geração de corredores de rua. 

A foto que ilustra a postagem trata da largada de uma corrida de rua nos anos 60, na praia do Meio, ao lado da sede do Santa Cruz (por trás das ruínas do Hotel dos Reis Magos). Observem a Avenida Getúlio Vargas ainda arborizada e sem espigões.  Outro detalhe são as fichas de papelão entre os dedos dos corredores (Foto do Acervo de Mirocem Ferreira Lima).  

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