Blog do Kolluna

O Dia do Goleiro

O Dia do Goleiro

Em 26 de abril é comemorado o “dia do goleiro”. É a data de nascimento de Hailton Corrêa de Arruda, mais conhecido no mundo do futebol por "Manga" e que esteve na Copa de 1966, além de ter sido campeão em praticamente todos os times que jogou, no Brasil e exterior, ao longo de 27 anos de carreira.  

 A data é um reconhecimento pelo trabalho de Manga e foi iniciativa do tenente Raul Carlesso (preparador físico da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1974) e do capitão Reginaldo Pontes Bielinski, professores da Escola de Educação Física do Exército, em 1976, em homenagem ao célebre goleiro que havia sido campeão brasileiro no ano anterior, pelo Internacional, aos 39 anos.

Manga despediu-se dos gramados aos 45 anos, jogando pelo Barcelona, de Guaiaquil/EQU.

Abaixo, o Baú do Esporte traz algumas cenas do goleiro em atuação pelo Botafogo/RJ e Internacional/RS, times onde é considerado ídolo. 

Rivalidade nas Copas do Mundo: Alemanha x Inglaterra

Rivalidade nas Copas do Mundo: Alemanha x Inglaterra

Em tempos de quarentena, a reprise de jogos da seleção brasileira em Copas do Mundo faz reviver um pouco da história das Copas. Na biografia das Copas do Mundo, vários são os históricos de rivalidade entre as nações. Alguns ganharam mais ênfase após a fase moderna e contemporânea do torneio, com o surgimento de novas seleções que, até então, não eram tão protagonistas até os anos 60.

Porém, indiscutivelmente, entre as oito seleções campeãs do mundo, a rivalidade sempre é vista como um aspecto a mais na emulação de cada confronto.

Brasil x Itália, que já fizeram duas finais e uma disputa pelo 3º lugar, é um dos confrontos mais emblemáticos. Outros jogos trazem uma forte conotação de tradição para figurarem numa relação de cotejo, como Brasil x Argentina, ou a questão geopolítica que, invariavelmente, acompanha Inglaterra x Argentina ou Inglaterra x Alemanha.

Esse match entre ingleses e alemães, sob o ponto de vista de rivalidade, talvez seja considerado o maior da Europa e iniciado, exatamente, na lendária final da Copa/1966, 21 anos após o fim da II Guerra Mundial, que teve os dois países como protagonistas e varreu a Europa de 1939/1945, impedindo, inclusive, a realização das eventuais Copas de 1942 e 1946.

A final de 1966, vencida pela Inglaterra, é um dos jogos mais controversos da história das Copas. O empate alemão, aos 90 minutos, obrigou a realização da primeira prorrogação em final para conhecer o campeão, quando ocorreu o polêmico gol de Hurst que, até hoje, faz discussão se cruzou, ou não, a linha da trave alemã. As equipes se reencontraram nas quartas-de-final no México, em 1970, desta feita com vitória alemã obtida também em prorrogação.

Voltaram a se encontrar somente em 1982, na segunda fase da competição quando ainda não era mata-mata, ocorrendo um insosso 0x0. Em 1990, outra batalha histórica. As duas seleções fizeram uma das semifinais e eram consideradas favoritas. Os ingleses com uma talentosa geração e os alemães com o seu jeito objetivo de buscar resultados. Mais uma vez, a sina insistia que deveriam fazer uma nova prorrogação, a terceira da história. Diferentemente de 1966 e 1970, dessa vez não houve vencedor na extensão do tempo normal e, nos pênaltis, a Alemanha triunfou (4x3).

Gary Lineker, uma das expressões inglesas na Copa e que havia sido o artilheiro da Copa de 1986, ao fim do jogo em que foi eliminado em 1990, lamentando-se do destino, disse: “O futebol é um jogo simples. Vinte e dois jogadores perseguem a bola durante noventa minutos e no fim ganham os alemães”. 

Passaram-se 20 anos para que a Copa do Mundo voltasse a ter o embate entre as tradicionais seleções. A primeira Copa na África colocou os dois países frente a frente nas oitavas-de-final. Para não fugir à regra, mais uma polêmica. A bola, a trave e a linha do gol, mais uma vez, se tornaram o centro das discussões nesse jogo. Como que lembrando a frase de que “nada melhor do que um dia atrás do outro”, a Alemanha deu o troco ao episódio do gol não anulado em 1966. Mesmo superior e vencendo no primeiro tempo, viu ser evitada possível reação inglesa quando o árbitro uruguaio Jorge Larrionda não validou o gol de Lampard, que bateu no travessão e ultrapassou a linha de gol, voltando para os braços de Manuel Neuer que, inadvertidamente, saiu jogando como se nada tivesse acontecido. No fim, a vitória alemã por 4x1. 

Em tempos em que nem se cogitava a presença do VAR, em especial em Copas do Mundo, os jogos envolvendo alemães e ingleses sempre tiveram a rivalidade e a polêmica lado a lado, mas, curiosamente, nos cinco confrontos ocorridos, embora os germânicos levem a melhor com três triunfos, os britânicos venceram na única partida que valeu a taça do mundo.

Na foto da postagem, Schweinsteigen e Gerrard, presentes no grande jogo de 2010. Abaixo o vídeo do “gol” de Lampard.

 

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “As melhores histórias do futebol mundial” (Sérgio Pereira); https://trivela.com.br/em-dia-de-alemanha-x-inglaterra-relembramos-12-jogos-memoraveis-entre-os-dois-paises/

1982 - O Primeiro Mundial de Futebol de Salão

1982 - O Primeiro Mundial de Futebol de Salão

No ano de 1982, a Federação Internacional de Futebol de Salão – FIFUSA, promoveu o 1º Campeonato Mundial de Futebol de Salão, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em meio a uma briga política já que a FIFA ameaçava agregar também o futebol de salão. O curioso é que os presidentes das duas entidades – FIFUSA e FIFA – ambos eram brasileiros.

Naquele tempo, o esporte tinha regras bem diferentes do que hoje se tornou o futsal. Goleiro só usava às mãos e não podia sair da área, onde era soberano. Para lançar a bola a um jogador no campo adversário, a pelota tinha que primeiro bater no seu próprio campo. Não podia gol dentro da área. O lateral e o escanteio eram batidos com as mãos e havia um árbitro e dois bandeirinhas. Isso sem falar no peso da bola, o que fazia com que a modalidade fosse chamada de “esporte da bola pesada”.  

Foram dez os países participantes daquele Mundial, divididos em dois grupos de cinco, classificando-se os dois primeiros, fazendo o cruzamento olímpico e a final sendo disputada entre os vencedores das semifinais.

As transmissões foram feitas pela Rede Globo, que passava os jogos sempre no fim da noite, após o Jornal da Globo, com a locução de Luciano do Valle e reportagens de Gilson Ribeiro. Para os brasileiros, foi uma espécie de “aperitivo” para a Copa do Mundo da Espanha que iniciou sete dias após o fim do Mundial de Futebol de Salão.

Participaram desse Mundial as seguintes seleções: Argentina, Brasil, Colômbia,  Costa Rica, Holanda, Itália, Japão, Paraguai, Uruguai e Tchecoslováquia.

A campanha do Brasil na primeira fase foi: Brasil 5 x 0 Argentina, Brasil 14 x 0 Costa Rica, Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia e Brasil 5 x 1 Uruguai. Na semifinal, cruzamos com a Colômbia e o placar foi 4 x 1. A final foi contra os paraguaios, que também chegaram à final de forma invicta.

A decisão foi realizada no dia 06.06.1982, ao meio-dia, com transmissão ao vivo e o ginásio do Ibirapuera totalmente lotado, com cerca de quinze mil pessoas que ajudaram a escrever a história daquele dia e, numa partida duríssima, o Brasil foi campeão com um gol de Jackson (1x0), escolhido o melhor jogador do Mundial.  A seleção titular era formada por Beto, Walmir, Cacá, Douglas e Jackson.

Os jogadores da seleção brasileira e seus respectivos clubes, è época, eram:

Nome

Apelido

Camisa

posição

Clube

José Roberto Coelho Santana

Beto

19

goleiro

Sumov-CE

Marcelo Pazzini

Pança

20

goleiro

Gercan-SP

Alexandre Zilles

Barata

1

goleiro

Grêmio-RS

Walmir José de Almeida

Walmir

5

Central

Huracan-MG

Paulo Ladislau Rosas

Paulinho

2

Central

Gercan-SP

Paulo Cesar C. de Souza

Paulo Cesar

4

Central

América-RJ

Luiz Carlos Bezerra

Cacá

9

Ala

Sumov-CE

Jackson J.B.M. dos Santos

Jackson

12

Ala

Olympico-MG

Leonel P. de Alencar Neto

Leonel

3

Ala

Sumov-CE

Carlos Alberto Felippsen

Branquinho

8

Ala

Sumov-CE

Paulo M.S.F. Bonfim

Paulo Bonfim

10

Ala

Olympico-MG

Jorge E.F. Pinheiro

Jorginho

11

Ala

Atlântica Boa Vista-RJ

Douglas Pierroti

Douglas

13

Pivô

Gercan-SP

Carlos Alberto C. Garcia

Carlos Alberto

6

Pivô

América-RJ

Almir Franco de Lima

Miral

7

Pivô

Residência-SP

Julio Cesar Vieira Lima

Cesar Vieira

 

Treinador

 

  

Os jogadores, naquele tempo, eram semiamadores. Jackson e Walmir eram bancários, Cacá e Beto, administradores de empresas e Douglas, funcionário de um cartório. Vários desses nomes estiveram presentes em Natal na Taça Brasil de Clubes, realizada no ano de 1980 (final entre Sumov-CE x Monte Sinai-SP), bem como nos Jogos Universitários Brasileiros – JUBs, em 1984 (final entre MG x RN).

Na foto da postagem, a equipe considerada titular. Em pé: Walmir (de barba), Beto e Douglas. Agachados: Jackson e Cacá (de bigode).

Créditos de informações e imagens para criação do texto:  http://futsalclassico.blogspot.com/2013/08/i-campeonato-mundial-de-futebol-de.html; Placar Magazine.

A primeira vítima de Pelé na Seleção

A primeira vítima de Pelé na Seleção

Pelé estreou na seleção brasileira na Copa Roca de 1957 (atual Superclássico das Américas), no Maracanã, contra a Argentina. E foi neste jogo o seu primeiro gol pela seleção, batendo o goleiro Carrizo, a lenda portenha.

Amadeo Carrizo foi eleito pela Federação de História e Estatística de Futebol (IFHHS), o melhor goleiro da história da América do Sul no Século 20. Tinha uma forma peculiar de jogar, já nos anos 50, gostando de sair jogando. “Meu local de trabalho não é apenas a pequena área”, costumava dizer o arqueiro que foi o precursor do estilo de outros que o sucederam como os argentinos Hugo Gatti e Ubaldo Fillol, o colombiano René Higuita, o paraguaio José Luis Chilavert e o alemão Manuel Neuer.

Embora ídolo em seu país natal, sofreu revés ao retornar a capital argentina após a derrota de 6x1 para a Tchecoslováquia, na primeira fase da Copa do Mundo/1958 e que determinou a volta para casa mais cedo. A delegação foi recebida no aeroporto de Ezeiza com moedas e pedras lançadas pelos torcedores, e acusações de falta de empenho e badalações noturnas.

Ao chegar a sua casa, encontrou-a pichada com palavras ofensivas como traidor e mercenário. O respeito que havia construído fora esquecido. Decidiu nunca mais jogar pela seleção albiceleste.

Carrizo faleceu aos 93 anos, em 20.03.2020, trinta anos após a morte de Lev Yashin, outra lenda das balizas mundiais.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1  (Paulo Guilherme); https://veja.abril.com.br/placar/ha-60-anos-a-estreia-de-um-tal-pele-na-selecao-brasileira/

Dr Zaluar, advogado e goleiro

Dr Zaluar, advogado e goleiro

No ano passado, o milésimo gol de Pelé fez 50 anos. Em 19.11.1969, durante o jogo Vasco x Santos, pela Taça Brasil, no Maracanã, o camisa 10 do “Peixe” fez o seu milésimo gol, de pênalti, e, por tabela, colocou o nome do goleiro argentino Andrada (Vasco) no cenário mundial.

E Zaluar? Você conhece? Sabe quem foi? Pois bem! Zaluar foi  goleiro a levar o primeiro gol de Pelé. O jogo foi um amistoso em 07.09.1956, no Estádio Américo Guazelli, no ABC paulista, entre o Corinthians de Santo André e o Santos e terminou 7x1 para o “Peixe”. Zaluar havia substituído Antoninho no intervalo. O gol se deu aos 81 minutos, quando Pelé, com 15 anos e que substituiu Del Vecchio, recebeu lançamento de Raimundinho e, entre dois zagueiros, chutou forte por baixo do goleiro.

Zaluar, após encerrar a carreira, passou a atuar como advogado e, no seu cartão de visitas se apresentava, orgulhoso: Zaluar Torres Rodrigues, goleiro do 1º gol de Pelé (07.09.1956).   

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1 (Paulo Guilherme); https://terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/zaluar-1664

O goleiro que veio do frio

O goleiro que veio do frio

Lev Ivanovish Yashin começou sua vida esportiva como goleiro de hóquei no gelo dividindo sua atividade como metalúrgico. Iniciou no futebol em 1950, no Dínamo de Moscou, onde permaneceu por 20 anos e foi a única equipe que defendeu na sua vida profissional (além a seleção da União Soviética). Em 1956, foi campeão olímpico em Melbourne, a primeira grande conquista da seleção soviética. Em 1958, a URSS participou de sua primeira Copa do Mundo e quis o destino que caísse no grupo do Brasil (mais Inglaterra e Áustria). O acaso foi mais cruel com Yashin, que já se consagrava como um grande goalkeeper, ágil, com habilidade nos pés e rápido nas saídas de bola. Foi justamente contra a URSS que estrearam Pelé e Garrincha em Copas do Mundo. Em sua biografia, o goleiro disse que de todas as 438 partidas que disputou o jogo contra o Brasil, em Gotemburgo, foi o que mais lhe marcou.

Em 1960, em pleno auge da guerra fria, a URSS foi a primeira vencedora do Campeonato Europeu de Seleções, mais tarde popularizado como Eurocopa, tendo os comunistas utilizado o evento para demonstrar a força da “Cortina de Ferro”.

Yashin jogava com um uniforme todo preto, e em razão de sua agilidade passou a ser chamado de “o aranha negra”. Costumava dizer que o goleiro para ser frio e eficiente deveria, antes de cada partida, fumar um cigarro e tomar uma dose de vodka para acalmar os nervos e tonificar os músculos.

Em 1963, ganhou a “Bola de Ouro”, oferecida pela revista France Football, sendo o único goleiro até hoje a ganhar este prêmio. Em 1966, a URSS fez sua melhor apresentação em Copas ficando em quarto lugar. Esteve no México, em 1970, mas não jogou por estar machucado. Despediu-se do futebol em 27.05.1971, com a sua indumentária negra a defender o gol do Dínamo contra uma seleção do mundo que contava com Eusébio, Gerd Muller e Bobby Charlton.   

Morreu em 1990, foi enterrado com honras de chefe de Estado (Há controvérsia sobre a data da morte, se 20 ou 21 de março).

No ano de 2000, a FIFA elegeu Yashin, o “Aranha Negra”, o goleiro do Século 20.  

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