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As panteras do River/PI e a estreia do América/RN no Brasileirão/1977

As panteras do River/PI e a estreia do América/RN no Brasileirão/1977

O campeonato nacional de 1977 começou em meados de outubro daquele ano e se estendeu até março/1978, tendo, ao final, o São Paulo sendo alçado a condição de campeão após vencer o Atlético-MG, nos pênaltis, que era o favorito e terminou o campeonato invicto.

O América/RN havia sido campeão potiguar no mês anterior, naquele jogo que ficou conhecido como “a batalha campal” e que teve todos os jogadores titulares, reservas e membros das comissões técnicas de ambas as equipes expulsos após uma briga generalizada iniciada com o centroavante Anderson (ABC) correndo atrás do volante Zeca (América).

Nem tudo era expectativa para o início do Nacional. Para a sua estréia fora de casa, a direção americana, por meio do seu presidente Jussier Santos, corria atrás de repatriar o centroavante Aloísio “Guerreiro”, que após o campeonato estadual tinha retornado ao Fluminense/RJ. O ABC havia entrado na disputa pelo atleta e o presidente do alvinegro, José Nilson de Sá, estava tratando pessoalmente desse presente para a frasqueira, que no fim não vingou, com o artilheiro retornado ao lar rubro. O América estava sem ponta de lança e improvisava Marinho na frente do ataque, pois Santa Cruz havia recebido o passe livre. O meio-campo Garcia não se entendeu com o treinador Laerte Dória e reclamou ter sido deslocado para a ponta-direita, sendo afastado do treino e da delegação. Joel Natalino Santana sofreu contusão no treino de apronto e também não viajou. Alberi e Ivanildo, que foram expulsos na final do Estadual e tiveram suas penas convertidas em multas pelo TJD/RN, não tinham certeza se poderiam participar do jogo e, por precaução, já que a Confederação Brasileira de Desportos não respondeu ao questionamento da direção rubra, também não embarcaram.

O adversário do América foi o River/PI do meia atacante Sima, então artilheiro dos certames regionais de 1977, com 33 gols, à frente de goleadores que integravam a seleção brasileira de futebol como Zico, Reinaldo, Roberto “Dinamite” e Serginho “Chulapa”.  

A partida foi um dos maiores desastres da história do time da Rodrigues Alves em campeonatos nacionais. Sima partiu para cima do América e foi o principal protagonista ao impor uma derrota acachapante de 5x1, com o primeiro tempo terminando 4x0 para o River e o placar sendo fechado na etapa segunda. O artilheiro, que havia renovado no dia anterior e estava solto em campo, foi o nome do jogo marcando 4 gols.

O time piauiense não era nenhum primor, mas, diz o folclore do futebol, trouxe reforços fundamentais para esse jogo.

Os jornais da época dão conta que o hotel onde o América ficou concentrado tinha camareiras com o perfil diferente de outras hospedarias. Moças muito bonitas, risonhas e treinadas a se mostrarem aos atletas e trocar olhares convidativos. A comissão técnica demorou a perceber a disfarçada técnica de doping e a armadilha só foi assimilada quando começou a partida e o time estava “com o freio de mão puxado”.

Folclore, ou não, a estreia fez a direção executiva e a comissão técnica abrir os olhos e a cobrança em cima dos jogadores passou a ser maior nos futuros jogos fora de casa, com os atletas mostrando que eram profissionais e, ao fim do campeonato, escreveram uma das mais belas páginas de participação do clube rubro em certames nacionais, ficando em 17º lugar entre 62 (sessenta e duas) equipes. 

No jogo da volta, o América devolveu a goleada por 5x0. O River/PI, ao que parece, não repetiu a tática da estreia no decorrer do campeonato e findou em 44º lugar. 

A imagem que acompanha esta postagem mostra a gozação do irreverente “Cartão Amarelo” (Everaldo Lopes e Edmar Viana), no Diário de Natal, em razão do fato pitoresco e que ficou no folclore do futebol potiguar.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal. 

A marra de PC Caju e o puxão de orelhas de Renato Gaúcho

A marra de PC Caju e o puxão de orelhas de Renato Gaúcho

A marra sempre foi ingrediente presente no futebol. O jogador compõe desde equipes da elite do futebol mundial ao mais paupérrimo campeonato de bairros.

Paulo Cesar Caju é um desses jogadores. Tem diversas histórias em face de seu comportamento. É bem verdade que foi um craque nas quatro linhas. Esteve nas Copas do Mundo de 1970 e 74 e bem poderia ter ido a de 1978. Coutinho não quis.

Foi contratado pelo Grêmio para jogar a final do Campeonato Mundial de Clubes, em 1983. Conhecia bem o Olímpico. Havia ajudado o clube na conquista do Gauchão, em 1979. A torcida não levou fé. Já beirando o fim de carreira, com passagem pelo futebol francês e por ser o mais premiado integrante da delegação do tricolor gaúcho naquele mundial, eram a ele destinadas as perguntas nas entrevistas coletivas. A imprensa europeia não conhecia o time do Grêmio. Não sabia que a verdadeira estrela era outra, um genuíno gaúcho que atendia pelo nome de Renato e também sabia ser marrento quando queria.

Já em Tóquio, no último recreativo antes da partida final, numa pelada em que seu time estava perdendo de goleada, PC Caju põe a mão nas cadeiras, abandona o campo e senta ao pé da trave para descansar. Renato percebe, pega a bola com a mão e se dirige ao colega com o dedo em riste, dizendo:

- “Olha aqui, deixa eu falar uma coisa para você. Você está chegando agora, eu respeito você como homem e jogador, mas se amanhã você não correr, em cinco minutos eu te meto uma porrada no meio da cara e no vestiário eu te mato. Porque amanhã é decisão, eu sou gremista e o Grêmio precisa ser campeão”.

PC levantou-se e foi para o vestiário, cabisbaixo. No dia seguinte, os alemães que não conheciam o time brasileiro, concentraram sua marcação em cima de Paulo Cesar e deixaram o toque e a habilidade de Mario Sérgio jogar com a saúde, juventude e disposição de ganhar de Renato. Coincidência ou acaso, foi de PC Caju o passe para o mano-a-mano do ponta-direita com o lateral alemão Schroeder, no primeiro gol.

Hoje faz 36 anos da heróica conquista.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “Anjo ou Demônio. A polêmica trajetória de Renato Gaúcho (Marcos Eduardo Neves).

Uma noite de Rei

Uma noite de Rei

Moacir é um ex-jogador de futebol campeão do mundo pela seleção brasileira, em 1958. Era meio campo do Flamengo e reserva de Didi. Não jogou nenhuma partida na Copa. Sua reverência ao colega do Botafogo e titular absoluto da seleção era tanta que, na celebração da vitória, na Suécia, foi em Didi que deu o primeiro abraço após entrar em campo no apito final.

Conta Armando Nogueira que na festa da vitória, numa boate em Estocolmo, ao entrar no local viu que todos dançavam. Damas louras e cavalheiros morenos, dois a dois, num completo carnaval.

Deu de cara com o Moacir, carinha de menino triste, mas que triste não era (e nem estava). Ele pulava no salão à meia luz aos cuidados de uma loura estonteante.

O jogador, antevendo o lance e antecipando-se para que não estragassem a sua festa particular, dirigiu-se ao jornalista e pediu, entre dentes, quase em murmúrio.

- Não fala o meu nome. Me chama de Pelé...

Na imagem que ilustra a postagem, Moacir está entre Zagallo e Dida, na Suécia, em 1958.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: “O canto dos meus amores” (Armando Nogueira); Revista Placar.

1976: O goleiro Índio e a sua fantasia original

1976: O goleiro Índio e a sua fantasia original

O campeonato estadual de 1976 aumentou a interiorização do futebol do Estado, com a participação do Baraúnas de Mossoró e do Potyguar de Currais Novos, unindo-se ao Potiguar de Mossoró que iniciara em 1974. O time do Seridó tinha como goleiro um atleta conhecido como “Índio”, o qual, num jogo contra o ABC FC, em Natal, entendeu de entrar em campo a caráter fidelizando a sua alcunha.

O goleiro, então dono de vasta cabeleira, providenciou uma pena e a encaixou em suas madeixas com a ajuda de uma fita. À falta de urucum, tinta originalmente utilizada pelos indígenas para a pintura do rosto, adaptou tiras de esparadrapo com a ajuda do massagista da equipe, simulando uma “pintura de guerra”.

Antes da partida, o índio não queria apito, queria espelho, sempre atento a algum detalhe no próprio reflexo que pudesse melhor compor o seu visual. Perguntado pelos jornais da época a razão daquela aparência em um jogo de futebol, disse o arqueiro: “É uma homenagem que quero prestar aos nossos irmãos tão pouco lembrados. Eles precisam de nossa ajuda e da nossa amizade”.

O jogo se deu em 04.04.1976, um particular “Dia do Índio” (o goleiro), antecipando em uma quinzena de dias a data festiva destinada aos indígenas.

Índio, à época com 22 anos, já tinha uma carreira longa no futebol. Iniciou na base do Sport Clube Recife, de onde seguiu para o juvenil do São Paulo FC. Profissionalizou-se e foi jogar no Marília do interior paulista. De lá foi para o Umuarana/PR, retornou ao Nordeste para jogar no América/PE e, por último, estava no Treze de Campina Grande, quando foi contratado para reforçar o clube seridoense no seu primeiro estadual. Ficou conhecido não só pelo folclore de sua fantasia, mas também por ser arrojado e corajoso na defesa do time seridoense. 

A ilustração da postagem contém a foto publicada no Diário de Natal e que acompanha a reportagem sobre o jogo.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal

George: The Best

George: The Best

Na Irlanda do Norte há um ditado popular: “Maradona Good. Pelé Better. George Best”. George Best nasceu em Belfast, a maior cidade da Irlanda do Norte, e foi descoberto pelo famoso olheiro do time do Manchester United, Bob Bishop. Ele enviou o garoto de 15 anos para o técnico dos Red Devils, Matt Busby, com o seguinte bilhete: “encontrei um gênio para você”.

Best permaneceu no MU de 1963 a 1974. Jogava com a 7 às costas. Foi duas vezes campeão inglês e uma vez campeão europeu. Tinha em Busby o seu padrinho e protetor. Compôs com Bobby Charlton e Denis Law um imortal ataque do Manchester que marcou junto 665 gols.

 Deixou o Manchester com 27 anos e foi jogar nos Estados Unidos. Lá encontrou outro gênio: Pelé. Este pelo NY Cosmos e Best pelo LA Aztecs, jogaram na temporada de 1976/1977. 

Em face de sua vida desregrada extra campo teve curta carreira. Em 2002, estava destruído pela cirrose, tendo que fazer um transplante de fígado. A cirurgia foi um sucesso, mas Best voltou a beber. Em 2005, nova internação. Seu estado era grave. Pelé visitou-o, deixou um envelope e pediu para ser aberto somente após a despedida.

Com Pelé já fora do hospital, seu parceiro no ataque do MU, Denis Law abriu o envelope que continha uma mensagem de apoio, desejo de melhoras e terminava assim: “from the second BEST soccer player of all time. Pelé”. (do segundo melhor jogador de futebol de todos os tempos. Pelé).

Best riu e disse: “Este foi o último e melhor brinde da minha vida”.

Morreu dias depois, em 25.11.2005, aos 59 anos de idade.  

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: As melhores histórias do futebol mundial (Sérgio Pereira); http://pelethebest.blogspot.com/2015/05/pele-e-george-best-os-primeiros.html?m=1

Anselmo: o vingador rubro-negro

Anselmo: o vingador rubro-negro

Esta semana, o Flamengo volta a disputar um título da Libertadores. Trinta e oito anos depois, o rubro-negro chega a uma final onde o tira-teima se dará contra os argentinos do River Plate. Se em 1981, a final se deu em Montevidéu/URU, em 2019, também será em campo neutro: Lima, no Peru.

Em 1981, a fórmula para a final era de uma partida na casa de cada um. O Flamengo venceu o Cobreloa/CHI, por 2x1, no Maracanã. Na partida de volta, vitória do Cobreloa por 1x0, num jogo em que os chilenos bateram à vontade nos brasileiros com a permissividade do árbitro uruguaio, a ponto do meia Lico ter os dentes quebrados e Adílio o supercílio aberto ao receber um soco do zagueiro Mário Soto, que teria jogado com um seixo de pedra na mão. Uma “negra” foi marcada para três dias depois, no Estádio Centenário, em Montevidéu.

O Cobreloa, pelo gol feito no Maracanã, jogava com a vantagem de empatar no tempo normal e na prorrogação. Não haveria pênaltis.

O goleiro Raul decidiu jogar com uma camisa amarela, assim como fez na decisão da Libertadores, em 1976, pelo Cruzeiro. A superstição faz parte do mundo do futebol. Os capitães das equipes se apresentaram no meio campo e cumprimentaram o trio de arbitragem. Mario Soto estendeu a mão a Zico e este recusou a saudação. O chileno riu, mal sabendo que melhor ri quem ri por último. O “Galinho” entrou em campo com “a faca nos dentes”.

Jogo tenso. Zico recebeu a primeira entrada dura aos 20 segundos. Aos 17 minutos, Zico abriu o placar ao receber a bola de Andrade, que interceptou uma saída errada dos chilenos. O Flamengo cresceu e desperdiçou outras oportunidades, enquanto o Cobreloa apelava. Aos 24 minutos, Alarcón foi expulso ao entrar forte sobre Andrade. O tempo fechou no Centenário e Zico comandou a retirada dos jogadores da confusão. Puebla, um dos mais violentos chilenos na partida da volta, caça Adílio sem deixá-lo jogar, sempre apelando para a violência. Aos 35 minutos, Zico foi atingido pelas costas por Mário Soto. Fosse por outro não teria maiores consequências, mas o zagueiro do Cobreloa era a incorporação do carniceiro e foi o protagonista das maiores agressões no jogo do Chile. O sangue dos jogadores rubro-negros começou a ferver. Jogo recomeçado e Jimenez entrou com violento carrinho atingindo Júnior. Andrade vinha na jogada e não perdeu a viagem, dando um pontapé no adversário e recebendo, incontinenti, o primeiro cartão vermelho da sua carreira.

O jogo ficou igual de novo  no número de atletas em campo. Na volta do intervalo, os chilenos tiveram que se abrir, pois tinham que conseguir o empate que lhes favorecia. Mas não esqueciam que o seu forte era a porrada. Mario Soto, outra vez, deu um tapa no rosto de Zico fora da vista do árbitro. Aos 75 minutos, Tita lançou Adílio por elevação e o goleiro Wirth teve que sair da área e interceptar com a mão. “Falta na entrada da área, adivinha quem vai bater?”, diz a música de Jorge Benjor. Bola à frente da meia-lua de grande área. Cinco homens na barreira. Zico deu dois passos e no terceiro bateu magistralmente na bola, que foi morrer no fundo do gol adversário e o goleiro nem se mexeu. Gol que o próprio Zico considera o mais importante de sua carreira e que foi imortalizado na voz de Jorge Cury, da Rádio Globo.

Vitória praticamente garantida. Faltava à forra. Já aos 85 minutos, Tita recebeu a bola na frente do banco do Flamengo e foi mais um a receber um soco de Mario Soto. Foi à gota d’água.

O treinador Paulo Cesar Carpegiani tinha visto do banco todas covardes agressões praticadas pelo zagueiro chileno. Chamou o centroavante Anselmo, 21 anos, cria da base rubro-negra, que recebeu do treinador a instrução que mudou sua vida.

“- Vai lá e dá uma porrada no cara!!!”

O fotógrafo Almir Veiga, do Jornal do Brasil, sentiu que haveria alguma coisa diferente. Era clara a exaltação no banco do Flamengo. Esqueceu o jogo e colou a tela de sua máquina fotográfica nos passos do Anselmo, flagrando o momento em que o atacante fechou a mão direita e meteu um violento murro na cara de Mario Soto, que foi a nocaute. O fotógrafo e o assistente Juan Cardellino foram as únicas testemunhas do ocorrido. 

Missão cumprida. Carpegiani assumiu a responsabilidade do ato.

Na volta para casa, Flamengo, campeão da Libertadores, a massa rubro-negra esperava o time no Galeão em festa. Leandro, enrolado no manto sagrado, entoava, desafinada e emocionadamente, em cima do carro de som: “Oh meu Mengão/eu gosto de você/quero cantar ao mundo inteiro/a alegria de ser rubro-negro/conte comigo Mengão/acima de tudo rubro-negro!!!”. Raul e Lico, que tentaram sair do aeroporto de fininho, foram descobertos e sentiram a medida do amor da torcida pelos seus ídolos: tiveram suas roupas e sapatos carregados pelos torcedores. Anselmo se sentiu ídolo. Carregado nos braços da torcida como um mártir, conheceu a fama e os holofotes.

Ao chegar a sua casa, festejado pela família, recebeu o beijo e o abraço apertado de sua mãe, sua maior incentivadora a ser jogador de futebol, e a sentença que ficou marcada para sempre:

“- Meu filho, você não vai ficar conhecido pelo que fez com os pés, mas sim pelo que fez com as mãos”.            

O “vingador”, muito tempo depois, instado a falar sobre o episódio, é lacônico:

“- Não é exemplo, mas aquilo foi coisa de momento. Sangue quente. Aquilo foi comemorado porque as agressões tinham sido muitas”.

Já Soto, ao ser perguntado sobre Anselmo, resmunga:

“- Aquele do Flamengo? Foi um covarde!”

Para a torcida, um herói!!!

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: 20 jogos eternos do Flamengo (Marcos Eduardo Neves); 1981: O ano Rubro-Negro (Eduardo Monsanto); O vermelho e o negro (Ruy Castro); https://www.youtube.com/watch?v=tHzzS1q6gN8

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