Blog do Kolluna

A narração pela TV brasileira do primeiro gol, ao vivo, em uma Copa do Mundo

A narração pela TV brasileira do primeiro gol, ao vivo, em uma Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 1970 foi o primeiro evento desta natureza a ter transmissão ao vivo pela TV brasileira. As imagens foram geradas diretas do México, em preto e branco, para quase todo o país. Os aparelhos de TV em cores só chegaram ao Brasil dois anos depois.

O 1º jogo a ser transmitido foi a partida inaugural entre México x União Soviética, em 31.05, que terminou empatada em 0x0. O 2º jogo, ao vivo e passado para o público nacional foi Peru x Bulgária, às 19h, horário de Brasília, no dia 02.06. Diante de toda precariedade da cobertura, face o ineditismo na época, algumas situações curiosas aconteceram. Por exemplo: Embora a TV brasileira estivesse presente no México com equipes da Rede de Emissoras Independentes (Record e Bandeirantes), Rede Associada (Tupi de SP e RJ) e Rede Globo, o 1º gol foi narrado do estúdio no Rio de Janeiro.

A equipe destinada a cobrir esta partida teve dificuldades no trajeto rodoviário até Guadalajara, onde o jogo foi realizado, chegando em cima da hora e a partida começou quando ainda estavam testando os equipamentos e os detalhes técnicos. A narração começou a ser feita nos estúdios, com Léo Batista pela Rede Globo.

O próprio Léo conta a história: “Naquele dia eu estava na minha sala quando o Walter Clark me pediu para ir ao estúdio porque a transmissão da partida ao vivo estava prejudicada. Tinha um jornal aberto com a escalação e os números dos jogadores, o que facilitou minha vida. Justifiquei o problema do som e comecei a narrar, enquanto a equipe técnica tentava acertar o áudio que vinha do México. Numa cobrança de falta ensaiada, Dinko Dermendzhiev, ponta-esquerda búlgaro, tabelou, recebeu livre e chutou forte para abrir o placar. Assim, eu narrei o 1º gol da Copa do Mundo do México, para a televisão brasileira”. 

(*) O jornalista e narrador potiguar Diego Dantas, do cast do SporTV, fez todo o pré-jogo da final olímpica de 2016 do voleibol masculino entre Brasil x Itália direto dos estúdios em face de pontual problema na sonorização do equipamento, no Maracanãzinho, onde foi jogada a partida, sendo resolvido exatamente na hora do primeiro saque pela equipe italiana.   

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: História do jornalismo esportivo na TV brasileira (Alberto Léo).

EMERSON LEÃO: O ALVO PRINCIPAL DAS BRINCADEIRAS DE MARINHO CHAGAS

EMERSON LEÃO: O ALVO PRINCIPAL DAS BRINCADEIRAS DE MARINHO CHAGAS

No meio boleiro não é segredo que a relação de amizade entre o lateral-esquerdo Marinho Chagas e o goleiro Emerson Leão não era das melhores. E tudo começou nas concentrações preparatórias para a Copa do Mundo de 1974. Naquela época, havia clara divisão entre os cariocas e os paulistas, intriga essa que também era fomentada pela imprensa bairrista. Leão, com seu jeitão sisudo, incomodava os cariocas, que tinham no potiguar Marinho um grande aliado.

Num treinamento, Marinho desafiou Leão a pegar os chutes dele, do Jairzinho e do Paulo Cesar “Cajú”. Se conseguisse, ele seria considerado pelos três como o “melhor goleiro do mundo”. O goleiro topou, foi para a trave e abriu os braços aguardando o chute sequenciado dos três. Ocorre que o lateral já havia combinado para todos chutarem ao mesmo tempo. Uma bolada no braço, outra na barriga e a última na cabeça. O goleiro não gostou e saiu correndo atrás do lourão enquanto todos riam da situação.

Outra vez, saindo do Hotel das Paineiras, que servia de concentração para a seleção brasileira no Rio de Janeiro, alguns jogadores estavam de carona numa Kombi da CBF descendo uma ladeira com sinuosas curvas. Marinho, percebendo que Leão estava nervoso com o trecho, de sacanagem tirou a camisa e tapou os olhos do motorista, que por instinto pisou no freio e fez o carro deslizar por alguns metros. Houve um novo mal-estar entre os dois, embora os demais jogadores tenham rido, ainda que amareladamente.

Sobre uma possível briga que ocorreu no vestiário após a derrota do Brasil para a Polônia na disputa do 3º lugar na Copa do Mundo da Alemanha/1974, quando Leão acusou Marinho de ter sido culpado pelo gol de Lato após um apoio considerado irresponsável, o lateral sempre desconversou. Leão admite o desentendimento e que foi uma coisa natural entre homens que pensam diferentes. Marinho admitia que entre eles houve um empurra-empurra. E só. 

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “A Bruxa, as vidas de Marinho Chagas" (Luan Xavier);

YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=2h2bX_lI5NY).

LA MANO DE DIÓS E A VISÃO DO ÁRBITRO

LA MANO DE DIÓS E A VISÃO DO ÁRBITRO

A Copa do Mundo é um espetáculo no planeta Terra. Fazer um gol numa Copa do Mundo é ser imortalizado. Mas, talvez, o gol mais emblemático de todas as Copas, desde 1930, seja o gol de mão que Maradona marcou no célebre Argentina e Inglaterra, em 1986, no lendário Estádio Azteca, no México. Ilegal? Talvez! Genial? Sem dúvidas!!! Assim como genial é essa história.

O árbitro da partida foi o tunisiano Alli Bennaceur. Foi ele quem validou o gol. Mas o fez após consultar o assistente, o búlgaro Bogdan Dotchev, que deu o sinal positivo e Bennaceur apontou para o centro do campo. Ao fim do jogo, no vestiário, o tunisiano e o búlgaro não tinham um idioma em comum, precisando do auxílio de um intérprete para conversarem. Pediu Alli que perguntasse a Dotchev se tinha certeza sobre a validade do gol, tendo o assistente respondido que sim e balançado veementemente a cabeça confirmando que o gol de Maradona foi com a cabeça.

Ao rever o lance nas imagens capturadas pela TV mexicana, o árbitro percebeu que o jogador argentino havia utilizado o braço para “crescer” alguns centímetros a mais que Peter Shilton, goleiro inglês. A vida dele nunca mais foi a mesma e o erro lhe perseguiu por toda a vida. Porém, como que tentando ser fiel ao que disse e, paradoxalmente, quase como um pedido de desculpas, o búlgaro passou a enviar, a cada Ano Novo, um cartão de boas festas ao colega tunisiano com a mesma mensagem: “Não foi com a mão. Feliz Ano Novo. Bogdan Dotchev”.

Alli Bennaceur, ao falar sobre o lance, ri e desconversa:

-“Dirigi o jogo do melhor jogador do mundo, ganhei a camisa de presente e ainda vi o gol do século à minha frente. O que mais posso querer?”.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “As melhores história do futebol mundial” (Sérgio Pereira)

A BENÇÃO, JOÃO DE DEUS...

A BENÇÃO, JOÃO DE DEUS...

Em 1980, durante a realização do X Congresso Eucarístico Nacional, os brasileiros receberam pela primeira vez um Papa no país. Naquele ano, o Maracanã recebeu 101.199 pagantes em um domingo em que Fluminense e Vasco decidiram o título do 1º turno do Campeonato Estadual em jogo-extra. Houve empate de 1x1 no tempo normal, que persistiu na prorrogação. Enquanto se esperava a cobrança de pênaltis, a torcida tricolor começou a cantar:

“A benção, João de Deus/Nosso povo te abraça/Tu vens em missão de paz/Sê bem-vindo/E abençoa este povo que te ama”.

A música era em homenagem ao Papa João Paulo II, de autoria de Péricles de Barros, cantada por Luiz Gonzaga e que saudava o líder católico. A música tornou-se um hit naquele ano. Não há como provar a interferência divina, mas o goleiro tricolor Paulo Goulart defendeu duas cobranças e o Flu venceu por 4x1. A partir desse momento o hino nunca mais deixou de ser cantado pela torcida tricolor. Em 2010, o polonês Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, foi oficializado como padroeiro do clube das Laranjeiras, ao lado de Nossa Senhora da Glória.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “1981: o ano rubro-negro (Eduardo Monsanto); site: www.flunomeno.com

HÁ 22 ANOS, OUTRA POLÊMICA SOBRE A EXPRESSÃO “PARAÍBA”

HÁ 22 ANOS, OUTRA POLÊMICA SOBRE A EXPRESSÃO “PARAÍBA”

Diante da recente controvérsia sobre a declaração do Exmo. Sr. presidente da República, que se utilizou da expressão “paraíba” como forma de dirigir-se aos nordestinos, o blog relembra outra polêmica, desta feita no esporte e ocorrida aqui em Natal.

Em 1997, um clube do Rio Grande do Norte voltou à elite do futebol brasileiro. Após conseguir o acesso a Série A do campeonato nacional no ano anterior, o América estava outra vez na principal competição e entre os grandes clubes do país.

A equipe rubra teve uma honrosa participação, ficando em 16º lugar, com 7 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. O Machadão transformou-se no caldeirão americano, endurecendo as partidas contra os tradicionais adversários, sucumbindo a única derrota em casa na derradeira partida, contra o São Paulo (1x3 em 02.11.1997).

Não precisa ser torcedor fanático do América para lembrar, na ponta da língua, a base daquele belo time de futebol, que disputou o Brasileirão/1997. Emerson, Dinho, Marcelo Fernandes, Gito e Denys; Moisés, Carioca, Moura e Biro-Biro; Gian e Richardson, tendo como técnico Júlio Cesar Leal.

De todas as partidas jogadas no Machadão, talvez a mais emblemática tenha sido contra o Vasco da Gama/RJ, válida pela 13ª rodada. O Vasco de Carlos Germano, Mauro Galvão, Juninho Pernambucano, Evair e Edmundo e que seria o campeão brasileiro daquele ano.

Naquele dia, o time potiguar promovia a estreia de Marcelo Fernandes, que veio do Santos/SP, na zaga, substituindo Nelson. Marcelo entrou para tomar conta da camisa 3 e não mais sair do time.

Logo aos 2 minutos de jogo, Edmundo cometeu uma falta por trás em Gian e recebeu o primeiro cartão amarelo. No segundo tempo, tratou de puxar a camisa do volante Moisés, recebendo o segundo cartão e, consequentemente, sendo expulso do jogo.

Então a polêmica. Em sua saída de campo, o jogador fez a seguinte declaração:

 “a gente vem na Paraíba, um ‘paraíba’ apita, só pode prejudicar a gente”.

Além do desconhecimento geográfico, a ira do “animal” era direcionada ao árbitro cearense Dacildo Mourão, conhecido pela distribuição de cartões amarelos nas partidas que apitava. Nos vestiários, utilizando de argumentos culturais, tentou justificar alegando que o nordestino é chamado de “paraíba” no Rio de Janeiro.

A declaração rendeu ao jogador processos judiciais, um deles uma representação criminal pela prática de racismo proposta pelo jornalista paraibano Sebastião Barbosa de Souza. A promotoria de justiça criminal da Paraíba declinou da competência em face do delito ter ocorrido em Natal/RN, remetendo os autos à Comarca desta Capital. Aqui o processo foi arquivado, em face da decadência ocorrida.  

O outro processo foi uma ação de indenização por danos morais, apresentada pelo mesmo jornalista, que apesar de ter sido julgada procedente no juízo de primeiro grau, foi reformada a sentença pelo TJ/PB, tendo o relator entendido que “as ofensas não foram dirigidas ao jornalista, mas ao árbitro de futebol”.

Na outra Justiça, a desportiva, embora estivesse passível de pegar 11 partidas de suspensão, conforme denúncia da procuradoria, o jogador foi absolvido pelo Tribunal Especial da CBF, pagando uma multa de R$ 75,00 (setenta e cinco reais). Edmundo entrou instigado no jogo seguinte, após o julgamento. Sem falar com a imprensa, descontou sua ira animal contra o União São João de Araras, marcando todos os seis gols na vitória de 6x0, um recorde até então imbatível em campeonatos brasileiros.  

O jogo entre o América e o Vasco terminou sem abertura de contagem, e ficou na história e no folclore do futebol nacional, tendo o Jornal do Brasil publicado, em 22.08.1997, a charge que ilustra este post.

FICHA TÉCNICA

AMÉRICA 0x0 VASCO

Data: 20-08-1997

Local: Machadão

Público: 26354

Renda: 265.850,00 (duzentos e sessenta e cinco mil, oitocentos e cinquenta reais)

Árbitro: Dacildo Mourão/CE

Auxiliares: Arnaldo Pinto Filho/BA e Ricardo Menezes/PE

AMÉRICA: Emerson; Dinho, Marcelo Fernandes, Gito e Denys; Moisés, Carioca, Moura e Richardson; Gian (Biro-Biro) e Raudnei (Agnaldo). Técnico: Júlio Cesar Leal

VASCO: Márcio; Maricá (Felipe), Odvan, Mauro Galvão e Cesar Prates; Luisinho, Walber, Ramon e Pedrinho (Mauricinho), Edmundo e Evair (Marcelo). Técnico: Antonio Lopes

 

O ÁRBITRO EXPULSOU O SEU ASSISTENTE

O ÁRBITRO EXPULSOU O SEU ASSISTENTE

Na noite de 31.01.1968, no Estádio Juvenal Lamartine, em partida amistosa entre o América-RN x Santa Cruz-PE, ocorreu um lance inusitado. A certa altura do jogo, o lateral-esquerdo Jório (Santa Cruz) xingou o assistente Afrânio Messias. Este comunicou o ocorrido ao árbitro Luiz Meireles que, incontinenti, expulsou o atleta infrator. Todavia, o assistente trocou ofensas verbais com o atleta pernambucano, sendo repreendido pelo árbitro, havendo uma discussão áspera entre os dois, com Messias atirado a bandeirinha ao chão. Diante disso, irritado com a atitude, o árbitro Luiz Meireles expulsou também o seu assistente de campo, tendo o jogo continuado somente com o outro assistente Jáder Correia cobrindo os dois lados do campo.

A rusga entre os profissionais do apito não teve maiores conseqüências, tanto assim que quatro dias depois o Estádio Juvenal Lamartine recebeu Mané Garrincha, em partida de exibição atuando pelo Alecrim contra o Sport Recife, com o comando do próprio Luiz Meireles, auxiliado pelos irmãos Afrânio e Ailton Messias, peleja que terminou com a vitória dos visitantes e foi considerada como bastante disciplinada em todos os aspectos.  

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “O outro lado do futebol” (Teodoro de Castro Lino); Jornal Diário de Natal.

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