Blog do Kolluna

01/08/2019 17:21

A BENÇÃO, JOÃO DE DEUS...

A BENÇÃO, JOÃO DE DEUS...

Em 1980, durante a realização do X Congresso Eucarístico Nacional, os brasileiros receberam pela primeira vez um Papa no país. Naquele ano, o Maracanã recebeu 101.199 pagantes em um domingo em que Fluminense e Vasco decidiram o título do 1º turno do Campeonato Estadual em jogo-extra. Houve empate de 1x1 no tempo normal, que persistiu na prorrogação. Enquanto se esperava a cobrança de pênaltis, a torcida tricolor começou a cantar:

“A benção, João de Deus/Nosso povo te abraça/Tu vens em missão de paz/Sê bem-vindo/E abençoa este povo que te ama”.

A música era em homenagem ao Papa João Paulo II, de autoria de Péricles de Barros, cantada por Luiz Gonzaga e que saudava o líder católico. A música tornou-se um hit naquele ano. Não há como provar a interferência divina, mas o goleiro tricolor Paulo Goulart defendeu duas cobranças e o Flu venceu por 4x1. A partir desse momento o hino nunca mais deixou de ser cantado pela torcida tricolor. Em 2010, o polonês Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, foi oficializado como padroeiro do clube das Laranjeiras, ao lado de Nossa Senhora da Glória.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “1981: o ano rubro-negro (Eduardo Monsanto); site: www.flunomeno.com

24/07/2019 07:44

HÁ 22 ANOS, OUTRA POLÊMICA SOBRE A EXPRESSÃO “PARAÍBA”

HÁ 22 ANOS, OUTRA POLÊMICA SOBRE A EXPRESSÃO “PARAÍBA”

Diante da recente controvérsia sobre a declaração do Exmo. Sr. presidente da República, que se utilizou da expressão “paraíba” como forma de dirigir-se aos nordestinos, o blog relembra outra polêmica, desta feita no esporte e ocorrida aqui em Natal.

Em 1997, um clube do Rio Grande do Norte voltou à elite do futebol brasileiro. Após conseguir o acesso a Série A do campeonato nacional no ano anterior, o América estava outra vez na principal competição e entre os grandes clubes do país.

A equipe rubra teve uma honrosa participação, ficando em 16º lugar, com 7 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. O Machadão transformou-se no caldeirão americano, endurecendo as partidas contra os tradicionais adversários, sucumbindo a única derrota em casa na derradeira partida, contra o São Paulo (1x3 em 02.11.1997).

Não precisa ser torcedor fanático do América para lembrar, na ponta da língua, a base daquele belo time de futebol, que disputou o Brasileirão/1997. Emerson, Dinho, Marcelo Fernandes, Gito e Denys; Moisés, Carioca, Moura e Biro-Biro; Gian e Richardson, tendo como técnico Júlio Cesar Leal.

De todas as partidas jogadas no Machadão, talvez a mais emblemática tenha sido contra o Vasco da Gama/RJ, válida pela 13ª rodada. O Vasco de Carlos Germano, Mauro Galvão, Juninho Pernambucano, Evair e Edmundo e que seria o campeão brasileiro daquele ano.

Naquele dia, o time potiguar promovia a estreia de Marcelo Fernandes, que veio do Santos/SP, na zaga, substituindo Nelson. Marcelo entrou para tomar conta da camisa 3 e não mais sair do time.

Logo aos 2 minutos de jogo, Edmundo cometeu uma falta por trás em Gian e recebeu o primeiro cartão amarelo. No segundo tempo, tratou de puxar a camisa do volante Moisés, recebendo o segundo cartão e, consequentemente, sendo expulso do jogo.

Então a polêmica. Em sua saída de campo, o jogador fez a seguinte declaração:

 “a gente vem na Paraíba, um ‘paraíba’ apita, só pode prejudicar a gente”.

Além do desconhecimento geográfico, a ira do “animal” era direcionada ao árbitro cearense Dacildo Mourão, conhecido pela distribuição de cartões amarelos nas partidas que apitava. Nos vestiários, utilizando de argumentos culturais, tentou justificar alegando que o nordestino é chamado de “paraíba” no Rio de Janeiro.

A declaração rendeu ao jogador processos judiciais, um deles uma representação criminal pela prática de racismo proposta pelo jornalista paraibano Sebastião Barbosa de Souza. A promotoria de justiça criminal da Paraíba declinou da competência em face do delito ter ocorrido em Natal/RN, remetendo os autos à Comarca desta Capital. Aqui o processo foi arquivado, em face da decadência ocorrida.  

O outro processo foi uma ação de indenização por danos morais, apresentada pelo mesmo jornalista, que apesar de ter sido julgada procedente no juízo de primeiro grau, foi reformada a sentença pelo TJ/PB, tendo o relator entendido que “as ofensas não foram dirigidas ao jornalista, mas ao árbitro de futebol”.

Na outra Justiça, a desportiva, embora estivesse passível de pegar 11 partidas de suspensão, conforme denúncia da procuradoria, o jogador foi absolvido pelo Tribunal Especial da CBF, pagando uma multa de R$ 75,00 (setenta e cinco reais). Edmundo entrou instigado no jogo seguinte, após o julgamento. Sem falar com a imprensa, descontou sua ira animal contra o União São João de Araras, marcando todos os seis gols na vitória de 6x0, um recorde até então imbatível em campeonatos brasileiros.  

O jogo entre o América e o Vasco terminou sem abertura de contagem, e ficou na história e no folclore do futebol nacional, tendo o Jornal do Brasil publicado, em 22.08.1997, a charge que ilustra este post.

FICHA TÉCNICA

AMÉRICA 0x0 VASCO

Data: 20-08-1997

Local: Machadão

Público: 26354

Renda: 265.850,00 (duzentos e sessenta e cinco mil, oitocentos e cinquenta reais)

Árbitro: Dacildo Mourão/CE

Auxiliares: Arnaldo Pinto Filho/BA e Ricardo Menezes/PE

AMÉRICA: Emerson; Dinho, Marcelo Fernandes, Gito e Denys; Moisés, Carioca, Moura e Richardson; Gian (Biro-Biro) e Raudnei (Agnaldo). Técnico: Júlio Cesar Leal

VASCO: Márcio; Maricá (Felipe), Odvan, Mauro Galvão e Cesar Prates; Luisinho, Walber, Ramon e Pedrinho (Mauricinho), Edmundo e Evair (Marcelo). Técnico: Antonio Lopes

 

19/07/2019 14:14

O ÁRBITRO EXPULSOU O SEU ASSISTENTE

O ÁRBITRO EXPULSOU O SEU ASSISTENTE

Na noite de 31.01.1968, no Estádio Juvenal Lamartine, em partida amistosa entre o América-RN x Santa Cruz-PE, ocorreu um lance inusitado. A certa altura do jogo, o lateral-esquerdo Jório (Santa Cruz) xingou o assistente Afrânio Messias. Este comunicou o ocorrido ao árbitro Luiz Meireles que, incontinenti, expulsou o atleta infrator. Todavia, o assistente trocou ofensas verbais com o atleta pernambucano, sendo repreendido pelo árbitro, havendo uma discussão áspera entre os dois, com Messias atirado a bandeirinha ao chão. Diante disso, irritado com a atitude, o árbitro Luiz Meireles expulsou também o seu assistente de campo, tendo o jogo continuado somente com o outro assistente Jáder Correia cobrindo os dois lados do campo.

A rusga entre os profissionais do apito não teve maiores conseqüências, tanto assim que quatro dias depois o Estádio Juvenal Lamartine recebeu Mané Garrincha, em partida de exibição atuando pelo Alecrim contra o Sport Recife, com o comando do próprio Luiz Meireles, auxiliado pelos irmãos Afrânio e Ailton Messias, peleja que terminou com a vitória dos visitantes e foi considerada como bastante disciplinada em todos os aspectos.  

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “O outro lado do futebol” (Teodoro de Castro Lino); Jornal Diário de Natal.

15/07/2019 19:31

A CURIOSA SINA DA TAÇA JULES RIMET

A CURIOSA SINA DA TAÇA JULES RIMET

O destino da taça Jules Rimet é conhecido. Após o Brasil ficar com a posse em definitivo depois de vencer os mundiais de 1958, 1962 e 1970, a taça feita de prata e ouro passou a ser exposta numa redoma de vidro na sala de troféus da Confederação Brasileira de Futebol. Em 1983, o troféu foi roubado e, embora tenham descoberto os autores, a peça nunca foi recuperada. Prevaleceu a tese de que foi derretida, embora tanto tempo depois a FIFA permaneça sem acreditar nessa história.

Antes desse episódio, dois outros sumiços aconteceram com o mesmo troféu. Com o início da Segunda Guerra Mundial, a taça estava na Itália que havia vencido o mundial de 1938, porém, em local incógnito. Benito Mussolini ordenou seus soldados que buscassem e encontrassem a taça.

Anos depois, se descobriu que quem salvou a taça de cair nas mãos do nazi-fascismo foi o dirigente italiano Ottorino Barassi, que a gaurdou numa caixa de sapatos debaixo de sua cama, não sendo descoberta sequer quando da busca pelos soldados de Il Duce na casa do dirigente. Em 1946, no primeiro congresso da FIFA após a guerra, o troféu foi apresentado, intacto.

Vinte anos depois, a Inglaterra estava aflita. A Copa do Mundo começaria em junho daquele ano e a taça Jules Rimet, original, tinha sido roubada do Methodist Central Hall, de Westminster.

A Rainha chamou de “escândalo”. A Scotland Yard virou o país ao avesso. Até que na manhã de 27.03.1966, um cão com 4 anos de idade, de raça Collie e chamado Pickles saiu para passear com o seu dono, David Corbett, quando de repente, o cão meteu-se debaixo de um arbusto e farejou um pacote. O dono, ao abrir o embrulho, se deparou com um troféu um pouco pesado e começou a ler “Uruguai, Itália, Alemanha, Brasil”. Tomou um susto e gritou: - “É a Taça do Mundo!!!”.

Pickles tornou-se um herói! Apareceu nas capas de jornais e revistas, estrelou um filme, fez propagandas na TV e ganhou um ano de ração, gratuita, paga pelos patrocinadores da Copa.

Como uma estrela, Pickles seguiu o lema relacionado ao mito James Dean “Live Fast, Die Young” (Viva rápido, morra jovem). Morreu, tragicamente, um ano depois, ao perseguir um gato e a sua coleira prendeu-se num galho de árvore, pendurando-o e sufocando-o. Morreu como um herói!”.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “As melhores histórias do futebol mundial” (Sérgio Pereira); “Política, propina e futebol” (Jamil Chade).

*O conteúdo deste blog não representa necessariamente a opinião do portal.