Blog do Kolluna

João Avelino versus Siderley Toscano

João Avelino versus Siderley Toscano

Diante da briga tola ocorrida nas coxias e nas redes sociais esta semana em que os mais antigos e tradicionais times da Capital se digladiaram por conta de um Rato, lembrei como o nosso futebol é pródigo em histórias de brigas e discussões em campo e fora dele em bastidores nunca imaginados, podendo ser editado um compêndio de episódios, uns mais graves, outros até mesmo burlescos.

No retorno pós-recesso, após vinte e cinco dias ausente do Portal, o blog traz uma interessante passagem ocorrida no ano de 1976.

O Potyguar de Currais Novos foi o primeiro representante do futebol seridoense no campeonato potiguar na nova era do chamado esporte bretão após a inauguração do Castelão, em 1972. 

Iniciado o Estadual, o ABC FC estava invicto no primeiro turno com três vitórias e foi jogar em Currais Novos. A delegação ficou hospedada no Hotel Tungstênio, no centro da cidade. O treinador do alvinegro era João Avelino, baixinho matreiro, esperto e bom malandro. Pensando em jogar pressão na equipe neófita na competição, assim que desceu do ônibus tratou de reclamar das instalações do hotel. Os apartamentos eram divididos entre quatro ou cinco atletas e não havia camas para todos, sendo disponibilizadas redes. O reclamo não deu em nada e azedou a relação entre a direção do hotel e a delegação.

Mais tarde, na hora da refeição, Avelino tornou a tecer críticas desta feita ao cardápio, reclamando de um picadinho que seria servido. A administração do hotel recorreu a Siderley Toscano, empresário das comunicações e diretor de futebol do Potyguar, que foi pessoalmente ao local, mostrando ao treinador do ABC que a refeição estava conforme solicitada pelo médico do clube, Dr. Eriberto Rocha.

O treinador disse que não queria falar com dirigente, mas com o cozinheiro, provocando Siderley dizendo que “cartola não entende de comida”. Insistiu na discussão, subiu o tom de voz e apontou o dedo para o rosto do dirigente adversário que, de pronto, afastou o dedo com uma mão e acertou um soco na face do treinador, fechando o tempo na recepção do hotel e exigindo que outras pessoas dos dois clubes interviessem para evitar que os dois se engalfinhassem e alguém virasse picadinho.

No fim do campeonato, João Avelino ganhou o título do Estadual, mas sua malandragem não evitou sair de Currais Novos com o carimbo de uma mão fechada no rosto.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal

Paulo Cunha: atleta, professor e educador esportivo

Paulo Cunha: atleta, professor e educador esportivo

Fim de tarde de uma terça-feira. Paulo Cunha me recebe em sua residência. Em meio a livros, fotos, medalhas, diplomas que contam a sua história, inicia-se uma conversa mágica num local onde se respira basquete. Na companhia dos dois filhos gêmeos e de um dos cinco netos que brinca com uma bola, decerto, Paulo, no auge dos seus 83 anos, demonstra uma impressionante lembrança de momentos, locais e datas. 

Um tempo mágico que conta a história de um atleta potiguar extraordinário e que se tornou um formador de jovens, sem discriminação ou privilégio de classe ou origem, pelo esporte.

O tempo de Paulo Cunha se perpetua, indefinidamente. Teria alguma razão o fato de ter escolhido do basquete a sua vida? Talvez, afinal, no basquete, o cronômetro para se não há jogo, tendo ele encontrado, no basquete, um jeito infantil de ser feliz.  

O tempo apresenta histórias curiosas. Como todo bom brasileiro, despertou para o esporte por meio do futebol na época do Colégio Salesiano. “Louco por futebol”, como ele se definiu, foi goleiro e zagueiro, jogando no juvenil do América onde foi vice-campeão e ouviu uma piada no vestiário de que “jogador grande não sabe jogar de zagueiro”. Chateou-se e deixou o clube. Ney Andrade lhe levou para jogar no ABC, onde foi campeão. Num treino, chegou às vias de fato com Jorginho, “monstro sagrado” do clube, após aplicar “um traço” no ídolo, que não gostou.

Simpatizou com o ciclismo, tendo construído suas duas primeiras bicicletas e montou um grêmio onde vários amigos pedalavam juntos pelas redondezas da cidade. Em 1952, foi para o Centro Náutico Potengi, onde teve uma temporada inteira de vitórias. Diz que o remo lhe educou para o esporte, num ambiente fantástico em que o condicionamento físico tinha de estar em alta.

Em novembro/1955, foi apresentado a bola ao cesto quando estava no Exército. O capitão disse-lhe que ele era muito musculoso, não vingaria no esporte. Em 1956, Paulo largou o remo e passou a se dedicar para provar ao capitão que jogaria basquete.  Comprou uma coleção de quatro volumes sobre o esporte em espanhol para estudar e treinar fundamento, diariamente. Fez sua estreia pela AABB, foi eleito à revelação do ano e convocado para a seleção do RN. Tudo ao mesmo tempo agora no ano que decidiu ser jogador de basquete e calar o capitão.

A partir daí, o anônimo virou ídolo. Sua história no basquete é lendária. Pela AABB foram 14 campeonatos estaduais e 13 títulos. Venceu 3 campeonatos Norte-Nordeste. Foi campeão estadual por 7 vezes pela AABB no decacampeonato (1953/1962). Em 1958, foi o cestinha do Estadual e, atuando pela seleção do RN, 5º lugar no Brasileiro, 1º do Nordeste e vice-campeão de lances livres, cabendo o 1º lugar a outro potiguar, Nilo Machado. No Brasileiro/1961, em Fortaleza, o RN foi 4º lugar e Paulo Cunha fez 128 pontos, sendo o 2º cestinha atrás apenas do paulista Renê Salomon e isso foi a sua porta de entrada para a Seleção Brasileira, onde venceu o Torneio Sesquicentenário do Paraguai (Assunção) e o Sul-americano de 1961 ao lado de Wlamir Marques, Amauri, “Rosa Branca” e outros.

Tornou-se amigo do paulista “Rosa Branca” e do cearense Benjamin, seus parceiros durante os dois meses de treinamentos na seleção, em Niterói. Ao voltar, com novo estilo de jogo, saindo do garrafão para receber a bola, os amigos daqui reclamaram que a seleção havia “acabado com Paulo Cunha”, diz entre risos. 

Se um dia, o cronista Armando Nogueira definiu, metaforicamente, a “Magic” Paula em quadra como uma “cesta de mil hortênsias perfumadas”, porque não dizer que Paulo Cunha é a “pureza de um cesto de rosas-brancas”? 

Em 1962, recebeu violenta carga elétrica no vestiário, em Franca/SP, que comprometeu seu braço e, consequentemente, o desempenho num momento em que estava “voando”. Um choque que se tornou sua única frustração no basquete.

Foi o primeiro atleta do Estado a cravar (enterrar) a bola na cesta, mas embora tivesse um “jump” privilegiado, a sua jogada capital e que tem a sua assinatura é o famoso “gancho de Paulo Cunha”, uma jogada difícil que ele aperfeiçoou com muito treinamento, fazendo tanto com a mão direita, como a esquerda.

Ao jogar com os melhores jogadores brasileiros de basquete de sua geração, Paulo Cunha não deixa de citar seus principais parceiros potiguares: Roberto Siqueira, Fernando “Mosquito” Delgado, Fernando “Nando” Guerreiro e Luiz Jorge Leal, além de Gualter Câmara, para ele, o maior reboteiro que viu jogar e que lhe serviu de inspiração.

Paulo é um saudosista. Nota-se um carinho com as pessoas, em especial aqueles que já não estão mais entre nós, muitos deles seus companheiros de basquete. Entre eles, José Augusto Bezerra de Medeiros Sobrinho, o “Seu Zé”, seu treinador; Décio Holanda, de quem foi o primeiro assistente técnico na seleção feminina do RN; de Quincas, seu companheiro no último título estadual, pela AABB em 1977.

Paulo Cunha foi escolhido pela crônica esportiva potiguar para compor o time de basquete da AABB de todos os tempos, junto com Moacir, Nilo Machado, Quincas e Roberto Cavalcante (Bebeto), mas ele acha injusta a escolha de seleções gerais de um tempo. Acha que deveria ser de dez em dez anos. Refletiria mais justeza e homenagearia quem merecesse. Lamenta a ausência de Roberto Siqueira no time.

Ok, Paulo! Vamos recompor o quinteto com quem você achar que deve ser o time de todos os tempos. Paulo Cunha é o sexto, o sexto sentido de uma bola de basquete. 

Implantou o basquete com cadeira de rodas em Natal com a ajuda do Dr Roberto Vital, a fim de entender a biologia dos atletas.  Vê-se em Paulo Cunha o orgulho quando ele fala nos seus alunos e de ter montado a escola de minibasquete, em 1972, com tabelas menores. Estudou a forma de correr de Emil Zatopek, a “locomotiva humana”, para treinar a coordenação motora de seus alunos, que também eram ensinados a correr batendo a bola ora com uma mão, ora com a outra. Cada aluno tinha um livreto com as regras do basquete, estimulava competições de lances livres e torneios de garrafão, além de determinar que cada um tivesse o seu próprio apito para aprender a serem árbitros.

O tempo de Paulo Cunha ousa divergir da máxima difundida por Nelson Rodrigues de que “a unanimidade é burra”. Seus amigos, parceiros ou adversários em quadra, alunos, o tem como referência e reconhecem o esforço e o sacrifício dele como jogador ou orientador de basquete, sua disciplina tática, seu desempenho sempre no limite e a sua postura exemplar, dentro e fora da quadra, pessoal e profissionalmente.

Indagado se o basquete foi tudo para ele, sua resposta fala por si: “O basquete me proporcionou conhecer quase todo o Brasil. Conheci muita gente, fiz muitos amigos. Eduquei-me através do basquete e ajudei a educar gerações pelo esporte”.

Hoje, Paulo Cunha vive sua vida modesta, cuidando da esposa acometida de mal de Alzeihmer e que foi a grande companheira ao longo de sua vida esportiva. Tem orgulho dos filhos, todos eles o seguiram no esporte. As suas filhas, Ilma e Paula, também jogaram basquete, com Ilma hoje morando nos EUA. Rildo José ainda hoje joga pelo Masters, e Paulo diz que José Rildo tinha tudo para ser um grande jogador, se quisesse.

Aposentado da Companhia de Serviços Elétricos do Rio Grande do Norte, não fez da bola um meio de vida, pois a bola de basquete para ele sempre será fantasia. Paulo, o apóstolo que teve a visão e foi mensageiro do esporte, cunhou, com uma bola de basquete, os meninos de sua escolinha a ter uma formação esportiva, humana e ética, e hoje, toda essa turma tem com ele a gratidão do aluno para o mestre, do educando para o educador, do pupilo para orientador, de admirador para o ídolo.

Na última postagem do ano, a homenagem do Blog do Kolluna a uma memória viva do esporte potiguar, citando a frase de outro monstro da bola ao cesto, o “alemãozinho” Wlamir Marques, colega de Paulo Cunha na seleção brasileira, que ao descerrar a placa de inauguração do ginásio que leva o seu nome em sua cidade natal, no Clube Tumiarú, em São Vicente/SP, disse: “Quando você é homenageado em vida, ninguém chora por você, você mesmo chora”.  

Sua benção, Paulo Cunha!!!

Mundial de Clubes/1981: Peu e o bigode no Japão

Mundial de Clubes/1981: Peu e o bigode no Japão

Dia de decisão do Mundial de Clubes em 2019. O Flamengo volta a campo 38 anos depois para decidir o título contra o mesmo Liverpool, em 1981.

E quando se vai falar no Flamengo de 1981, não há como dissociar das folclóricas histórias relacionadas com o atacante “Peu”. Júlio dos Santos Ângelo destacou-se como artilheiro pelo CSA, de Alagoas, chamando a atenção do Flamengo que o trouxe para a campanha de 1981 no Estadual, Brasileirão, Libertadores e Mundial de Clubes. Este mesmo “Peu” foi técnico do Força e Luz, no campeonato potiguar/2019, e agora está adotando, também, o Santos como sobrenome.

O jornalista Eduardo Monsanto, autor de “1981: o ano rubro-negro”, conta diversas passagens interessantes do bom goleador alagoano e das tantas brincadeiras que foi alvo dos seus colegas.

Diz o livro que no dia de sua apresentação ao elenco do Flamengo, Peu chegou a Gávea de sapato branco, calça amarela, cinto preto e camisa rosa, empunhando uma mala de couro. Quando a diretoria ia apresentá-lo, o ponta-direita Luis Fumanchu pediu a palavra: “Peraí, deixa que eu apresento... Pessoal, esse aqui é o Zé Bonitinho!”, em alusão o personagem do humorista Jorge Loredo, no programa “A praça é nossa”.

Mas a melhor história de Peu é a do seu bigode e a chegada no Japão para a disputa da final do Mundial Interclubes/1981, e ele mesmo conta:

Durante o voo o Júnior falou: “Ó, você vai ter problema para entrar no Japão. Por quê? Porque no passaporte você está sem bigode, e agora você está usando bigode. Vai dar problema, não vão deixar você entrar!”.

Quando já estava quase chegando ao Japão, veio o anúncio: “jogador Peu, compareça à cabine do avião”. 

“Quando eu chego na cabine, o comandante falou pra mim todo sério: ‘Olha, Peu, você tem que tirar seu bigode porque o seu nome não tá na lista de quem tem bigode. Ou você tira ou você volta comigo’”.

Então Peu falou: “Pô, fiquei o ano todinho batalhando, treinando tanto e agora, na hora boa, eu vou estar fora, é?”.

O comandante falou: “Toma aqui, Peu. Barbeador, cremezinho, vá ao banheiro e tire. Senão, você chega lá e volta”.

“Aí eu saí de lá todo triste, cabisbaixo, entrei no banheiro tirei o bigode. Aí, quando eu abri a porta, tava todo mundo me esperando. Rede Globo, os fotógrafos de O Globo, O Dia, os jogadores. Os caras fizeram a festa. Armaram legal, eu caí e tirei o meu bigode!”.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “1981: o ano rubro-negro (Eduardo Monsanto)

Há 46 anos, ABC x URSS na volta da excursão

Há 46 anos, ABC x URSS na volta da excursão

O ano de 1973 é emblemático para a história do ABC Futebol Clube. Em abril, sagrou-se campeão do 1º Torneio Início realizado no Castelão, vencendo o América, nos pênaltis. Em julho, levantou a Taça do Campeonato Estadual, transformando-se em tetracampeão. Em agosto, embarcou para a mais longeva excursão de um clube brasileiro ao exterior - 102 dias -, realizando 24 (vinte e quatro) jogos em 09 (nove) países da Europa, Ásia e África (Turquia, Grécia, Romênia, Iugoslávia, Líbano, Tanzânia, Uganda, Somália e Etiópia). No retorno, em dezembro, a direção alvinegra deu um presente à Frasqueira. A seleção soviética havia se negado a participar da repescagem para a Copa/1974, contra o Chile, no Estádio Nacional, local onde o governo do general Pinochet utilizava como campo de concentração e centro de torturas e execuções e estava excursionando pelas Américas. Havia jogado no Brasil contra o Vila Nova/GO e o Operário/MS e foi convidada para a festa do reencontro da saudosa torcida com a equipe alvinegra.

A equipe soviética tinha sido vice-campeã da Eurocopa/1972, realizada na Bélgica, perdendo a final para os alemães, que seriam campeões do mundo em julho/1974. Da equipe segunda colocada na Eurocopa, estavam na excursão Vladimir Pylgui, goleiro e medalhista de bronze na Olimpíada de Munique/1972, Viktor Matviyenko e Vladimir Kaplichnyy (defensores), Oleg Dolmatov e Anatoliy Konkov (meias) e Levon Ishtoyan, Vladimir Onishenko e Gennadiy Yevriuzhikhin (atacantes), além do treinador Aleksandr Ponomarev.

A partida foi realizada na noite de 18 de dezembro e o Castelão recebeu 27.831 pessoas. Público que ficou aquém do que a diretoria esperava. O jogo completa, nesta data, 46 anos.

Na verdade, houve uma indefinição se o jogo haveria, ou não, pois estava marcado para o primeiro dia das férias regulamentares dos atletas profissionais do país, que ia de 18.12 a 07.01 do ano seguinte. O ABC pediu ao Conselho Nacional de Desportos para promover a partida, mas não havia resposta até a interferência do Diretor de Promoções Esportivas da Caixa Econômica Federal e Conselheiro do CND, Sr. Cláudio Medeiros junto ao brigadeiro Jerônimo Bastos, que atendeu ao amigo e concedeu a licença para a realização do jogo. 

Mas outro incidente estava por vir. A chefia da delegação exigiu que antes da partida a bandeira comunista fosse hasteada e tocado o hino, “A Internacional”. O general Amadeu Martire, da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, não quis aceitar a exigência, pois havia pedido à Junta Governativa do ABC FC que destituísse o cassado Agnelo Alves da presidência do Conselho Deliberativo, não tendo sido atendido. Nova rodada de reuniões para resolver o problema de última hora, terminando com as condições soviéticas sendo aceitas, e a banda da Polícia Militar tocando os hinos nacionais antes da partida.

O ABC entrou em campo com seu uniforme número um, em traje de gala, com meiões, calções e camisas de mangas longas brancas. A União Soviética com o tradicional uniforme de camisas e meiões vermelhos e calções brancos. Ao fim do jogo, o placar de 2x2 mostrou a qualidade do espetáculo. Alberi abriu o placar com um belo chute de fora da área, após cobrança de escanteio de Libânio. Os soviéticos empataram quando Onishenko, o grande nome da partida, passou por Sabará e cruzou para a área, tendo Fedotov se antecipado ao zagueiro Valter Cardoso e batido forte no canto direito de Erivan. Na segunda etapa, Onishenko virou o jogo e Jorge Demolidor deu números finais após lançamento de Sabará, com a Frasqueira saindo em festa do estádio.

FICHA TÉCNICA:

ABC 2x2 SELEÇÃO DA URSS

Data: 18.12.1973

Local: Castelão

Público: 27.831

Renda: Cr$ 249.007,00 (Duzentos e quarenta e nove mil e sete cruzeiros)

Árbitro: Agomar Martins/RS

Auxiliares: Afrânio Messias/RN e Luiz Meireles/RN

Gols: Gols: Alberi (12 min) e Jorge Demolidor (88 min) (ABC); Fedotov (20 min) e Onishenko (50 min) (URSS).

 ABC: Erivan; Sabará, Valter Cardoso, Telino e Anchieta; Valdecy Santana e Danilo Menezes; Libânio, Alberi, Jorge Demolidor e Morais. Técnico: Danilo Alvim

SELEÇÃO DA URSS: Pylgui; Bakievski, Kaplichny, Plasamski e Lovchev; Zanazanian e Andrassian; Ishtoyan, Fedotov, Konkov e Onishenko. Técnico: Aleksandr Ponomarev.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Diário de Natal; "45, um tempo de futebol e de um poema (Kolberg Luna Freire); La Cancha Infame (Maurício Brum)

As panteras do River/PI e a estreia do América/RN no Brasileirão/1977

As panteras do River/PI e a estreia do América/RN no Brasileirão/1977

O campeonato nacional de 1977 começou em meados de outubro daquele ano e se estendeu até março/1978, tendo, ao final, o São Paulo sendo alçado a condição de campeão após vencer o Atlético-MG, nos pênaltis, que era o favorito e terminou o campeonato invicto.

O América/RN havia sido campeão potiguar no mês anterior, naquele jogo que ficou conhecido como “a batalha campal” e que teve todos os jogadores titulares, reservas e membros das comissões técnicas de ambas as equipes expulsos após uma briga generalizada iniciada com o centroavante Anderson (ABC) correndo atrás do volante Zeca (América).

Nem tudo era expectativa para o início do Nacional. Para a sua estréia fora de casa, a direção americana, por meio do seu presidente Jussier Santos, corria atrás de repatriar o centroavante Aloísio “Guerreiro”, que após o campeonato estadual tinha retornado ao Fluminense/RJ. O ABC havia entrado na disputa pelo atleta e o presidente do alvinegro, José Nilson de Sá, estava tratando pessoalmente desse presente para a frasqueira, que no fim não vingou, com o artilheiro retornado ao lar rubro. O América estava sem ponta de lança e improvisava Marinho na frente do ataque, pois Santa Cruz havia recebido o passe livre. O meio-campo Garcia não se entendeu com o treinador Laerte Dória e reclamou ter sido deslocado para a ponta-direita, sendo afastado do treino e da delegação. Joel Natalino Santana sofreu contusão no treino de apronto e também não viajou. Alberi e Ivanildo, que foram expulsos na final do Estadual e tiveram suas penas convertidas em multas pelo TJD/RN, não tinham certeza se poderiam participar do jogo e, por precaução, já que a Confederação Brasileira de Desportos não respondeu ao questionamento da direção rubra, também não embarcaram.

O adversário do América foi o River/PI do meia atacante Sima, então artilheiro dos certames regionais de 1977, com 33 gols, à frente de goleadores que integravam a seleção brasileira de futebol como Zico, Reinaldo, Roberto “Dinamite” e Serginho “Chulapa”.  

A partida foi um dos maiores desastres da história do time da Rodrigues Alves em campeonatos nacionais. Sima partiu para cima do América e foi o principal protagonista ao impor uma derrota acachapante de 5x1, com o primeiro tempo terminando 4x0 para o River e o placar sendo fechado na etapa segunda. O artilheiro, que havia renovado no dia anterior e estava solto em campo, foi o nome do jogo marcando 4 gols.

O time piauiense não era nenhum primor, mas, diz o folclore do futebol, trouxe reforços fundamentais para esse jogo.

Os jornais da época dão conta que o hotel onde o América ficou concentrado tinha camareiras com o perfil diferente de outras hospedarias. Moças muito bonitas, risonhas e treinadas a se mostrarem aos atletas e trocar olhares convidativos. A comissão técnica demorou a perceber a disfarçada técnica de doping e a armadilha só foi assimilada quando começou a partida e o time estava “com o freio de mão puxado”.

Folclore, ou não, a estreia fez a direção executiva e a comissão técnica abrir os olhos e a cobrança em cima dos jogadores passou a ser maior nos futuros jogos fora de casa, com os atletas mostrando que eram profissionais e, ao fim do campeonato, escreveram uma das mais belas páginas de participação do clube rubro em certames nacionais, ficando em 17º lugar entre 62 (sessenta e duas) equipes. 

No jogo da volta, o América devolveu a goleada por 5x0. O River/PI, ao que parece, não repetiu a tática da estreia no decorrer do campeonato e findou em 44º lugar. 

A imagem que acompanha esta postagem mostra a gozação do irreverente “Cartão Amarelo” (Everaldo Lopes e Edmar Viana), no Diário de Natal, em razão do fato pitoresco e que ficou no folclore do futebol potiguar.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal. 

A marra de PC Caju e o puxão de orelhas de Renato Gaúcho

A marra de PC Caju e o puxão de orelhas de Renato Gaúcho

A marra sempre foi ingrediente presente no futebol. O jogador compõe desde equipes da elite do futebol mundial ao mais paupérrimo campeonato de bairros.

Paulo Cesar Caju é um desses jogadores. Tem diversas histórias em face de seu comportamento. É bem verdade que foi um craque nas quatro linhas. Esteve nas Copas do Mundo de 1970 e 74 e bem poderia ter ido a de 1978. Coutinho não quis.

Foi contratado pelo Grêmio para jogar a final do Campeonato Mundial de Clubes, em 1983. Conhecia bem o Olímpico. Havia ajudado o clube na conquista do Gauchão, em 1979. A torcida não levou fé. Já beirando o fim de carreira, com passagem pelo futebol francês e por ser o mais premiado integrante da delegação do tricolor gaúcho naquele mundial, eram a ele destinadas as perguntas nas entrevistas coletivas. A imprensa europeia não conhecia o time do Grêmio. Não sabia que a verdadeira estrela era outra, um genuíno gaúcho que atendia pelo nome de Renato e também sabia ser marrento quando queria.

Já em Tóquio, no último recreativo antes da partida final, numa pelada em que seu time estava perdendo de goleada, PC Caju põe a mão nas cadeiras, abandona o campo e senta ao pé da trave para descansar. Renato percebe, pega a bola com a mão e se dirige ao colega com o dedo em riste, dizendo:

- “Olha aqui, deixa eu falar uma coisa para você. Você está chegando agora, eu respeito você como homem e jogador, mas se amanhã você não correr, em cinco minutos eu te meto uma porrada no meio da cara e no vestiário eu te mato. Porque amanhã é decisão, eu sou gremista e o Grêmio precisa ser campeão”.

PC levantou-se e foi para o vestiário, cabisbaixo. No dia seguinte, os alemães que não conheciam o time brasileiro, concentraram sua marcação em cima de Paulo Cesar e deixaram o toque e a habilidade de Mario Sérgio jogar com a saúde, juventude e disposição de ganhar de Renato. Coincidência ou acaso, foi de PC Caju o passe para o mano-a-mano do ponta-direita com o lateral alemão Schroeder, no primeiro gol.

Hoje faz 36 anos da heróica conquista.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “Anjo ou Demônio. A polêmica trajetória de Renato Gaúcho (Marcos Eduardo Neves).

Blogs

Natal tem noite chuvosa com trovões e relâmpagos