Blog do Kolluna

Uma noite de Rei

Uma noite de Rei

Moacir é um ex-jogador de futebol campeão do mundo pela seleção brasileira, em 1958. Era meio campo do Flamengo e reserva de Didi. Não jogou nenhuma partida na Copa. Sua reverência ao colega do Botafogo e titular absoluto da seleção era tanta que, na celebração da vitória, na Suécia, foi em Didi que deu o primeiro abraço após entrar em campo no apito final.

Conta Armando Nogueira que na festa da vitória, numa boate em Estocolmo, ao entrar no local viu que todos dançavam. Damas louras e cavalheiros morenos, dois a dois, num completo carnaval.

Deu de cara com o Moacir, carinha de menino triste, mas que triste não era (e nem estava). Ele pulava no salão à meia luz aos cuidados de uma loura estonteante.

O jogador, antevendo o lance e antecipando-se para que não estragassem a sua festa particular, dirigiu-se ao jornalista e pediu, entre dentes, quase em murmúrio.

- Não fala o meu nome. Me chama de Pelé...

Na imagem que ilustra a postagem, Moacir está entre Zagallo e Dida, na Suécia, em 1958.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: “O canto dos meus amores” (Armando Nogueira); Revista Placar.

1976: O goleiro Índio e a sua fantasia original

1976: O goleiro Índio e a sua fantasia original

O campeonato estadual de 1976 aumentou a interiorização do futebol do Estado, com a participação do Baraúnas de Mossoró e do Potyguar de Currais Novos, unindo-se ao Potiguar de Mossoró que iniciara em 1974. O time do Seridó tinha como goleiro um atleta conhecido como “Índio”, o qual, num jogo contra o ABC FC, em Natal, entendeu de entrar em campo a caráter fidelizando a sua alcunha.

O goleiro, então dono de vasta cabeleira, providenciou uma pena e a encaixou em suas madeixas com a ajuda de uma fita. À falta de urucum, tinta originalmente utilizada pelos indígenas para a pintura do rosto, adaptou tiras de esparadrapo com a ajuda do massagista da equipe, simulando uma “pintura de guerra”.

Antes da partida, o índio não queria apito, queria espelho, sempre atento a algum detalhe no próprio reflexo que pudesse melhor compor o seu visual. Perguntado pelos jornais da época a razão daquela aparência em um jogo de futebol, disse o arqueiro: “É uma homenagem que quero prestar aos nossos irmãos tão pouco lembrados. Eles precisam de nossa ajuda e da nossa amizade”.

O jogo se deu em 04.04.1976, um particular “Dia do Índio” (o goleiro), antecipando em uma quinzena de dias a data festiva destinada aos indígenas.

Índio, à época com 22 anos, já tinha uma carreira longa no futebol. Iniciou na base do Sport Clube Recife, de onde seguiu para o juvenil do São Paulo FC. Profissionalizou-se e foi jogar no Marília do interior paulista. De lá foi para o Umuarana/PR, retornou ao Nordeste para jogar no América/PE e, por último, estava no Treze de Campina Grande, quando foi contratado para reforçar o clube seridoense no seu primeiro estadual. Ficou conhecido não só pelo folclore de sua fantasia, mas também por ser arrojado e corajoso na defesa do time seridoense. 

A ilustração da postagem contém a foto publicada no Diário de Natal e que acompanha a reportagem sobre o jogo.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal

George: The Best

George: The Best

Na Irlanda do Norte há um ditado popular: “Maradona Good. Pelé Better. George Best”. George Best nasceu em Belfast, a maior cidade da Irlanda do Norte, e foi descoberto pelo famoso olheiro do time do Manchester United, Bob Bishop. Ele enviou o garoto de 15 anos para o técnico dos Red Devils, Matt Busby, com o seguinte bilhete: “encontrei um gênio para você”.

Best permaneceu no MU de 1963 a 1974. Jogava com a 7 às costas. Foi duas vezes campeão inglês e uma vez campeão europeu. Tinha em Busby o seu padrinho e protetor. Compôs com Bobby Charlton e Denis Law um imortal ataque do Manchester que marcou junto 665 gols.

 Deixou o Manchester com 27 anos e foi jogar nos Estados Unidos. Lá encontrou outro gênio: Pelé. Este pelo NY Cosmos e Best pelo LA Aztecs, jogaram na temporada de 1976/1977. 

Em face de sua vida desregrada extra campo teve curta carreira. Em 2002, estava destruído pela cirrose, tendo que fazer um transplante de fígado. A cirurgia foi um sucesso, mas Best voltou a beber. Em 2005, nova internação. Seu estado era grave. Pelé visitou-o, deixou um envelope e pediu para ser aberto somente após a despedida.

Com Pelé já fora do hospital, seu parceiro no ataque do MU, Denis Law abriu o envelope que continha uma mensagem de apoio, desejo de melhoras e terminava assim: “from the second BEST soccer player of all time. Pelé”. (do segundo melhor jogador de futebol de todos os tempos. Pelé).

Best riu e disse: “Este foi o último e melhor brinde da minha vida”.

Morreu dias depois, em 25.11.2005, aos 59 anos de idade.  

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: As melhores histórias do futebol mundial (Sérgio Pereira); http://pelethebest.blogspot.com/2015/05/pele-e-george-best-os-primeiros.html?m=1

Anselmo: o vingador rubro-negro

Anselmo: o vingador rubro-negro

Esta semana, o Flamengo volta a disputar um título da Libertadores. Trinta e oito anos depois, o rubro-negro chega a uma final onde o tira-teima se dará contra os argentinos do River Plate. Se em 1981, a final se deu em Montevidéu/URU, em 2019, também será em campo neutro: Lima, no Peru.

Em 1981, a fórmula para a final era de uma partida na casa de cada um. O Flamengo venceu o Cobreloa/CHI, por 2x1, no Maracanã. Na partida de volta, vitória do Cobreloa por 1x0, num jogo em que os chilenos bateram à vontade nos brasileiros com a permissividade do árbitro uruguaio, a ponto do meia Lico ter os dentes quebrados e Adílio o supercílio aberto ao receber um soco do zagueiro Mário Soto, que teria jogado com um seixo de pedra na mão. Uma “negra” foi marcada para três dias depois, no Estádio Centenário, em Montevidéu.

O Cobreloa, pelo gol feito no Maracanã, jogava com a vantagem de empatar no tempo normal e na prorrogação. Não haveria pênaltis.

O goleiro Raul decidiu jogar com uma camisa amarela, assim como fez na decisão da Libertadores, em 1976, pelo Cruzeiro. A superstição faz parte do mundo do futebol. Os capitães das equipes se apresentaram no meio campo e cumprimentaram o trio de arbitragem. Mario Soto estendeu a mão a Zico e este recusou a saudação. O chileno riu, mal sabendo que melhor ri quem ri por último. O “Galinho” entrou em campo com “a faca nos dentes”.

Jogo tenso. Zico recebeu a primeira entrada dura aos 20 segundos. Aos 17 minutos, Zico abriu o placar ao receber a bola de Andrade, que interceptou uma saída errada dos chilenos. O Flamengo cresceu e desperdiçou outras oportunidades, enquanto o Cobreloa apelava. Aos 24 minutos, Alarcón foi expulso ao entrar forte sobre Andrade. O tempo fechou no Centenário e Zico comandou a retirada dos jogadores da confusão. Puebla, um dos mais violentos chilenos na partida da volta, caça Adílio sem deixá-lo jogar, sempre apelando para a violência. Aos 35 minutos, Zico foi atingido pelas costas por Mário Soto. Fosse por outro não teria maiores consequências, mas o zagueiro do Cobreloa era a incorporação do carniceiro e foi o protagonista das maiores agressões no jogo do Chile. O sangue dos jogadores rubro-negros começou a ferver. Jogo recomeçado e Jimenez entrou com violento carrinho atingindo Júnior. Andrade vinha na jogada e não perdeu a viagem, dando um pontapé no adversário e recebendo, incontinenti, o primeiro cartão vermelho da sua carreira.

O jogo ficou igual de novo  no número de atletas em campo. Na volta do intervalo, os chilenos tiveram que se abrir, pois tinham que conseguir o empate que lhes favorecia. Mas não esqueciam que o seu forte era a porrada. Mario Soto, outra vez, deu um tapa no rosto de Zico fora da vista do árbitro. Aos 75 minutos, Tita lançou Adílio por elevação e o goleiro Wirth teve que sair da área e interceptar com a mão. “Falta na entrada da área, adivinha quem vai bater?”, diz a música de Jorge Benjor. Bola à frente da meia-lua de grande área. Cinco homens na barreira. Zico deu dois passos e no terceiro bateu magistralmente na bola, que foi morrer no fundo do gol adversário e o goleiro nem se mexeu. Gol que o próprio Zico considera o mais importante de sua carreira e que foi imortalizado na voz de Jorge Cury, da Rádio Globo.

Vitória praticamente garantida. Faltava à forra. Já aos 85 minutos, Tita recebeu a bola na frente do banco do Flamengo e foi mais um a receber um soco de Mario Soto. Foi à gota d’água.

O treinador Paulo Cesar Carpegiani tinha visto do banco todas covardes agressões praticadas pelo zagueiro chileno. Chamou o centroavante Anselmo, 21 anos, cria da base rubro-negra, que recebeu do treinador a instrução que mudou sua vida.

“- Vai lá e dá uma porrada no cara!!!”

O fotógrafo Almir Veiga, do Jornal do Brasil, sentiu que haveria alguma coisa diferente. Era clara a exaltação no banco do Flamengo. Esqueceu o jogo e colou a tela de sua máquina fotográfica nos passos do Anselmo, flagrando o momento em que o atacante fechou a mão direita e meteu um violento murro na cara de Mario Soto, que foi a nocaute. O fotógrafo e o assistente Juan Cardellino foram as únicas testemunhas do ocorrido. 

Missão cumprida. Carpegiani assumiu a responsabilidade do ato.

Na volta para casa, Flamengo, campeão da Libertadores, a massa rubro-negra esperava o time no Galeão em festa. Leandro, enrolado no manto sagrado, entoava, desafinada e emocionadamente, em cima do carro de som: “Oh meu Mengão/eu gosto de você/quero cantar ao mundo inteiro/a alegria de ser rubro-negro/conte comigo Mengão/acima de tudo rubro-negro!!!”. Raul e Lico, que tentaram sair do aeroporto de fininho, foram descobertos e sentiram a medida do amor da torcida pelos seus ídolos: tiveram suas roupas e sapatos carregados pelos torcedores. Anselmo se sentiu ídolo. Carregado nos braços da torcida como um mártir, conheceu a fama e os holofotes.

Ao chegar a sua casa, festejado pela família, recebeu o beijo e o abraço apertado de sua mãe, sua maior incentivadora a ser jogador de futebol, e a sentença que ficou marcada para sempre:

“- Meu filho, você não vai ficar conhecido pelo que fez com os pés, mas sim pelo que fez com as mãos”.            

O “vingador”, muito tempo depois, instado a falar sobre o episódio, é lacônico:

“- Não é exemplo, mas aquilo foi coisa de momento. Sangue quente. Aquilo foi comemorado porque as agressões tinham sido muitas”.

Já Soto, ao ser perguntado sobre Anselmo, resmunga:

“- Aquele do Flamengo? Foi um covarde!”

Para a torcida, um herói!!!

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: 20 jogos eternos do Flamengo (Marcos Eduardo Neves); 1981: O ano Rubro-Negro (Eduardo Monsanto); O vermelho e o negro (Ruy Castro); https://www.youtube.com/watch?v=tHzzS1q6gN8

Brasil x Argentina. A "batalha" de Rosário em 1978

Brasil x Argentina.  A "batalha" de Rosário em 1978

Chamado de superclássico das Américas, Brasil x Argentina guardam diversas partidas históricas entre si, porém, uma delas tem um enredo especial. Aquela realizada no modesto estádio, curiosamente chamado de Gigante de Arroyito, em Rosário, e que foi decisiva para a definição de um dos finalistas da Copa do Mundo de 1978.

Com a facilidade que a tecnologia hoje nos proporciona e a partida sendo disponibilizada na internet, parei para assistir todo o jogo e então se descortinou uma verdade que não é tão propagada. O jogo passou longe de ser considerada uma “batalha”.  

A história pouco fala de um detalhe desse jogo. A tendenciosa administração da Copa antecipou a chegada da seleção brasileira em meia hora ao estádio. Uma forma de prolongar a ansiedade dos jogadores e, de alguma forma, o psicológico funcionar contrariamente para os brasileiros, uma vez que o estádio era menor que os demais e o calor da torcida iria provocar alguma reação nos jogadores.

O treinador Cláudio Coutinho, inteligentemente, mandou que os jogadores, ainda de agasalho, subissem ao gramado e ficassem passeando sempre mais para o meio do campo, como se fazendo um reconhecimento do gramado. Longe, porém, do alambrado. A torcida passou a vaiar enormemente os atletas, jogar bobina de máquina, papel higiênico e o que tinham em mãos. Nessa meia hora eles cansaram. Pararam de apupar. Então a equipe desceu ao vestiário para aquecer.

O jogo em si, considerando as condições oferecidas, até que foi normal demais diante da tradição desse clássico. Campo pequeno, torcida próxima, gramado extremamente escorregadio, noite fria e os jogadores mais preocupados em catimbar do que jogar futebol.

Coutinho, habilmente, escalou o volante são-paulino Chicão, que colou em Mário Kempes como um carrapato e não o deixou ser o cérebro argentino da criação e da chegada surpresa no ataque.

O time brasileiro tinha jogadores com a característica do jogo cadenciado, imprópria para uma partida mais pegada, como Jorge Mendonça e Dirceu. Até a nossa zaga não era de impor respeito mostrando as travas da chuteira. Oscar e Amaral tinham a técnica como sua maior qualidade, embora a partida tenha mostrado o quão importante foi Oscar, um verdadeiro xerife que colocou o centroavante Luque no bolso e usou da malícia quando foi necessário.

Outro jogador importante na parte defensiva foi o lateral-direito Toninho Baiano. Não deixou Ortiz jogar, a ponto do argentino ser substituído no segundo tempo por Alonso, que só  congestionou o meio de campo numa época em que se jogava com pontas abertos. Toninho ainda contribuiu para tirar de jogo o craque Ardilles, pegando-o de jeito no fim do primeiro tempo, obrigando o treinador Cesar Luiz Menotti a colocar Ricardo Villa em campo, o melhor amigo de Ardilles e que após a Copa ambos seguiram para o Tottenham Hotspur, onde foram ídolos.

No entanto, entre os brasileiros o grande nome do jogo foi o de Batista. O volante do Inter armou, combateu, segurou o jogo na hora certa, arrepiou quando foi necessário, correu todo o campo o jogo inteiro e não se intimidou com a cara feia de Passarella.

Quanto ao jogo, muitos chutes de fora da área, nenhum a causar perigo aos gols de Emerson Leão e Ubaldo Fillol, ambos jogando de camisas verdes. O ponta-direita Gil, no primeiro tempo, chutando em cima de Fillol e Roberto Dinamite, no segundo tempo, em triangulação com Zico (que entrou no lugar de Jorge Mendonça) e Batista tiveram as melhores chances para o Brasil. Ortiz teve o gol escancarado após um cruzamento de Bertoni e não soube aproveitar o melhor momento argentino no jogo.

O empate em 0x0 deixou as duas seleções em pé de igualdade, sendo necessária a intervenção da FIFA para colocar os jogos Brasil x Polônia e Argentina x Peru na última rodada em diferentes horários, a fim de que os Hermanos soubessem do que precisavam para ir à final com os holandeses. O Brasil terminou a Copa invicto, tendo o treinador Cláudio Coutinho considerado que fomos campeões morais, "título" que foi muito contestado pela imprensa, à época.

Emerson Leão, hoje, justifica a fala do treinador falecido em 1981.

“Ele quis dizer que: primeiro, nós não perdemos; segundo, não nos deixaram ganhar; ofereceram aquela vergonha do Peru com a Argentina; e mudaram o jogo que decidiu a final”.

Na foto da postagem, Chicão dá um tapa em Kempes no fim do primeiro tempo. Dirceu pega Ardilles, assistido por Roberto Dinamite.

Assis: O Carrasco do Flamengo

Assis: O Carrasco do Flamengo

Benedito de Assis da Silva iniciou sua carreira de jogador de futebol no interior paulista e somente aos 28 anos chegou a um clube considerado grande: o São Paulo. Passou pelo Internacional/RS e aos 30 anos chegou ao Athlético Paranaense, onde fez dupla famosa com Washington, levando o clube ao título estadual de 1982 e a semifinal do Brasileiro/83. Nesse mesmo ano, os dois chegaram ao Fluminense/RJ, onde conquistaram o tricampeonato Carioca (1983/84/85) e o Brasileiro/1984.

Os títulos do Campeonato Carioca de 1983 e 1984 saíram dos pés de Assis. Em 1983, uma combinação de resultados num triangular entre Fluminense, Flamengo e Bangu fez o tricolor sagrar-se campeão. Em 1984, o rubro-negro venceu a Taça Guanabara, o Vasco da Gama a Taça Rio e o Fluminense fez o maior número de pontos nos dois turnos, credenciando-se a participar do triangular que decidiu o Carioca. Fla e Flu venceram seus jogos contra o Vasco e fizeram a final. Não havia saldo de gols. Um empate e haveria um novo jogo para decidir quem seria o campeão. Zagallo e Carlos Alberto Torres eram os treinadores das equipes rubro-negra e tricolor, respectivamente. O Mengo com seis remanescentes do título mundial de 1981: Leandro, Mozer, Andrade, Adílio, Tita e Nunes.

O enredo lembrou o ano anterior. Jogo equilibrado e, novamente, gol de Assis na mesma baliza. O lateral-direito Aldo repetiu o excessivo treinamento da bola aérea na área adversária e centrou para encontrar Assis sozinho, livre de marcação, que pegou uma cabeçada de jeito e Fillol nada pôde fazer. Dois gols decisivos em decisões consecutivas num Fla-Flu foi o suficiente para a torcida tricolor batizar Assis de “o Carrasco do Flamengo”.

A decisão do campeonato carioca de 1984 fará 35 anos no dia 16 de dezembro. Assis jogou 14 (catorze) vezes o Fla-Flu. Marcou 05 (cinco) gols.

Se estivesse vivo faria hoje, 12.11.2019, 67 anos. Morreu em julho/2014, de insuficiência renal.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Grandes Jogos do Maracanã (Roberto Assaf e Roger Garcia)

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Natal tem noite chuvosa com trovões e relâmpagos